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Marinete começa a perder a graça

‘A Diarista’ volta com poucas novidades, texto ruim e situações
que pouco fazem rir; mesmo assim, mantém sucesso
Divulgação
Diário OnLine
Cláudio Alcântara

A Globo anda correndo atrás do prejuízo. Não necessariamente grana. É que as emissoras já colocaram no ar suas novidades e a dos Marinho voltou apenas com um cardápio requentado. Nada de novo, tudo sem riscos, sucessos do ano passado, mas que começam a soar repetitivos. Melhor seria fazer como o SBT, que reprisa mesmo (até produções exibidas em outros canais, como “Xica da Silva”). Mas não, a Vênus Platinada manda ver suas novas temporadas. Hoje vou comentar o melhorzinho, “A Diarista”. Os dois primeiros programas da nova temporada (um episódio em duas partes), “Aquele do Paraguai”, conseguiram boas audiências, média de 30 pontos. Bom para o horário. Marinete virou uma sacoleira e, como sempre, aprontou muitas confusões. A sorte do programa é que Cláudia Rodrigues segura bem a peteca. Mas começa a perder a graça.

No mais, “A Diarista” segue a receita. Tudo bem que as aventuras de Marinete ganharam um ar de pé na estrada. Cláudia soube aproveitar isso, ao sair da casa dos patrões e cair no Brasil. Recapitulando. Marinete é uma empregada doméstica que não tem medo de trabalho. Ao lado das amigas e fiéis escudeiras, Solineuza e Dalila, ela se mete nas maiores encrencas. Como a diarista, é claro, não tem trabalho fixo, cada dia rala em uma casa diferente e assim conhece gente de todos os tipos. Quem via o programa ano passado sabe disso.

Um programa de humor tem de fazer rir. De preferência quase o tempo todo. “A Diarista” arrancou de mim alguns sorrisos, nada mais que isso. OK, talvez, eu estivesse de mau-humor. Duas semanas seguidas? No mesmo dia? No mesmo horário? Acho que não. O programa é que está perdendo a graça. Ao contrário de outros humorísticos, “A Diarista” depende muito do texto. Não é como as caricaturas de “A Praça é Nossa”, que na maioria das vezes fazem rir pelo ridículo da imagem, não importando muito o que as personagens dizem. E o texto de “A Diarista” está fraco, muito fraco.

“Flashback”. Quem consegue os melhores trabalhos para a moça é Figueirinha, que toma conta da agência de diaristas. Apaixonado por “Nete”, ele sempre arranja um jeitinho de colocá-la nas boas. Assim mesmo, o site da Globo fala do programa. Como se vê, nem a própria emissora tem alguma novidade a mostrar ao público. Ou seja, se a Globo não aposta em coisas novas, por que nós, pobres mortais, vamos ficar lá diante da tevê? Para não ser injusto, é preciso citar que, além da antiga trupe, Marinete agora tem uma nova vizinha, Ipanema. A nova personagem faz o tipo independente, não liga muito para a aparência mas é extremamente sensual, e está sempre pronta para ajudar as amigas. Chata.

O programa foi ao ar pela primeira vez em 2003, como um especial de fim de ano. O público aprovou o que se chama de “sitcom” (copiado do formato americano) e se tornou uma atração fixa nas noites de terça da Rede Globo. Com direção de José Alvarenga Jr. e redação final de Bruno Mazzeo, “A Diarista” deveria ser uma comédia de situação. Deveria. Tem a vantagem de ir ao ar após o “Casseta & Planeta” (cada vez mais bobo). Na comparação, “A Diarista” dá de dez, bem mais descolado. Mesmo assim, começa a ter um ar de “Vale a Pena Ver de Novo”.

O SBT, que pode meter os pés pelas mãos quase sempre, pega carona no sucesso de “A Diarista” e fatura boa audiência com o “Meu Cunhado”. O que os dois humorísticos têm em comum é pouca coisa. A Globo tem uma produção bem mais caprichada e Cláudia Rodrigues faz parte do time de atrizes moderninhas. Golias é dos antigões e “Meu Cunhado” segue a mesma linha. O problema do humorístico da Globo é que ele corre o risco de parecer velho, antigo, em tão curto tempo de exibição. É preciso investir nos redatores, porque só o texto pode fazer a diferença nessa hora. Ninguém aqui duvida do talento de Cláudia, mas duvido sim que “A Diarista” tenha fôlego para mais um ano de humor. Eu disse humor.

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