|

Mundo Pop Hidrospeed promete invadir as corredeiras brasileiras
Modalidade de descida por corredeiras existe há anos na Europa e está chegando ao Brasil Reprodução
 Radical: A principal diferença desse esporte é o contato total com a água, pois não se fica sobre o equipamento Uma prancha, pés-de-pato, capacete, colete, roupa de neoprene e caneleiras. Pode não ser um modelo muito fashion, mas em breve esta figura estranha vai invadir os rios brasileiros para praticar o hidrospeed, uma modalidade de descida por corredeiras que existe há anos na Europa e é recém-chegada ao Brasil.
Quem já curte rafting, boiacross e caiaque vai perceber que a principal diferença desse esporte é o contato total com a água: não se fica sobre o equipamento; segue-se dentro do rio mesmo, apenas com a cabeça e os braços para fora da água. “O hidrospeed é mais dinâmico. Você sente mais a movimentação da água e percebe melhor o relevo do rio”, relata o instrutor de rafting Bruno Gatto, de 25 anos. A prancha é de plástico rotomoldado e a pessoa fica numa posição parecida com a do bodyboard.
Aqui no Brasil, o hidrospeed começou a ser praticado no Rio Jacaré-Pepira, em Brotas (SP). Por enquanto, há apenas uma agência de ecoturismo que trabalha profissionalmente com o esporte. “Fazemos uma clínica de 20 minutos antes de iniciar a descida, que pode levar até uma hora e meia”, explica Rafael Barbieri, diretor operacional da Eco Ação. A escolha do trecho do rio depende principalmente da época do ano, e pode ir de 3 km a 8 km. A melhor época é o verão, quando os rios ficam mais cheios, mas há grandes trechos “navegáveis” durante o ano todo.
Rafael conta que o hidrospeed é mais fácil de se aprender do que o rafting, por exemplo, e que a versão utilizada no País é mais “light” do que a praticada no exterior. “Lá fora, o esporte de aventura é mais radical; já aqui é mais ‘família’.” Para se ter uma idéia, a versão nacional da prancha pesa 9 quilos, enquanto a importada, para corredeiras mais radicais, pode chegar a 12 quilos e tem formatos variados.
É aconselhável bom preparo físico para praticar a modalidade, mas não é preciso ser um exímio nadador - o fundamental é sentir-se bem dentro de águas movimentadas. “Usamos bastante os braços para a estabilidade da prancha e as pernas e pés, que dão propulsão. Uma pessoa sedentária pode ter um pouco mais de dificuldade, mas não terá maiores problemas”, afirma Gatto.
Um dos poucos problemas que podem acontecer é a “aquisição” de uma lembrança meio dolorida para levar para a casa. “Um hematoma nesse tipo de esporte pode até ser um bom suvenir”, brinca o instrutor de rafting. Para não adquiri-lo, basta seguir as instruções: bater pernas e pés apenas nas partes calmas do percurso, até entrar numa corredeira. Depois, é só deixar o rio levar.
• No exterior
O hidrospeed nasceu na França - alguns dizem que tem mais de trinta anos, outros pouco mais de dez. No exterior, o esporte é conhecido como hydrospeed ou NEV (abreviação da expressão em francês “nage en eau vive”, algo como “natação em corredeiras”). Existem algumas associações que reúnem seus praticantes mundo afora, como a Rassemblement International pour la Promotion de l’Hydrospeed (RIPH International), com sede na Suíça. A RIPH foi criada oficialmente em dezembro do ano passado e reúne pouco mais de 20 pessoas - mas o primeiro encontro promovido pela associação reuniu mais de 60 pessoas, garante seu presidente, Raphaël Besson.
Besson, um francês de 36 anos que vive em Le Chesnay, próximo a Versailles (França), começou a praticar hidrospeed há nove anos, com três amigos. De lá para cá, virou especialista no assunto. “Eu pratico por diversão, para conhecer pessoas e estar em contato com a água.
Ele conta que já levou uma criança de sete anos para descer as corredeiras e nem a mãe, aos 65 anos, escapou. “Meus amigos e eu gostamos de ensinar hidrospeed para quem nunca nadou.” Para ele, quanto mais pessoas praticarem o esporte, melhor. Por isso planeja para maio de 2004, através da RIPH, um encontro internacional na França, com competições (categorias slalom e descente), aulas e shows.
SERVIÇO:
Eco Ação Tour - Tel. (0xx14) 3653-8188 / 3653-8040. Na internet: www.ecoacaotur.com.br. A descida de hidrospeed custa R$ 75,00, com direito a acompanhamento de instrutor e aluguel dos equipamentos necessários (prancha, pés-de-pato, colete, capacete joelheiras, caneleiras e roupa de neoprene)
• RIPH International - Na Internet: www.riph.net. Em francês e inglês
|