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Nome Próprio Artimanhas do destino
A atriz cearense Ana Karine fala sobre seu primeiro papel na televisão
Pedro Paulo Figueiredo/CZN

A carreira de atriz nunca seduziu a cearense Ana Karine. Ao receber o primeiro convite para rodar um curta-metragem, a moça respondeu com um sincero não. Mas acabou cedendo aos apelos de um produtor e se matriculou no curso de interpretação do cineasta Walter Lima Jr. O tempo que passou estudando possibilitou à Ana Karine um novo olhar sobre a profissão. “Fiquei apaixonada pelo ofício, mas me perguntava como podia estar gostando daquilo”, relembra a atriz, que hoje, bem-resolvida, estréia o primeiro papel de verdade na tevê. Ela é Carmem, uma jovem perua milionária que transita tanto pelas coberturas da Zona Sul carioca quanto nos barracos das favelas em “Mano a Mano”, da Rede TV!. “Ela dá lições de humildade”, defende.
A atriz está no projeto da sitcom desde maio do ano passado. Chamada para um teste pela produtora norte-americana Picante Pictures, Ana Karine passou, gravou o piloto do programa e ficou aguardando a negociação com as emissoras. O período de espera foi angustiante para ela. “Fiquei muito ansiosa, pois não podia fechar nenhum trabalho porque muita gente já sabia que eu estava envolvida no projeto”, conta a atriz, que acabou produzindo e atuando na peça “Vale Tudo”, que ficou apenas um mês em cartaz. “Foi o que segurou minha onda. Queria muito trabalhar”, observa.
Até conseguir o primeiro papel na tevê, Ana Karine fez diversas participações. Em “Senhora do Destino”, da Globo, foi uma das atiradas “fãs” do maître Viriato, de Marcelo Antony, e em “Kubanacan”, também da emissora, era uma enfermeira que ajudava o personagem de Marcos Pasquim a fugir do manicômio. “Não gosto de aparecer por aparecer. Essas participações tinham alguma função na trama”, argumenta Ana Karine.
O jeito franco e a voz marcante são algumas das características da moça, que sempre teve pânico de ficar rotulada como a loura bela e sensual que não tem opinião própria. “A beleza é uma faca de dois gumes. Abre portas, mas testa você o tempo todo. As pessoas desconfiam de sua capacidade”, teoriza. Por pensar assim, Ana Karine relutou muito até aceitar tornar-se modelo. A moça começou fazendo fotos até ganhar fama com os comerciais. “Foram mais de 300. O mais famoso foi o da cerveja Bavária. Fiz toda a campanha e fiquei contratada por uma ano”, conta.
Nessa época, Ana Karine fez muitos trabalhos sensuais, o que a deixou meio encucada e a fez tomar outro rumo na carreira. “Não queria atrelar minha carreira a esse estereótipo. Morria de medo de ser chamada para ser a gostosa do ‘Zorra Total’”, dispara. A carreira de modelo também aconteceu por acaso na vida da moça. Ao acompanhar uma amiga numa festa, acabou encontrando o primeiro namorado e também um contrato com a Elite Models. “Nem pensava nisso. Mas a grana era boa e dava para conciliar com os estudos”, conta a atriz, cujo sonho era tornar-se publicitária. Quando a carreira de atriz falou mais alto, ela trancou a faculdade, formou-se em Teatro e decidiu se matricular na Faculdade de Jornalismo. “A carreira de atriz é muito instável. Queria ter uma outra opção. O nosso país não permite viver apenas da arte” justifica Ana Karine.
Aos 28 anos, Ana Karine tem uma visão clara do que quer para o futuro, embora não goste de planejar muita coisa. “Nada do que planejei na vida deu certo. Prefiro deixar as coisas acontecerem. O que não quer dizer que eu não corra atrás delas”, contemporiza. Empolgada com o trabalho em “Mano a Mano”, ela espera que o público entenda a temática do programa. “Mostramos o universo dos preconceitos com leveza. Não é uma comédia gratuita. Propõe uma reflexão. Fazer graça por fazer, melhor trabalhar no circo”, sentencia.
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