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Morte de menina Palestina põe trégua com Israel em xeque

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Morte de menina Palestina põe
trégua com Israel em xeque


Gaza

A morte de uma menina de dez anos atribuída a Israel pelos palestinos e a resposta com tiros de morteiro feita pelo grupo terrorista Hamas colocaram em xeque a trégua temporária que já durava quase duas semanas nos territórios palestinos. Um porta-voz do Hamas afirmou que os grupos palestinos retomarão os ataques se Israel realizar outras ações como a que matou a menina.
A violência, porém, não foi suficiente para interromper a onda de diálogo de autoridades israelenses e palestinas. Líderes dos dois lados evitaram dar declarações duras após os dois incidentes. E novo encontro para discutir a situação de segurança na faixa de Gaza e para elaborar o plano israelense para transferir cinco cidades da Cisjordânia para a ANP (Autoridade Nacional Palestina) ocorreu ontem.
Norhan Deeb, 10, foi morta nos jardins de sua escola, administrada pela ONU, no campo de refugiados de Rafah, na fronteira com o Egito, que é considerado um dos locais mais violentos da região, com constantes combates envolvendo militares israelenses e militantes de grupos palestinos. Segundo testemunhas, a menina foi atingida na cabeça quando estava em uma fila ao lado dos colegas para se preparar para uma reunião à tarde.
Relatos de pessoas presentes indicam que o disparo teria sido feito a partir de um posto militar israelense. Israel afirma não ter conhecimento do episódio e acrescentou que investigará o caso com o auxílio dos palestinos. Johan Erikson, porta-voz da ONU, disse que não era possível identificar quem foi o autor do disparo, mas tudo indicava que foi feito por forças israelenses. “O único disparo que ocorreu em Rafah veio da direção do posto militar israelense”, afirmou.
Horas mais tarde, militantes do Hamas dispararam seis obuses contra assentamentos judaicos em Gaza, provocando danos a uma casa na colônia de Neve Dekalim. Antes do cessar-fogo temporário, esse tipo de ataque era quase diário. “Nós escutamos Abu Mazen (como o presidente palestino Mahmoud Abbas é conhecido na região) falando em deslocamento de tropas. Escutamos conversas sobre o cessar-fogo. Mas nada ocorre”, disse a mãe da menina morta. “Minha filha era amável. Hoje ela foi para escola mais cedo do que o usual. Queria brincar com as colegas antes da aula”, acrescentou. “Não escutei nada. De repente, escutei Norhan gritando. Em seguida, ela caiu no chão. Olhei para as minhas mãos e vi sangue”, disse Aysha Khateeb, colega da menina morta.
A diretora da escola afirmou que as crianças correram para dentro da sala de aula após o disparo. Mais tarde, colocaram flores na carteira da colega morta. Muitos ficaram com medo de sair de dentro da escola.

EUA - A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse ontem que não poderá haver paz no Oriente Médio enquanto os palestinos não tiverem um Estado que satisfaça às aspirações deles. Na próxima semana, Rice vai ao Oriente Médio para se reunir com o premiê Ariel Sharon e com Abbas. Os dois se reúnem no dia 8. Em Jerusalém, mais de 100 mil colonos realizaram manifestação durante toda a noite contra o plano de retirada de Israel de Gaza.

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