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A boa vida de vovó

Curso ensina que as avós só devem interferir na
educação dos netos quando forem solicitadas
ILUSTRAÇÃO
Diário OnLine
Se ser mãe é padecer no paraíso, ser avó é padecer no paraíso sem ter que levantar no meio da noite por causa do choro estridente do nenê, sem ter que ficar trocando fralda de hora em hora e, claro, sem ter que carregar um barrigão enorme por nove meses até sofrer as dores do parto. “Agora, estou disponível só pra isso”, comemora a assistente social Maria Emília Gonçales, ansiosa com a chegada de Isabel, sua primeira neta, previsto para os últimos dias de junho.
Um dos preceitos ensinados num curso ministrado pela enfermeira Dalva Darin Andrade, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é que a avó (e o avô) deve estar presente sempre, mas sem interferir. “Vocês só devem dar palpite se forem solicitadas”, proclama Dalva. Ela explica que no pós-parto, devido a mudanças hormonais e à importância do momento, a mãe fica emocionalmente sensível. Às vezes, até irritada e agressiva.
A dona de casa Paula Meneguello, que espera o segundo neto, sabe bem o que é isso. “O temperamento da minha primeira nora não ajudou no meu relacionamento com o meu neto desde o começo”, lamenta. Feliz da vida com a vinda de João Pedro, ela conta que foi escolhida para ser madrinha do próprio neto.

Tarefas variadas

Dalva diz que a avó deve deixar sempre claro para os novos pais que “se precisar, estou aqui”. Entre as tarefas que devem ser abraçadas, ela cita a recepção de visitas na maternidade, o incentivo à amamentação, a administração da casa durante o período da internação e a preparação da volta deles ao lar. “Que tal enfeitar a casa com bexigas coloridas e colocar um tapete vermelho?”, sugere.
As vovós também não se cansam em falar das diferenças entre o parto de hoje e o parto de décadas atrás. “Antigamente, era a fórceps, sem anestesia, e não tinha essa de saber o sexo”, lembra Rosália Arsenian, mãe de gêmeos, e futura avó de Felipe.
Salta aos olhos das vovós de primeira viagem, a parafernália de aparelhos que rodeia a cama da gestante. “Você sabe que isso dá uma tranqüilidade muito grande. Hoje em dia é possível descobrir uma doença na criança ainda dentro da barriga. E ainda pode-se fazer uma cirurgia lá dentro”, ensina Rosália. Ela lembra das noites passadas em claro para “nanar” os filhos recém-nascidos ou para, sabe-se lá como, brecar o choro da criança. Para muitos pode ser um martírio, mas ela conta que “nessas horas se cresce muito”.
Apesar de receitar uma alimentação balanceada, a nutricionista Débora Pracanica, que também conversa com as vovós durante o curso, diz que muito do que se fala sobre alguns alimentos é pura crendice. “Não adianta, por exemplo, tomar Malzebier para aumentar a produção de leite. E a criança não vai ter diarréia se a mãe comer mamão”, ensina Débora. “O importante”, diz ela “é observar a sensibilidade do nenê a certos alimentos.
Maria Emília se diz em forma para trocar fraldas e dar banhos na neta que vem aí. “Depois que meus filhos cresceram, continuei praticando nos meus sobrinhos”, conta. Sugestão e palpite, ela garante que, não tem jeito, toda avó dá. “Mas agora, com o curso, esses palpites serão mais pensados, mais atualizados”, diz.

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