|
Preso em VR suspeito de ter ligação com rede internacional de pedofilia
Engenheiro seria dono de um dos maiores arquivos de pedofilia do mundo; ele teria abusado de pelo menos 20 crianças; duas já foram identificadas
Dicler Simões
 Mais arquivos: Anderson também seria dono de material de pedofilia apreendido pela PF em Resende
Dicler Simões
 Gravadas: Anderson aparece em cenas de filmagens fazendo sexo com crianças Dicler Simões Volta Redonda
A Polícia Federal (PF) prendeu ontem o engenheiro e professor de artes marciais Anderson Luiz Juliano Costa Borges, de 33 anos, supostamente dono do maior arquivo de pedofilia do Brasil e um dos maiores do mundo. A ação policial foi a primeira da operação “Anjo da Guarda”, contra a pedofilia, que a PF deflagrou ontem em cumprimento a 21 mandados de busca e apreensão, em nove estados do país. Anderson foi preso às 6 horas, na casa em que morava, no Jardim Belvedere, bairro de classe média alta da cidade. O acusado teria produzido fotos e filmes pornográficos com pelo menos 20 crianças, duas delas já identificadas pela PF. Uma outra equipe apreendeu arquivos de pedofilia numa casa no bairro Liberdade, em Resende, que também seriam do engenheiro. A polícia acredita que a casa, que estava vazia, era usada para aliciar as crianças.
À noite, quando prestava depoimento na Superintendência da Polícia Federal, no Rio, Anderson caiu em contradição, quando lhe foram mostradas algumas fotos de crianças nuas mostrando as partes íntimas. Segundo o acusado, tratava-se de montagens feitas por ele, com imagens de menores que não estavam nus. No entanto, o material tinha sido antes periciado e comprovado que não havia montagem nas fotos. Hoje, uma equipe de policiais federais virá a Volta Redonda para ouvir os pais de alguns menores identificados pelo engenheiro durante o depoimento, e que aparecem nas imagens sofrendo abuso sexual.
Segundo informações da PF, as investigações sobre as atividades de Anderson foram iniciadas em dezembro do ano passado, com a apreensão na casa dele de dois computadores, 166 CDs, com cerca de 280 mil fotos de crianças nuas - entre 8 e 14 anos - e pênis infantis de borracha. Segundo policiais, há cenas em que o engenheiro apareceria fazendo sexo com as crianças, em ambientes internos e numa piscina. No material distribuído na internet, mostrando menores, aparecem inclusive bebês. O arquivo de pedofilia poderá ultrapassar um milhão de imagens, depois de que os técnicos do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, revelarem quadro a quadro os filmes apreendidos, e conseguirem decifrar as senhas que protegem os arquivos de um dos computadores.
A descoberta do suspeito de pedofilia só foi possível depois que as autoridades policiais espanholas captaram na internet, em dezembro, uma foto dele com uma criança, onde aparecia o nome de Volta Redonda ao fundo. Os agentes alertaram a Superintendência da Polícia Federal, no Rio. Em poucas horas, policiais da Delegacia de Polícia Federal de Volta Redonda localizaram Anderson. Desde então, o material recolhido na casa dele vinha sendo periciado, até que uma das varas federais expedisse o mandado de prisão, cumprido ontem. O engenheiro não resistiu à prisão nem deu declarações à polícia.
Quebra de sigilo
Para conseguir ligar Anderson à rede internacional de pedofilia, os policiais federais conseguiram a quebra do sigilo dos provedores usados por ele para enviar e receber as imagens pornográficas. Descobriram que ele tem um site hospedado em um provedor do Leste Europeu.
Costa, solteiro, formado em Engenharia pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e filho da classe média de Volta Redonda, foi preso em flagrante, com mandado da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Pode ser condenado a até 10 anos de prisão por cada criança molestada.
Por ter curso superior, Costa foi levado para uma cela especial na Polinter (Polícia Interestadual), onde cumprirá os 30 dias de prisão preventiva.
Roberto Maia, titular da Delegacia de Defesa Institucional (Delinst) da PF do Rio, afirmou que há 13 inquéritos envolvendo pedófilos no Estado.
