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Missão brasileira descarta
má-fé britânica sobre Jean


Londres

Os representantes enviados pelo governo brasileiro ao Reino Unido para acompanhar as investigações sobre a morte do eletricista Jean Charles de Menezes afirmaram ontem que não há motivos para acreditar que a polícia britânica teria tentado esconder informações ou atrasar a investigação sobre o caso.
Eles negaram também que a viagem a Londres tenha sido motivada pelo vazamento de informações do relatório de investigação da Comissão Independente de Queixas sobre a Polícia (IPCC). “Ficamos perplexos com as informações divulgadas, mas não temos motivos para prejulgar o trabalho da polícia e não viemos para tentar interferir no trabalho da IPCC, mas apenas para entender o que está sendo feito”, afirmou Manoel Gomes Pereira, embaixador para comunidades brasileiras no exterior.
A IPCC afirmou que o relatório de investigação sobre a morte de Menezes será concluído em dezembro, mas só será divulgado após a Procuradoria britânica decidir se haverá processo criminal ou disciplinar. Até lá, a comissão afirmou em nota que não fornecerá detalhes da investigação. O prazo foi tido como apropriado por Harriet Wistrich, um dos advogados da família de Menezes.
A missão formada por Pereira, por Márcio Pereira Pinto Garcia, do Ministério da Justiça, e pelo subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves, esteve reunida anteontem com diretores da polícia britânica. “John Yates [vice-comissário-assistente] disse que uma hora após Jean ter sido morto na estação de Stockwell, a polícia enviou uma carta à IPCC. É o procedimento normal. Ele disse que a IPCC só assumiu a investigação 72 horas depois por causa das suspeitas da polícia”, afirmou Garcia.
O comissário da polícia, Ian Blair, participou de parte da reunião com os brasileiros, mas fez “apenas alguns comentários”. A reunião também tratou da compensação de 15 mil libras (cerca de R$ 75 mil) oferecida pela polícia à família de Menezes. “Ficou claro que o dinheiro não foi oferecido com intenção de interferir em um futuro processo e indenização”, afirmou Garcia.
Gonçalves disse que um dos principais objetivos da missão brasileira é entender como a IPCC trabalha. Segundo ele, a visita vinha sendo negociada desde o dia 25 de julho, quando o chanceler Celso Amorim esteve com seu colega britânico, Jack Straw.
“Houve um atraso na agenda e foi coincidência termos chegado agora”, afirmou o subprocurador-geral. “Acreditamos que eles estejam realizando um trabalho independente da polícia. E se for independente mesmo, o trabalho trará resultados”, acrescentou.

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