Termina retirada de quatro colônias da Cisjordânia
As-Nur, Cisjordânia
Israel completou ontem, em dia tenso que viu o fim da resistência na “Fortaleza de Sa-Nur”, a retirada dos colonos judeus de 4 dos 120 assentamentos na Cisjordânia, como parte da operação que começou com o esvaziamento de todos os 20 assentamentos da faixa de Gaza. No total, a operação durou nove dias e não teve feridos graves, contrariando previsões de um processo longo e violento.
Na maioria dos assentamentos, líderes dos colonos e rabinos fizeram acordos de não-agressão com as forças de desocupação. Ao todo, foram retiradas 15 mil judeus, entre eles 6.000 manifestantes que foram aos assentamentos para protestar contra o plano do premiê Ariel Sharon. Israel montou um Exército de desocupação de 15 mil soldados para lidar com civis, e o governo diz que a operação custou quase US$ 2 bilhões.
Segundo o Exército, a retirada completa dos equipamentos militares deverá ser concluída até o final de setembro. Os moradores ainda poderão voltar para os assentamentos nos próximos dias para recolher objetos. Os últimos assentamentos esvaziados foram Chomesh e Sa-Nur, no norte da Cisjordânia, a 15 km da cidade palestina de Jenin. O Exército temia violência nestes locais com jovens ultra-religiosos de orientação messiânica, que poderiam usar armas de fogo.
Em Chomesh, uma colona foi presa ao tentar esfaquear uma soldada. Ao menos 30 adolescentes foram retiradas de uma casa algemadas depois de atacarem soldadas. As forças de segurança foram recebidas com ovos, tinta e ketchup. Nas duas colônias esvaziadas ontem, 31 policiais e 11 civis ficaram feridos sem gravidade. Dezessete colonos foram presos.
Um conflito maior foi evitado por negociações, durante toda a madrugada e o dia de ontem. As forças de desocupação entraram em Sa-Nur de manhã, depois que uma escavadeira blindada derrubou o portão de ferro. Cerca de 6.000 soldados caminharam para dentro do assentamento, que fica no topo de um monte, e passaram a retirar as famílias.
A polícia enviou ao local carros de bombeiros, canhões de água e homens do batalhão de choque usando uniformes pretos, os mais temidos em toda a retirada. O número de soldados armados dentro do assentamento também era maior do que em outras retiradas. As famílias ofereceram pouca resistência, e 620 pessoas foram retiradas. Muitas usaram estrelas laranjas, lembrando o símbolo amarelo que os judeus eram obrigados a usar nas roupas pelos nazistas. |