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‘Jovens Talentos’ tentam vender CDs

Raulzinho, de olho no mercado, convoca 17 participantes
do ‘Programa Raul Gil’ para gravar a Jovem Guarda
Foto: Divulgação
Diário OnLine
Engraçado. Logo após bater a Globo com um programa especial de lançamento do CD “Jovens Talentos”, a Record bateu o martelo: não quer mais o “Programa Raul Gil” em sua grade. O último programa será exibido no dia 29 de outubro (se as partes não voltarem atrás). Parece que Raul vai fechar com a Band, que quer colocá-lo na guerra de audiência aos domingos. Vamos ver no que vai dar... Hoje o que me interessa é comentar o disco da garotada. Todo mundo em ritmo iê-iê-iê. Para quem não viu, trata-se de mais uma tentativa do apresentador de repetir o fenômeno Robinson, que vendeu mais de um milhão de cópias. Depois dele, a fonte secou e nenhum calouro saído do programa conseguiu repetir o feito. Mas a turma pequena anda fazendo bonito. Bons índices de audiência. Esperto, o filho de Raul, Raulzinho, viu uma brecha no mercado e fez a toque de caixa este CD. Pode ser que funcione.


Não curto o estilo entre berros e gritos, adotado pelos calouros que lá se apresentam. Quase todos seguem a mesma cartilha, incluindo as crianças. Isso não quer dizer que não sejam bons, é apenas uma questão de gosto. Mas há casos em que basta não ser surdo para ter certeza de que muitos desafinam horrores, exageram na dose e pecam pelo excesso. No álbum, Raulzinho reuniu 17 dos Jovens Talentos que regravaram clássicos da Jovem Guarda. São crianças e adolescentes que estão ou já passaram pelo quadro “Jovens Talentos”, apresentado aos sábados, em horário bem flexível.


A desculpa para tentar vender CD é que a garotada está fazendo uma homenagem aos 40 anos da Jovem Guarda. Bobagem. É o tipo do produto de olho no comércio. Ou seja, o que importa é vender, vender muito. No site do programa a informação é de que “os intérpretes foram escolhidos a dedo pelo diretor Raul Gil Júnior”. O texto prossegue: “Aliás, é dele também a escolha de repertório e a direção artística”. Tá explicado, mas não convence. Primeiro que a turma melhorzinha tá toda lá e não havia muitas opções. Segundo que o repertório não é lá grandes coisas, talvez porque tenha sido difícil negociar direitos autorais. Bem, dito isto, sobra elogio para os quatro maestros que dividiram a autoria dos arranjos. Marcos Pontes (Caixote), Jó Elias, Jânio Santore e Djalma Wolff Monteiro criaram versões moderninhas para os sucessos da época. Em alguns casos fizeram milagre. Em outros, nem tanto assim.


Os rostinhos e as vozes (muitas delas poderosas) estão todos no CD. Quem se destaca? Hevelyn é muito boa mesmo, mas sua gravação deixou a desejar. Poderia ter rendido mais, como rende ao vivo. Adair Cardoso supera de longe a recente regravação de Zezé Di Camargo & Luciano. Geisilaine, de Volta Redonda, tem uma segunda chance (seu multiokê não emplacou) e não decepciona. Mayck e Lyan se saem bem. Ramon é um caso à parte. E Twiggy prova que tem personalidade. Só precisa se libertar do ranço cantora fabricada. O CD derrapa com Os Borrachinhas, que são duas gracinhas. Só isso.


No meio-termo temos Natália Bianca (que perdeu e voltou ao programa), Yago, Alex Junior, Luan Peterson, Larissa Lima, Bruna Pinheiro, Cristian Fernandes, Mateus Brunette e Caio Mesquita.


Outra que saiu do programa é Thalita Bardini. Mas está no disco. Estranho, né? Não tem talento suficiente para se manter no programa mas está no time dos melhores? Pegou mal pra caramba. Incoerente. Mas ela se sai muito bem no CD, melhor que ao vivo, quando tenta alcançar notas altíssimas e não consegue.


E, para quem curte músicas do tipo “Ternura”, “Querida”, “O Caderninho”, “Esqueça”, “Sonho Lindo”, “Feche os Olhos”, “Coração de Papel” (destruída na regravação) e “Eu Daria Minha Vida”, pode ser uma boa.


Eu não compro.

Cláudio Alcântara claudioalcantara@pop.com.br

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