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Olho Vivo Musical que vai além da diversão
‘Inonsense, o Retorno’ é um trabalho muito bem cuidado e que discute temas atuais; merece temporada maior Divulgação

Cláudio Alcântara
O teatro está vivo em Volta Redonda. Depois de ficar parado uns tempos (a única que agita o cenário é Stael de Oliveira, mas como teve bebê há pouco tempo...), quem não abre mão de um bom espetáculo teatral pôde se divertir semana passada, no Gacemss, com a opereta “Inonsense, o Retorno”. Resultado de um projeto diferente na Cidade do Aço, é muito divertida. Mais que isso: está muito bem cuidada, muito bem acabada, e discute temas atuais. Tem defeitinhos? Tem, sim. O que mais chama a atenção é o texto. Não que seja fraco, no sentido de não ter conteúdo, mas precisa ser revisado por um profissional da área. Há erros de concordância em falas. E não são erros pertinentes à personagem, ou seja, eles estão na boca de quem deveria falar o português corretamente. Já que a idéia é tão legal (trabalhar a parte técnica, dar suporte às ferramentas artísticas), não custaria nada envolver um profissional, um revisor, na empreitada. Mas isso é só um detalhe. “Inonsense” cumpre perfeitamente sua proposta: faz rir, e muito. Também faz pensar. O que não é pouca coisa.
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Os méritos do espetáculo são maiores, se levarmos em consideração que se trata de um musical. Adoro musicais, no cinema ou no teatro. Aliás, quem não viu a nova versão de “O Fantasma da Ópera”, não sabe o que está perdendo. Maravilhoso. O filme está em cartaz no Cine 9 de Abril, em Volta Redonda. É quase tão bom quanto “Evita”, “Chicago” e “Moulin Rouge”. Mas estava falando de “Inonsense”... Os artistas cantam e dançam ao vivo, coisa rara por aqui. Ninguém ali está dublando, e todos se saem muito bem. Amanda Gomes, Cinthia Daniel, Clayton Moore (ótimo), Melissa Lima, Mônica Köhler e Lesliane Assis.
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A direção é de Cínthia Mendonça, que se sai muito bem também. Quer uma dica? Os números de platéia precisam ser revistos. Foram criados sem levar em conta que o Gacemss tem dois pavimentos. Quem fica na parte de cima não vê absolutamente nada do que está acontecendo, o que é muito chato. Outra coisinha: o texto pode ser enxugado 15, 20 minutos. O ritmo vai indo muito bem, mas chega uma hora que fica meio repetitivo e aí cansa. Essas coisinhas podem ser ajeitadas com o tempo. Não tiram as qualidades da peça.
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“Inonsense” leva a marca Companhia de Teatro Pancadas (antigo Pancada de Moliére Não Dói). Faz uma reflexão da atualidade, mas com muito humor. O grupo esteve na cidade, com o espetáculo “O Grande e o Gordo” (Dom Quixote), por causa de um projeto que tem com o Gacemss e a prefeitura de colocar uma equipe técnica do Rio de Janeiro para qualificar a criação teatral em Volta Redonda. Como projeto piloto desta tentativa, nasceu a opereta “Inonsense, o Retorno”. Utilizando como base o modelo de argumentação proposto por Dan Goggin, no texto teatral “As Noviças Rebeldes”, “Inonsense” conclui o estudo dos aspectos sociais e políticos da religião iniciado pela Pancadas há três anos.
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O processo de criação das personagens foi baseado no potencial de improvisação dos atores, supervisionado por profissionais e estudantes da UFF (Universidade Federal Fluminense), Uni-Rio (Universidade do Rio de Janeiro) e da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro. A equipe técnica é toda composta por estudantes e profissionais que estão em contato direto com as tendências do teatro contemporâneo e estudos artísticos atuais. Eles supervisionaram e auxiliaram o processo de criação e execução do trabalho dos atores da cidade. Dito assim, parece muito burocrático. Não é.
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Coloca em cena as freiras da Ordem das “Madalenitas Descalças”. Pretexto para discutir religião, política e sexo, entre outras coisas. Destaque para a Madre Superiora, interpretada com talento acima da média por Clayton Moore.
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“Inonsense” é o tipo do espetáculo que merece ficar mais tempo em cartaz. |
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