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Tudo é ‘over’ em ‘A Lua Me Disse’

Novela de Miguel Falabella e Maria Carmen Barbosa é divertida;
vilã rouba a cena da mocinha, chata, muito chata
Fotos: Divulgação
Diário OnLine
Cláudio Alcântara

Os primeiros capítulos podem enganar. Aconteceu com “América”, que parecia uma boa novela e se transformou numa “eca”. Mas vamos dar um crédito para Miguel Falabella e a sua “A Lua Me Disse”. A estréia registrou apenas 30 ponto de média, o mesmo fiasco da antecessora “Começar de Novo” (ruim demais da conta). Nem Marília Pêra e Eva Wilma (as duas se repetindo em cena) conseguiram levantar a coisa, que já foi tarde. Deus a tenha. A substituta foi na contramão, uma novela pra lá de agitada, elenco devidamente “over” em tudo e uma história lotada de clichês. Esse exagero todo rendeu bons capítulos iniciais. Vale citar que o folhetim é uma parceria do loiro com Maria Carmen Barbosa. Os dois resolveram deixar a mocinha, Adriana Esteves, meio de lado e focar todas as atenções na vilã, interpretada por uma ótima Zezé Polessa.

É uma novela de visual atraente, tudo muito brega, cores fortes nos cenários, figurinos e iluminação. As personagens também são caricaturas. Sem problema, se os autores criarem situações para sustentar a curiosidade do público. A vilã é show, entrou em cena seqüestrando o filho da heroína, até agora uma chata Adriana Esteves. A mocinha foi até perseguida por rottweilers, que mais pareciam duas tartarugas. Aliás, o maior problema da novela até agora é a mocinha. Não tem força, o que faz com que a vilã se sobressaia. A cena em que Adriana vai buscar o filho seqüestrado na casa da bruaca não tem desculpa. Foi muito mal construída. Nenhuma mãe, por mais palerma que fosse, aceitaria ser botada para fora daquele jeito. Novela, coisas de novela...

A gente desculpa a direção de núcleo de Roberto Talma e a direção-geral de Rogério Gomes. Os autores dizem que estão escrevendo uma “neochanchada pop”. Mas precisa ter um pé na realidade, caso contrário, não funciona. Na verdade, o que Falabella e Maria Carmen querem é fazer uma comédia de costumes carioca, com cores fortes e atores com inclinação para a comédia. Comédia de costumes tá na moda, e os dois são mestres em reciclar velhas fórmulas. Daí dividiram a novela em dois núcleos principais: os banqueiros que moram em áreas nobres da cidade e administram o Banco Benate Bogari e os moradores do Beco da Baiúca, uma vila fictícia localizada no bairro de Jacarepaguá.

Não se pode confiar muito em autor de novela. Geralmente, exageram na proposta. Os de “A Lua Me Disse”, por exemplo, andaram dizendo que o folhetim é uma metáfora para a mulher. Eles contam que a novela é dedicada ao universo feminino, suas crises e choques com a modernidade. Heloísa, a personagem principal, é um modelo de mulher batalhadora que não perde o jogo de cintura com situações difíceis. Menos, Falabella. Por favor, menos. “A Lua” pode ser qualquer coisa, menos uma novela para ser levada a sério.

Heloísa (Adriana Esteves) é a protagonista. Mora no Beco da Baiúca, filha de Diva (Pepita Rodrigues, irreconhecível) e Alberto (Otávio Augusto), a mocinha se envolve com Ricardo Bogari (Frank Borges), filho de Ester Bogari (Zezé Polessa, maravilhosa), uma das sócias milionárias do banco Benate Bogari, que não admite o namoro. Heloísa engravida, e logo depois Ricardo morre. Aí começa a disputa da avó pela guarda de seu neto, Artur (Guilherme Vieira), sem ao menos imaginar que seu outro filho, Gustavo (Wagner Moura, finalmente num papel diferente), também é apaixonado por Heloísa.

O tempo passa e Heloísa se estabelece como administradora das lojas de Ademilde (Arlete Salles, outra que está dando banho), a dona de O Frango Com Tudo Dentro, uma espécie de shopping center da periferia que vende absolutamente tudo. Enquanto isso, a banqueira Regina Benate (Maitê Proença, muito estranha em cena), sabendo que tem pouco tempo de vida, corre para deixar todos os seus bens em testamento para assegurar que sua filha de apenas 15 anos, Branca (Monique Alfradique), receba tudo a que tem direito. Por causa de uma antiga amizade, acaba nomeando Heloísa tutora de Branca. E por aí vai...

Se Adriana Esteves acertar o tom e os autores distribuírem melhor o texto, pode dar certo. Só resta torcer. A favor, é claro.

claudioalcantara@pop.com.br

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