Aventura policial para a garotada no Gacemss

Contramão
Fugaz, banda de São Paulo, mostra fusão de influências interessantes

Antena Parabólica
JORGE GUILHERME

Vídeo
Jennifer Garner, a Alias da série de tevê, se esbalda como a assassina Elektra

Guia de Leitura
Jô Soares ataca novamente

Olho Vivo
O triste fim de Marcelo Rezende

DVD
Will Smith, o namoradinho da América

Programação
Horóscopo
Coluna Social

Visite o Diário em
tempo real
para ler
as últimas notícias

Olho Vivo
O triste fim de Marcelo Rezende

No fundo do poço, jornalista que marcou época na Globo tenta
dar a volta por cima em seu recente fiasco na tevê
Divulgação
Diário OnLine
São mais de 30 anos de atividade profissional. Se eu disser Marcelo Rezende, o que vem à sua mente? Aquele ótimo jornalista que já fez matérias envolvendo o tráfico de armas, corrupção no futebol, pirataria fonográfica... Mas todo mundo se lembra mesmo de duas delas: a entrevista com o “motoboy” Francisco de Assis, o ‘’Maníaco do Parque’’, para o “Fantástico”; e a reportagem que denunciou o abuso de autoridade policial numa blitz na Favela Naval, em Diadema, região do Grande ABC, para o “Jornal Nacional”. Pouca gente sabe, mas Rezende estava na Record. Coitado. O mercado é cruel mesmo. A emissora do bispo queria colocar Rezende como par de Ana Hickmann, num programa que iria ao ar de manhã. Gravaram pilotos, e tudo. Mas aí seria demais, e o jornalista jogou a toalha. Melhor assim.


Marcelo Rezende não gostou nadinha de ser reduzido a coadjuvante de modelo. Ele declarou na mídia: “Me contrataram para fazer jornalismo e agora decidiram me colocar para entrevistar bonecos, desfilar com cachorro e participar de quadro de culinária. Antes massacraram o ‘Cidade Alerta’, que dava picos de 20 pontos no Ibope. Nada disso estava no meu contrato”. Que coisa cruel. Tudo bem, o “Cidade Alerta” é um horror e, dizem, foi tirado do ar, de São Paulo, em junho, por pressões do governo. Mas em outros estados o policialesco continua. A Record, claro, diz que cobrará multa de rescisão de contrato.


Nessa história toda não me interessa quem tem razão. O que quero colocar em discussão é até que ponto um profissional pode se sujeitar por dinheiro. Sim, só isso justifica Marcelo Rezende ter trocado a todo-poderosa Globo pela modesta Rede TV! Isso nem sei quando. O jornalista não disse a que veio e o programa “Repórter Cidadão”, que ele estava cotado para apresentar ao lado do comentarista esportivo Jorge Kajuru, acabou não estreando. Quer dizer, estreou sim, mas sob o comando de José Luiz Datena. Foi um rolo danado e veio a notícia de que Rezende assumiria o comando do “Jornal da TV!”. Uma loucura.


Não tinha muito a ver com os outros telejornais de enfoque policialesco, tipo “Cidade Alerta” e “Brasil Urgente”. Todos horríveis. Confesso que não acompanhei a trajetória do jornalista, mas sei que matérias investigativas ele nunca mais fez. A decadência começou quando Rezende aceitou apresentar o “Linha Direta”. Foram dois anos à frente desse programa na Globo. O fundo do poço, depois de 16 anos de serviços prestados à emissora. Quando a Globo propôs a revisão do seu contrato ele preferiu assinar com a Rede TV! por quatro anos.


OK, Marcelo Rezende é um bom profissional. Se não fosse não teria conseguido suas duas maiores reportagens. Isso não tira dele a culpa de ter se metido em coisas ruins, como o “Linha Direta”, na minha opinião um dos piores produtos da tevê brasileira. O jornalista encarou o desafio, conquistou audiência, mas também perdeu prestígio. O “Linha” é um programa popularesco, feito sob medida para chocar o telespectador. Já foram exibidos temas bizarros que conseguiram altos índices de audiência. Mas será que valeu a pena? O fim de Marcelo Rezende nos dá a resposta.


O jornalista pagou um preço bem alto por sua escolha. Não só perdeu a audiência ao ir para a RedeTV!, como também perdeu a credibilidade ao assumir seu posto na Record. Prova disso é que agora acabaria num programinha feminino, ao lado de Ana Hickmann. Nada contra esses tipos de programas, está aí a Ana Maria Braga que nasceu para isso. E tem quem goste, embora o programinha da loira esteja perdendo para os desenhos do SBT. Mas tem seu público, sempre terá.


Resta torcer para que o caso de Marcelo Rezende não seja suicida. Ao sair da Record, pode ter assinado sua sentença de morte profissional. Ou renascido das cinzas. Torço pela segunda opção.

Cláudio Alcântara claudioalcantara@pop.com.br

Alto


© Empresa Jornalística Diário do Vale Ltda. Todos os direitos reservados