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Nova novela da Record retrata o Rio de Janeiro do final do século XIX

Pedro Paulo Figueiredo/CZN
Diário OnLine
Quando pensou em locações para “Essas Mulheres”, novela que a partir de 2 de maio substitui “A Escrava Isaura”, na Record, o diretor Flávio Colatrello, debruçou-se sobre fotos e imagens e encontrou no interior de Minas Gerais o cenário ideal para reproduzir o Rio de Janeiro do final do século XIX, época retratada na trama. A princípio, o diretor queria gravar em São João Del Rey, mas a interferência de postes e placas de sinalização tornaram-se um problema. A solução foi mudar o destino e assim a equipe de 147 pessoas incluindo atores, técnicos e produtores, desembarcou em Tiradentes, município vizinho de apenas 10 mil habitantes, para gravar as cenas dos primeiros doze capítulos da novela. “A cidade tem um passado de grandes produções. Além de ter o conjunto arquitetônico pedido pela história”, avalia.
“Hilda Furacão”, “A Muralha” e “Coração de Estudante”, todas da Globo, foram algumas das produções que tiveram cenas gravadas em Tiradentes. Ao andar pelas ruas, turistas e moradores se depararam com caminhões geradores, câmeras, rebatedores e atores, lógico, que foram incorporados ao dia-a-dia do município. “Não tem jeito. A gente interfere na vida da população, mas me surpreendi com a infra-estrutura da cidade”, ameniza Colatrello.
Os casarões antigos, as igrejas e as ruas de pedras vão ser cenário para a história de Aurélia, Mila e Lúcia, respectivamente interpretadas por Christine Fernandes, Miriam Freeland e Carla Regina. As três atrizes ficaram na cidade durante dez dias para gravar os primeiros capítulos da trama escrita por Marcílio Moraes e Rosane Lima. “O entrosamento é maior e a cidade dá uma outra respiração para a personagem”, avalia Carla.
Na história, baseada em três dos principais livros de José de Alencar “Senhora”, “Lucíola” e “Diva”, a Aurélia de Christine é uma moça pobre e romântica apaixonada por Fernando, papel de Gabriel Braga Nunes. Mila é uma jovem bem-nascida, que vive em conflito com a mãe e se apaixona por Augusto, o médico negro vivido por Alexandre Moreno. A trama que cerca Lúcia também não é leve. Pobre, nasce Maria da Glória, mas acaba trocando de nome ao tornar-se a maior cortesã da cidade. Lúcia vai conhecer o amor e sofrer por ele ao se apaixonar por Paulo, interpretado por João Vitti. “A trama mostra mulheres fortes e determinadas. Não tinha como não aceitar”, justifica Christine Fernandes, longe das novelas desde 2001, quando atuou em “Estrela Guia”, da Globo, ao lado de Gabriel. “Está todo mundo com muita vontade de dar certo”, diz o ator.
Com o universo feminino em pauta, a novela vai exibir belos figurinos, maquiagem bem dosada e cabelos alongados por apliques, quase todos em tons castanhos. “Vimos muitos filmes. Nossa referência é ‘A Época da Inocência’, que retrata bem essa época”, revela a figurinista Carolina Li, citando o filme de Martin Scorsese. Se em “A Escrava Isaura”, os decotes e saias eram mais comportados, em “Essas Mulheres”, a silhueta feminina ganha destaque. “É o que chamamos de silhueta em ‘S’, na qual as saias têm anquinhas”, explica Carolina.
Nem todas têm essa tal anquinha. Só as personagens mais ricas como Adelaide, a antagonista feita por Adriana Garambone, que ganhou um guarda-roupa recheado de rendas e acessórios como chapéus e sombrinhas. Para diferenciá-la das mocinhas, uma tintura vermelha foi aplicada ao cabelo da atriz. “Ela está um luxo! A cor ficou ótima”, elogia o maquiador Dida Freitas.
Com investimento de cerca de R$ 120 mil por capítulo - o mesmo da antecessora - “Essas Mulheres” estréia com a responsabilidade de consolidar o horário das sete como palco de produções de época na Record. E assim abrir caminho para o segundo horário de novelas da emissora. “A Record não está brincando em serviço. Tevê é hábito e estamos criando isso aqui. O negócio é manter um padrão de qualidade”, argumenta Colatrello.

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