Olho Vivo Leoni deixa gostinho de quero mais
Cantor volta a se apresentar ainda este ano na Cidade do Aço; show, muito bom, no Porão teve casa lotada Divulgação/Night-VR

Fila. Uma fila que não acabava nunca. Casa lotada. Jovens, muitos jovens. Todo mundo cantando as músicas, sem errar a letra. Não, não estou falando de uma micareta. Nem de um baile funk (isola!). Refiro-me ao show do Leoni, na boate Porão, no Jardim Amália, em Volta Redonda. Já faz um tempinho que rolou, mas não posso deixar passar batido. E o comentário é oportuno, porque o cara volta ainda este ano à cidade. Então, quem não viu, vai ficar sabendo exatamente o que perdeu. Um show simples, sem grandes produções, e que se sustenta pelo carisma do artista. Leoni, o poeta pop, sabe conquistar o público. Faz isso com um bate-papo que parece informal. Não é, claro. Mas ele segue tão bem seu roteiro que a maioria cai nas mãos do cantor direitinho. O show do Leoni tem tudo o que os fãs querem, e tudo para o público que apenas curte músicas legais. OK, Leoni não é um letrista como Chico Buarque. Mas quem disse que só de obras-primas vive o bom gosto musical?
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O sucesso de Leoni não é só por causa de suas qualidades artísticas. Sim, ele tem qualidades, muitas. Mas seu mais recente CD, “Ao Vivo”, virou fenômeno de vendas depois que uma das faixas, “Por Que Não Eu?”, entrou para a trilha sonora da novela “A Lua Me Disse”. A canção faz parte do primeiro CD ao vivo do cantor e compositor, lançado pela Som Livre. É um dueto com Herbert Vianna, que também aparece no álbum em “Canção Pra Quando Você Voltar”. Leoni conta no show a historinha de como esta música foi composta. O que poderia ser um dramalhão mexicano corre solto como uma comédia de “Sessão da Tarde”. Ponto para Leoni.
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Quando o show começa, pontualmente (isso é um milagre em shows assim), a gente pensa que Leoni vai perder o jogo. O público ainda não pegou o espírito da coisa. Mas logo na terceira canção todo mundo já sacou que não está num espetáculo do Bababo Novo, do Asa de Águia ou do Rapazolla. Nem por isso a noite será pra baixo. Aos poucos, público e empresários da região, vão percebendo que há espaço para todas as manifestações artísticas. E que, assim com há uma galera (e como há) que nasceu para “micareteiro” ou “funqueiro” de carteirinha, tem muita gente que merece um show diferente. Mais, digamos assim, artístico.
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Leoni é um artista comercial, como são todos os artistas do pop. Isso não significa que seu produto não tenha valor artístico. Está conseguindo repetir (ou superar) o sucesso que teve no Kid Abelha e no Heróis da Resistência. Suas canções viram chiclete musical. Até as mais recentes têm um clima oitentista, o que prova não se tratar de um modismo passageiro. Leoni é esperto. Pegou antigos sucessos e fez uma releitura. Você pode achar que sua obra não tem nada de excepcional. E não tem mesmo. Mas está aí o segredo do sucesso. Ele fala de amores e (des)amores sem ser popularesco.
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O show é todo baseado no CD “Ao Vivo - Leoni”, gravado no final de 2004, no Garden Hall. O trabalho percorre a carreira do cantor e compositor e conta com seus maiores sucessos. Estão lá: “Os Outros”, “Como Eu Quero”, um “pot-pourri” de “Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)”/”Conspiração Internacional” e as músicas do seu consagrado CD “Audio-Retrato”. Confesso que o show soa bem parecido com este último. Sem problema.
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As participações especiais do disco não fazem falta no show. Dinho Ouro Preto (“Garotos II - O Outro Lado”), Léo Jaime (“Lágrimas e Chuva”, “Fotografia” e o “pot-pourri” “Carro e Grana”/”A Fórmula do Amor”) não estão no palco.
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Mas Leoni segura sozinho o clima. Vai conquistando todo mundo, encena um final que ainda não chegou. Até despedir-se do público de vez. Todos felizes, voltam pra casa com um sorriso no rosto. Cantaram suas canções favoritas, beijaram na boca ao som de músicas românticas, ou simplesmente se divertiram com os amigos. Leoni também se vai. De olho num próximo show. Bom também. |