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A expressão pessoal sintetizada em cerâmica

‘Desutilitários’ reúne peças criadas pelos alunos do 4º período
de Artes Visuais, na Galeria de Arte UBM (Unidade Cicuta)
Divulgação
Diário OnLine
Na prática: Proposta foi realizada com fôrmas
de gesso (de objetos utilitários), subvertendo-lhe a função
Cláudio Alcântara

A professora Ana Giffoni cita Beethoven ao comentar a exposição “Desutilitários”: “Não há técnica que não possa ser superada em benefício da expressão”. A mostra reúne peças de cerâmica criadas pelos alunos do 4º período de Artes Visuais - Unidade Cicuta e Campus Barra Mansa, na Galeria de Arte UBM (Unidade Cicuta). Os trabalhos podem ser vistos até quinta-feira.
- A proposta foi realizada com fôrmas de gesso (de objetos utilitários), método essencialmente artesanal, neste caso, subvertendo-lhe a função e inserindo os objetos daí resultantes em um contexto expressivo: nascem assim os “desutilitários” - explica Ana.
Isso significa que são peças que expressam síntese pessoal dos alunos do 4º período 2004, do curso de Artes Visuais, na disciplina Cerâmica II, e dialogam com a obra de dois criadores brasileiros contemporâneos: Celeida Tostes e Francisco Brennand.
Relacionam produção-ideação focando principalmente a poética visual dos significados/sentidos implícitos no trabalho de cada um dos artistas. Celeida (1929-1995) desenvolveu sua obra numa área de interseção entre a escultura contemporânea, a antropologia e a educação. Navegou no universo da cerâmica (tão comumente associado ao artesanato), relacionando-o às questões da arte contemporânea.
- Não se prendendo a técnicas desenvolvidas por ceramistas, interessou-se pelos diferentes estágios físicos da matéria que explorava (o líquido, o sólido e o cozido), o que a levou a utilizá-la de forma inteiramente experimental. Expressou temas como o refúgio, o abrigo, a fertilidade, a feminilidade e a coletividade - explica a professora.
Já Brennand (1927) prefere se autodenominar como pintor e “modelador”. Tem, na verdade, sua força expressiva no vasto universo da “escultura modelada”, na cerâmica de grande porte que ele utiliza para plasmar a sua visão de mundo. “Seu trabalho se nutre das questões fundamentais da consciência humana, fontes históricas e mitológicas, sexualidade, figuras masculinas e femininas, hibridismos fálicos, grandes cabeças degoladas e trágicas”, diz.

TRANSGRESSÃO - Transgredir a funcionalidade. Parece ser esta a intenção da mostra. Ana tem uma forma diferente de definir os trabalhos: “Os ‘desutilitários’ conservam, real ou metaforicamente, as impressões digitais de quem os fez. Aqui a sensibilidade pessoal e a fantasia desviam os objetos de sua função e interrompem seu significado: já não são recipientes que servem para conter alimentos ou adornar a casa. Passam pelos sentidos mas não se detêm neles. Desvio e interrupção que ligam o objeto a outra região da sensibilidade: a imaginação”.
A produção de peças cerâmicas é uma das atividades mais antigas. Nasceu com os pré-históricos, no momento em que descobrem o fogo e passam a cozinhar seus alimentos. Surgida como objeto utilitário, a cerâmica percorreu um longo caminho até ser adotada por muitos artistas como meio de expressão, que aprimoraram os seus recursos técnicos e desenvolveram a sua dimensão simbólica, fugindo dos modelos preestabelecidos e das soluções fáceis.

Aprendendo a crescer com arte

A arte como forma de desenvolvimento do ser humano. O projeto “Crescendo Com Arte” é assim. Acontece toda quinta-feira, de 14 às 17 horas, no UBM (Centro Universitário de Barra Mansa), Unidade Cicuta. Trata-se de um projeto comunitário, cujo público-alvo são estudantes das escolas municipais e estaduais de Volta Redonda. Vai até novembro de 2005. A promoção é do Curso de Artes Visuais - Licenciatura.
- O projeto, criado pelo curso de Artes Visuais, tem como objetivo atrair alunos do ensino fundamental e médio para o convívio ou contato com a arte, através das apresentações teatrais sob a direção do professor Almir Ribeiro e executadas pelos alunos do curso, estendendo-se em oficinas monitoradas em sala de aula vinculadas à produção da Galeria de Arte UBM (Unidade Cicuta) - explica Silvio Machado, da coordenação.
O projeto conta com o apoio da Pró-Reitoria Comunitária. As inscrições das escolas interessadas em participar do projeto devem ser feitas por meio da Pró-Reitoria Comunitária da Unidade Cicuta. Telefone: (24) 2102-0262.

Serviço

Desutilitários - Peças de cerâmicas. Trabalhos dos alunos do 4º período de Artes Visuais - Unidade Cicuta e Campus Barra Mansa. Orientação: professora Anna Giffoni. A exposição pode ser vista até quinta-feira, na Galeria de Arte UBM (Unidade Cicuta), de 8 às 22 horas. Hoje não abre para visitação. Apoio: NDC (Núcleo de Difusão Cultural, UBM - Centro Universitário de Barra Mansa).

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