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Olho Vivo
Eliana apela em sua nova fase

Ex-apresentadora de programa infantil estréia ‘Tudo é Possível’;
tem até mulher tipo Feiticeira e quadros maliciosos
Divulgação
Diário OnLine
Cláudio Alcântara

Tudo começou com a canção dos “dedinhos”, certo? Engana-se quem acha que sim. Mas isso eu explico mais embaixo. O que interessa é que hoje tem o segundo “Tudo é Possível”, de 14h15min às 15h45min, na Record. Um programa para adultos apresentado por uma Eliana infantil. A apresentadora não cresceu, continua a mesma criança de sempre, depois de mais de um década se saindo bem com os “baixinhos”. Ooops! É isso mesmo, Eliana não passa de uma cópia da Xuxa, mas uma cópia que deu certo. Mudou uma coisinha aqui, outra acolá, pegou um formato explorado até dizer chega e fez sucesso no SBT. Graças ao Silvio Santos, que viu na moça o potencial necessário. Agora, ela volta sua artilharia para outro público: os crescidinhos. Começou mal. Mentindo. Disse tratar-se de um “programa família”, mas apelou para o manjado padrão boazuda-de-olho-na-capa-da-”Playboy”. O quadro cuja principal atração é “A Outra” não é para criança ver, como Eliana havia jurado, de pés juntos.

Sim, a loira da Record está de olho nos pais ou responsáveis pelas criancinhas. “Prova de Amor” é reciclagem de um velho jogo de perguntas e respostas. Lembro-me de tê-lo visto, há muitos anos, apresentado pelo SS. Um casal tenta demonstrar o quanto se conhece bem, adivinhando um a resposta do outro sobre temas íntimos. Qual a novidade? A baixaria de uma mulher seminua, que parece siliconada. A sensual personagem “A Outra” aplica punições quando a mulher não acerta a resposta do homem. A morena curvilínea e com roupa bem decotada faz, como direi, uma gracinha no parceiro da mulher. Coisas do tipo: esfregar-se no rapaz, beijar a orelha dele, o pescoço, dançar agarradinha, enfim. Não demora muito, a tal assistente de palco estará estampando a capa de alguma revista de mulher pelada. Mas tem também a versão masculina, o “Ricardão”. Um homem sarado, com barriga de tanquinho, que fará o mesmo com as mulheres. Programa família?

Não combina. Eliana tem cara de boazinha, de certinha, de mocinha de família. Apresentando este quadro no “Tudo é Possível” fica a sensação de que “pirou na batatinha”. Ela mal sabia como se comportar em cena. Um horror!

Aliás, o programa dá a impressão de que não sabe em quem quer acertar. Atira para todos os lados: competições, entrevistas, música e momentos de uma leve sacanagem. O quadro maior é o “Saindo Com a Sogra”, copiado da MTV americana. É mais ou menos assim: um rapaz tem de escolher uma entre três pretendentes, mas eles não se conhecem; o rapaz tem de basear sua escolha nas informações e pistas obtidas saindo com as mães delas. Entendeu? Parece loucura. E é. O rapaz paquera a mãe da menina com quem deseja namorar. E rola um clima. Fim do mundo.

No programa de estréia, a primeira sogra foi levada para passear de carruagem pelo Centro de São Paulo, vestida com roupas de época; a segunda fez um sobrevôo urbano de helicóptero; e a terceira foi com o rapaz a uma balada “country”. Todas se insinuaram para o pobre, que gostou muito do “corpão” de uma delas. Não é conservadorismo, mas pegou mal pacas...

As coisas melhoram no quadro “Avós do Brasil”, no qual pessoas da terceira idade exibem habilidades artísticas, e cuja atração foi uma senhora oriental de 79 anos, faixa preta de karatê. Este é inofensivo e igualmente bobo. Todo o programa é gravado, o que torna “Tudo é Possível” previsível. Não tem muitas chances contra o “Domingo Legal” nem contra o “Domingão do Faustão”.

Para enterrar de vez a estréia, teve a apresentação do cantor Latino, cantando com “playback”. Como o Latino foi o alvo da “Olho Vivo” da semana passada, não preciso nem comentar.

No final das contas, a gente tem a certeza de que não basta ser simpática e ter carinha de santa. É preciso muito mais que “dedinhos” para emplacar um programa legal. E nem sempre é possível mostrar talento.

Quanto ao início de carreira da Eliana? Foi num conjunto: As Patotinhas.

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