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Estética Fuja dos ‘milagres’ para tratar a calvície
Cerca de 60% dos homens sofre de calvície; apesar da grande oferta de tratamentos, nem todos são confiáveis Arquivo

Estima-se que perto de 60% dos homens sofram de calvície, em seus variados graus. A oferta de produtos e serviços para este público é vasta, mas nem tudo o que se oferece é confiável. “Não existe xampu antiqueda”, enfatiza Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cabelo. “É um sonho que se tem, mas ainda não virou realidade”.
O médico explica que a maioria dos “remédios” de uso tópico (como xampus e loções) não tem efeito. Os medicamentos via oral também devem ser vistos com cautela - atualmente a finasterida é a única substância de administração oral aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) para esse fim, e serve apenas para homens. Já o minoxidil, medicamento de uso tópico também aprovado pelo FDA, pode ser utilizado por homens e mulheres. Ambos têm eficácia comprovada, porém requerem atenção e cuidado no uso, que deve ocorrer sempre sob supervisão médica. “Leva-se de três a quatro meses para se obter resultado. Pode nascer um cabelo mais fino, mas que cobre bem certos espaços. Cerca de 30% dos pacientes, porém, não têm uma resposta adequada”, informa o especialista.
A dermatologista Ediléia Bagatin, professora doutora do Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressalta que, sendo cosmético, um produto não pode prometer resultados terapêuticos. “A fisiologia do crescimento, do ciclo capilar é extremamente complexa e depende fundamentalmente da estimulação hormonal normal, da nutrição geral, da existência ou não de doenças internas como anemia, doenças da tireóide etc.
Queda de cabelo, alerta Ediléia, pode ser o primeiro sinal de distúrbios ou doenças internas. Por isso, deve-se sempre procurar um médico “e não cabeleireiro, esteticista, balconista da farmácia ou da loja de cosméticos ou clínicas de tratamento capilar sem dermatologista”.
Bedin salienta que mesmo uma simples carência de ferro que não chegue a configurar anemia pode levar à perda de cabelo, assim como alterações hormonais e metabólicas. “O cabelo é visto pelo corpo como algo inútil, portanto é o primeiro a ser descartado numa situação dessas.” Atualmente, a única função do cabelo é aumentar a área de contato do corpo. “Nem é mais de proteção, como era na pré-história. Está acontecendo com ele o mesmo processo do dente de siso. Pode ser que, daqui a 100 mil anos, não tenhamos mais cabelo.
• Cirurgia
Para os casos mais avançados de calvície, a cirurgia de transplante capilar pode ser indicada. A técnica mais moderna e eficaz utilizada atualmente chama-se transplante folicular e consiste em enxertar, quando necessário, grupos de dois ou três fios de cabelos na parte calva (receptora), em vez de um por um.
“Com a técnica anterior, alguns fios não nasciam. Descobriu-se então algo chamado sociologia celular. Quando se tem um grupamento de células muito próximas, se elas forem separadas pode ocorrer morte celular, pois as células perdem a troca que faziam entre si. Isso foi aprendido na prática”, explica Bedin. “O resultado em termos de ‘pega’ é muito melhor. Antes, tínhamos uma perda esperada de 20%; hoje é de 2%.
Para quem tem medo de ficar com o visual “cabelo de boneca” após o transplante, o especialista avisa que isso é coisa do passado. Ele admite, porém, que ainda existem profissionais que nem sempre chegam ao resultado prometido. “Há dois tipos de transplantadores de cabelo: aqueles que privilegiam o volume e aqueles que preferem a naturalidade. O ideal é sempre ter indicação de alguém.
SERVIÇO:
- Sociedade Brasileira de Estudos do Cabelo - Tel. (0xx11) 3672-1763
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