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BOGOTÁ

Nicolás Gómez, um engenheiro colombiano, vive um drama digno de Kafka e que o impede, por exemplo, de vender sua casa, porque seu nome figura há sete anos numa lista de pessoas seqüestradas elaborada pelo governo.Gómez, de 48 anos, ficou sabendo que está “legalmente seqüestrado” quando foi a um cartório da cidade de Manizales (380 km a oeste de Bogotá) para legalizar a venda de sua casa.A transação não pôde ser concluída porque o nome do engenheiro figura na lista, o que o impede de fazer qualquer negócio com seus bens “enquanto pessoa seqüestrada”.

Desesperado

Gómez entrou em contato com as autoridades para resolver o mal-entendido, mas o Fundo Nacional para a Defesa da Liberdade Pessoal (Fondelibertad) respondeu que ele não pode tirar o próprio nome da lista sem uma autorização dos grupos Gaula, um corpo da polícia, e do exército especializado na luta contra o seqüestro. “Fui ao Gaula e expliquei a situação, mas meu nome continua na lista”, contou o desesperado engenheiro.Uma lei aprovada pela presidência impede que as famílias dos seqüestrados negociem os bens do refém como uma forma de impedir o pagamento de resgates.A Colômbia chegou a ter no final dos anos 90 uma média de 3.000 seqüestros anuais, mas desde 2002 a cifra se reduziu para menos da metade. Em 2004 foram registrados 1.250 casos.

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