Olho Vivo Madonna reina no ‘Live 8’
Prestes a completar 47 anos, cantora foi o destaque no maior concerto de pop rock de todos os tempos, em Londres Fotos: Divulgação

Vinte anos atrás ela estava lá. Meio gordinha, de cabelos escuros e usando uma roupa de gosto duvidoso. Mesmo assim, já deixava claro que tinha domínio sobre sua arte. Do “Live Aid” para o “Live 8”, muita coisa mudou. Prestes a completar 47 anos, loira e com um corpinho de fazer inveja àquela garota de 1985, Madonna reinou absoluta no maior concerto de pop rock de todos os tempos. Dezenas de artistas, alguns feras, outros nem tanto assim, e muitos que nem deveriam estar lá, fizeram de tudo para abocanhar 15 minutos de fama. De nada adiantou. Talvez, a volta de Pink Floyd tocando ao vivo fosse o momento mais esperado, se Madge não passasse feito um rolo compressor pelo Hyde Park, em Londres. Não sobrou pra ninguém. A rainha do pop comandou mais de 200 mil pessoas, numa performance histórica, tal e qual Freddy Mercury, em 85. Assim como 20 anos depois, todos se lembram do vocalista do Queen, no “Live Aid”, daqui a 30 ou 40 anos a imagem será de Madonna cantando “Music”, acompanhada por um mar de palmas.
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E desta vez não foram só os fãs que ficaram de boca aberta. Não costumo reproduzir textos, mas vou abrir uma exceção. Veja o que a mídia andou falando sobre a apresentação: “Madonna lidera a revolução” (NME); “A rainha do pop fez 200 mil pessoas delirarem ao som de seus clássicos” (Sound Generator); “Não é à toa que ela é a rainha do pop. Quando Madonna subiu ao palco, não se podia negar: Ela foi a estrela do show”; (The Sunday Mirror); “Freddy Mercury e suas coreografias com a platéia são a cara do ‘Live Aid’. Madonna fazendo todos dançar sua ‘Music’ será para sempre lembrada no ‘Live 8’” (Female First).
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Pela primeira vez, os críticos não malharam a diva, como você pode conferir: “No primeiro ‘Live Aid’ na Filadélfia Madonna usava um conjunto estranho, cabelo castanho e soava um pouco crua. No ‘Live 8’ ela estava absolutamente vibrante. Madonna foi a grande estrela do show em um momento memorável” (CNN); “Madonna foi o grande destaque do show” (The New York Post); “A voz de Madonna nunca soou tão boa. A performance dela foi fabulosa” (George Michael); “Ela nunca esteve tão bem. Seu rosto está fresco e brilhante. Seu corpo mais em forma do que nunca. Sua voz está rica, poderosa e perfeita. Fazendo tudo isso, Madonna está desafiando a lógica” (FoxNews); “A vibrante Madonna foi o destaque do show. Um momento memorável” (CNN).
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A verdade é que houve um tempo em que era sinônimo de “inteligência” e “bom gosto” falar mal de Madonna. Hoje em dia, as coisas mudaram. Enquanto divas como Whitney Houston perdem a voz, Madge está em plena forma vocal. Basta ouvir o agudo poderoso que ela soltou em “Ray of Light” para não der dúvida disso. Madonna é assim. Diziam que ela não tinha boa voz. Ela estudou canto e hoje é uma das melhores cantoras. Diziam que ela fazia sucesso porque tirava a roupa. O máximo que ela mostra hoje em dia são os braços torneados e a barriguinha zerada. Diziam que ela chocava o mundo com sexo e perversão. Hoje ela choca o mundo com suas posições políticas. Diziam que uma artista assim não duraria dois anos. Madonna faz sucesso há mais de duas décadas. Alguém vai arrumar uma forma de falar mal dela, e ela vai conseguir um jeito de se superar.
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Voltando ao “Live 8”... O show misturou mensagens políticas, dirigidas aos líderes do G8 (as sete nações mais industrializadas do mundo - Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido - e a Rússia), com músicas que já se tornaram clássicos. Passaram pelo mesmo palco Elton John, REM e U2. O evento pede que o G8 dê mais atenção e ajude a diminuir a pobreza na África. Além do show no Hyde Park londrino, aconteceram espetáculos em outras cidades: Paris, Roma, Berlim, Moscou, Joanesburgo, Tóquio, Filadélfia e Toronto. No Brasil? Nada. Vi tudo pela MTV.
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Birhan Wold, uma jovem etíope que sobreviveu graças à ajuda financeira proporcionada pelo “Live Aid” emocionou Madonna, que entrou no palco e cantou a primira música de mãos dadas com ela, “Like a Prayer”, com direito a coral. Depois arrebentou em “Ray of Light”. E veio o final apoteótico, com “Music”, dançarinos e tudo o que Madonna tem direito.
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Depois disso tudo, as vendas de seu CD mais famoso, “Imamaculate Collection”, aumentaram 200%. Nada mal.
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O organizador do “Live 8” foi Bob Geldof.
• Cláudio Alcântara claudioalcantara@pop.com.br |