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Extorsão por telefone deixa
população da região assustada


Polícia orienta vítimas a não ceder às ameaças
e registrar queixa nas delegacias

Felipe Vieira
Diário OnLine
Terror: Pressão psicológica, com falsas ameaças
a parentes, é a arma dos bandidos

Sidcley Porto
Sul Fluminense


O crime de extorsão pelo telefone está deixando a população das cidades do Sul Fluminense cada vez mais assustada. E o aumento do número de ocorrências na região vem chamando a atenção das autoridades policiais, que designaram inspetores para rastrear telefones anotados por algumas vítimas.
Para extorquir as vítimas, os bandidos utilizam várias modalidades de golpes, como falsos seqüestros, agressões e envolvimento de familiares com tráfico de drogas, por exemplo. A orientação da polícia é que as vítimas não cedam às exigências de quem está do outro lado da linha.
De acordo com o comandante do 2º Comando de Policiamento do Interior (2º CPI), coronel Ricardo da Silveira Furtado, responsável pelos batalhões da Polícia Militar na região, este crime começou a ser praticado no Sul Fluminense há pelo menos quatro anos. Antes, as ameaças eram direcionadas apenas a comerciantes e empresários. No entanto, recentemente, essas ligações passaram a ser dirigidas a pessoas comuns. A tática dos bandidos é utilizar o terror psicológico para extorquir dinheiro. “Normalmente eles usam a fragilidade e o medo da população em relação à violência para conseguir tirar dinheiro das vítimas”, disse o comandante.
A polícia acredita que o combate a outros crimes, principalmente ao tráfico de drogas, tem feito com que os bandidos diversifiquem suas atividades ilícitas. Enfraquecidas financeiramente, as quadrilhas se vêem obrigadas a encontrar formas de “fazer caixa”, e uma delas é a prática da extorsão. “A polícia está trabalhando no combate ao crime e prendendo os bandidos. Quando ficam acuados, eles acabam migrando para outros crimes”, salientou Furtado.

Falsas ameaças

O medo chega às residências por meio de telefonemas a cobrar. A partir daí, os bandidos utilizam variados argumentos para extorquir a vítima. No início da conversa, normalmente, é feita referência a algum parente. Temerosa, a pessoa que atende a ligação não se dá conta de que está sendo chantageada e começa a ceder às pressões.
Para que o golpista não obtenha sucesso, o coronel Furtado faz um alerta para que as vítimas não cedam às ameaças, porque elas nunca se concretizam. “Quando acontecer uma ligação dessa natureza, desligue o telefone. Não se pode ceder às ameaças, caso contrário, eles poderão continuar a pedir dinheiro. E, sempre que isso acontecer, o fato deve ser comunicado à polícia”, afirmou.
Segundo o delegado titular da 93ª DP (Volta Redonda), Rodrigo Santoro, as ligações telefônicas partem de detentos que estão em penitenciárias ou casas de custódia, através de aparelhos celulares pré-pagos. “Com uma lista telefônica, eles (presos) ligam e fazem as extorsões mediante ameaças”, declarou. Em muitos casos, porém, a coincidência de informações revela que pode ser alguém conhecido que passa as características do “seqüestrado” e de sua família aos bandidos.


Vítimas relatam os momentos de tensão

Para tentar atrair suas vítimas, os bandidos utilizam diversas modalidades de golpe. Os mais comuns são seqüestro, agressão ou acidente envolvendo algum membro da família da vítima ou cobrança de dívida ligada ao tráfico de drogas. Apesar de serem vítimas desse tipo de crime, muitas pessoas preferem não registrar queixa na delegacia.
Um dos casos mais recentes foi registrado há uma semana. Uma professora de Volta Redonda chegou a comprar R$ 1 mil em cartões telefônicos de várias operadoras de celular, após receber um telefonema anônimo, informando que o filho dela estaria em poder de marginais. Nervosa, ela disse que não era para fazer nenhum mal ao seu filho, porque iria atender a exigência feita.
“Antes disso, tentei entrar em contado com meu filho, mas o celular estava fora de área de cobertura e ele também não estava na casa da namorada. Por isso, comprei os cartões e tive que fazer a ligação (passar os códigos) de um orelhão a pedido dos elementos (marginais). Após fazer isso, meu filho chegou em casa, foi que percebi que havia sido extorquida”, contou.

Susto

Um outro caso aconteceu em Barra do Piraí. Um metalúrgico, de 25 anos, contou que sua esposa recebeu uma ligação informando sobre um suposto acidente de carro envolvendo o irmão dela. Os bandidos exigiam dinheiro para socorrê-lo. “Minha esposa está grávida e ficou muito nervosa. Peguei o telefone e, paralelamente à minha conversava com o homem, meus parentes procuravam informações do meu cunhado. As descrições físicas que os bandidos davam sobre ele batiam, mas, enquanto eu falava, minha família conseguiu fazer contato com o meu cunhado. Felizmente, verificamos que se tratava de um golpe”, disse, aliviado.
Em outra tentativa de golpe, no início do mês, também em Barra do Piraí, um comerciante recebeu uma ligação por volta das 21 horas. Do outro lado da linha, um homem afirmava que a filha dele estava em poder de seqüestradores. Como a filha do comerciante, que é universitária, estava na faculdade, não foi possível fazer contato com ela.
“Fiquei super nervoso e chamei a polícia. O celular da minha filha estava desligado e aumentou a suspeita de que ela estivesse, realmente, em poder de alguém. A solução foi ir atrás dela. Graças a Deus, quando nos dirigíamos a Barra Mansa, onde minha filha estuda, encontramos com a van que ela viajava na estrada (Rodovia Lúcio Meira). O medo que passei eu não desejo para ninguém passar”, descreveu.

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