Cidade Negra em prol do CVV
Banda faz show quarta-feira, no Clube Comercial, em benefício do Centro de Valorização da Vida de Volta Redonda Divulgação
 Atípico: Show será na quarta-feira e deve terminar por volta de meia-noite; banda não cobrou cachê Cláudio Alcântara
Os números: média de atendimento no posto do CVV (Centro de Valorização da Vida) em Volta Redonda é de 250 por mês, trabalho feito por 45 voluntários; existe desde 1962 e conta com mais de 2,4 mil voluntários, em 45 postos, que atendem em todo o Brasil; para ser ouvido, esteja onde estiver, basta telefonar; quem procura o CVV tem assegurado o sigilo e a privacidade; os postos oferecem ajuda gratuitamente 24 horas por dia, todos os dias. A banda Cidade Negra abraçou a causa e faz show quarta-feira, a partir de 20 horas, no Clube Comercial, em benefício do CVV-VR. Todo o dinheiro arrecado será para a compra (ou construção) da sede própria do CVV em Volta Redonda.
A voluntária plantonista Zenaide Rocha, da Comissão de Divulgação do CVV, conta como surgiu a idéia do show. “Não temos uma sede própria, daí tive a idéia de fazer um evento grandioso para conseguir. Os músicos do Cidade Negra abriram mão do cachê e o show acontece quarta-feira”, diz. É bom frisar que a apresentação será cedo, e deve terminar por volta de meia-noite. Antes do show, haverá desfile de “lingerie”. A expectativa é de que com o show se consiga arrecadar cerca de R$ 50 mil.
O CVV é uma associação filantrópica sem fins políticos, religiosos ou financeiros e tem como principal objetivo apoiar, gratuitamente, todos que sentem angústia, solidão ou desespero e querem ajuda. O atendimento pode ser por telefone ou pessoal, no posto, com absoluto sigilo e privacidade.
O CVV é uma entidade fundada por Chad Varah. Um grupo de pessoas, profissionais e voluntários, que se formou a partir da Segunda Guerra Mundial com a finalidade de prevenir o suicídio. “Colocaram-se à disposição dos desesperados com o objetivo de aliviar o sofrimento e despertar-lhes o valor da vida”, conta Zenaide. E a partir de que momento pode-se dizer que começou o trabalho de prevenção do suicídio? “Quando o ser humano se coloca em disponibilidade para ouvir com compaixão o desabafo das angústias do outro”, comenta.
Atualmente, quando alguém telefona para o CVV, paga os pulsos da ligação. Mas já está em andamento um processo que poderá tornar as ligações gratuitas.
Existe um programa de seleção para quem deseja ser voluntário, é o PSCV (Programa de Seleção e Capacitação de Voluntários). Zenaide passou por todas as etapas até se sentir preparada para fazer os atendimentos. Já conversou com pessoas angustiadas, que sofrem preconceito, ansiedade, solidão ou que sofreram algum tipo de perda. Mas a depressão é o maior problema.
- É muito difícil, mas extremamente gratificante. Passamos por reciclagens para estarmos sempre aptos aos atendimentos.
A mantenedora do CVV é a Amifrater (Amigos Fraternos) de Volta Redonda, que responde juridicamente pelo Centro de Valorização da Vida. O CVV encontra-se na categoria de serviço voluntário humanitário, porque é uma entidade arreligiosa e apartidária. “De portas abertas para o atendimento de qualquer pessoa, sem discriminação de qualquer espécie”, ressalta.
SUICÍDIO - O suicídio não é uma propensão hereditária. Oito entre dez suicidas demonstram, direta ou indiretamente, suas intenções antes de cometer o ato. Apenas 10% das pessoas que se matam são doentes mentais. Considerar que a pessoa que se mata está decidida a morrer é um equívoco. Antes, em seu interior, trava-se uma intensa, longa, indecisa e dolorosa luta entre viver ou morrer. O ato suicida é praticado sem distinção de sexo, idade, condição social, econômica, cultural ou intelectual. O pensamento suicida pode ocorrer a qualquer pessoa. Superada esta fase, a idéia de se matar, como solução, vai desaparecendo.
Por isso, a importância do voluntário. Para Zenaide, a essência do trabalho é estar envolvido com intimidades: “É buscar em si o desprendimento para se fazer testemunha solidária do que de mais íntimo as pessoas trazem. Apenas ser imagem refletida de alguém que o procura. É dar o melhor de si, sem querer ser o melhor”.
Assim seja.
Como ser um voluntário do CVV
Para ser voluntário é preciso ter mais de 18 anos, mas o fundamental, segundo a voluntária plantonista Zenaide Rocha, da Comissão de Divulgação do CVV-VR (Centro de Valorização da Vida de Volta Redonda), é acreditar na capacidade das pessoas e no valor positivo da vida.
- Os voluntários têm que estar dispostos a ajudar outras pessoas em momentos de crise e solidão - diz.
São selecionados por suas aptidões normais para o trabalho, participando do PSV (Programa de Seleção de Voluntários), um curso teórico e prático, oferecido gratuitamente por um dos postos CVV. (CA)
Serviço
• Cidade Negra - A banda faz show quarta-feira, a partir de 20 horas, no Clube Comercial, em benefício do CVV-VR (Centro de Valorização da Vida de Volta Redonda). Os ingressos (venda antecipada) custam R$ 10,00. Na hora, serão vendidos por R$ 15,00. Informações: (24) 3347-1250. |