“É o maior número de inquéritos desse tipo do país. Nossa maior dificuldade é que essas pessoas enviam o material pela internet usando provedores do Leste europeu ou do Oriente Médio”, disse Maia.
Rio Grande do Sul
Em ação que faz parte da mesma operação, a Polícia Federal do Rio Grande do Sul apreendeu CDs, disquetes e um computador em Passo Fundo (304 km de Porto Alegre). O proprietário do material não foi preso nem teve seu nome revelado pela polícia.
O material vai passar por perícia, que apontará se o seu dono tem alguma participação na distribuição via internet de material pornográfico envolvendo menores de idade.
Imagens com crianças eram transmitidas pela internet
Num dos três quartos da casa onde Anderson morava com os pais e os irmãos, os policiais recolheram ontem fantasias infantis de super-heróis e até uma réplica de espada. O material aparece em várias fotos de crianças. O delegado Ronaldo Menezes, da Delegacia de Defesa Institucional da Superintendência da PF, encarregado da operação “Anjo da Guarda” no estado do Rio, evitou dar detalhes sobre as imagens, já que o processo está sob segredo de Justiça. O delegado, porém, disse que o suspeito apareceria em algumas cenas, fazendo sexo com crianças, ativa e passivamente.
- Ele está sendo preso por pedofilia e atentado violento ao pudor. Ele aparece em mais de 20 imagens, abusando de crianças. São imagens muito fortes. Há fotos de crianças nuas expondo os órgãos genitais, fazendo poses comuns em artes marciais. Ele não só transmitia fotos pela internet, como fazia produção de fotos e clipes. Não tenho conhecimento de um arquivo tão grande. Pode ser o maior do país e um dos maiores do mundo. Só conheço um de um pedófilo espanhol, que tinha 360 mil fotos. Só num computador encontramos 50 mil fotos de crianças. Quando revelarmos quadro a quadro dos filmes apreendidos, o arquivo de Anderson deverá passar de um milhão de imagens - disse Ronaldo Menezes.
O delegado tem 30 dias para concluir o inquérito, com direito de prorrogá-lo por mais 30 dias, antes de remeter o documento com a denúncia ao Ministério Público (MP). Cada criança que aparece nas fotos e nos filmes é um crime. E para cada um representa uma pena de seis a dez anos de prisão. Ronaldo Menezes apelou aos pais das crianças para que compareçam à Delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda, onde poderão reconhecer as fotos dos filhos, procedimento necessário para incriminar o suspeito.
Os próximos passos das investigações são apurar se o engenheiro está ligado a uma rede de pedofilia no país e no exterior.
- Quanto à rede de pedofilia do exterior já sabemos que ele pertence, pelas fotos colhidas pela polícia espanhola. Estamos tendo muita cautela neste tipo de crime, para que não se cometa injustiça. Mas, neste caso, ocorreram atos libidinosos, onde existe a presunção de abuso sexual - explicou. (DS)
Academia demitiu o professor em dezembro
Quando o caso foi revelado em dezembro, o dono da academia, José João Sales, afastou Anderson do quadro de professores. O suspeito dava aulas de artes marciais para um grupo de 20 alunos, a maioria crianças. Ele costumava organizar excursões em Angra dos Reis com os alunos.
- Ele é meu vizinho e, ao saber do problema, reuni os pais das crianças e disse que o afastaria. Anderson aceitou a demissão tranqüilamente, e disse que o caso não ia resultar em nada. Ele era um professor competente e dedicado. Dificilmente dá para acreditar que ele fosse ligado à pedofilia - disse o dono da academia.
Ele estava trabalhara na academia por um ano e não provocava suspeita, segundo o dono da academia. Depois de permanecer durante uma hora na Delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda, os policiais levaram Anderson para depor na Superintendência da Polícia Federal, no Rio.
Os país e irmãos do engenheiro se mostraram hostis e não quiseram dar declarações aos jornalistas. Tão logo o suspeito de pedofilia foi levado pelos policiais, a família fechou a casa, e teria viajado para fora da cidade, segundo vizinhos. (DS)
|