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Land Rover vai brigar no asfalto

Fábrica lança Range Rover Sport para disputar
mercado com utilitários superesportivos de luxo
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A tradição da Land Rover nasceu em 1948, na Inglaterra, a bordo do simplório, mas eficiente, Defender. A resistência e a robustez do jipinho satisfaziam plenamente às necessidades daquela época de reconstrução pós-guerra. Com o passar dos anos, o mercado passou a exigir mais luxo e conforto. Para responder a essas demandas, a montadora lançou modelos como Range Rover, Discovery e Freelander. Ou seja: além de se embrenhar nas trilhas, a Land Rover queria também ganhar intimidade com o asfalto. O mais novo jipe da marca, o Range Rover Sport, é a expressão máxima desse flerte com o “on-road”. Para a Land Rover, esse modelo nasceu para enfrentar Volkswagen Touareg, Porsche Cayenne e BMW X5 nas estradas pavimentadas da vida.
As motorizações do novo jipe da Land Rover evidenciam bem essa pretensão esportiva. O modelo “básico” HSE, que custa R$ 345 mil, tem sob o capô um motor 4.4 litros V8 de 32 válvulas com singelos 295 cv de potência e 42,5 kgfm de torque. Ele vai enfrentar as versões básicas dos três rivais, que têm potência entre 230 cv e 250 cv. O preço é próximo ao do BMW X5 3.0, mas é bem mais alto que o do Cayenne 3.2 V6 e do Touareg 3.2 V6 - que custam em torno de R$ 250 mil. Já o “top” Supercharged, que sai a R$ 395 mil, tem motor 4.2 V8 de 32 válvulas com 385 cv e 55 kgfm de torque. Em potência, só perde para os 450 cv do Cayenne Turbo, que custa R$ 460 mil. Este também é o preço do X5 4.8, que rende 360 cv.
Além da cavalagem, a dinâmica esportiva do jipe da Land Rover passa pelos vários recursos eletrônicos disponíveis, em geral, apenas em carros muito caros. A começar por pneus e rodas: na HSE são 255/50 aro 19 e na Supercharged são 275/40 aro 20. Nesse sentido, tem sistemas que controlam a estabilidade, a frenagem em curvas, a tração integral, a descida de ladeira, a rolagem e a altura da carroceria. Tem também itens típicos de carros de estrada, como controle de cruzeiro - com radar que controla a distância para o veículo à frente -, faróis para iluminação em curvas, freios da grife Brembo, som Harman/Kardon e duas telas de DVD para os bancos traseiros, entre muitos outros.
A idéia, no entanto, foi tornar a Range Rover mais afeita às pistas sem abandonar a terra. Daí a suspensão ter recursos que permitam uma certa versatilidade. Casos da barra estabilizadora com trava hidráulica - que desativa a barra em terrenos irregulares - e do Terrain Response, sistema herdado do Discovery. O Terrain Response tem cinco configurações prévias da suspensão automática, de acordo com o piso em que o carro será utilizado: asfalto, lama, cascalho, neve/grama e areia. E mesmo que o motorista não acione, o sistema assume a melhor configuração pelo comportamento de carroceria e molas pneumáticas - não há amortecedores.
As duas versões a gasolina chegam aos concessionários nesta primeira semana de outubro. Uma terceira, a diesel, vai desembarcar no Brasil em dezembro com preço parecido com o da HSE e um motor V6 de 2.7 litros turbo com 190 cv e 45 kgfm de torque. A idéia da marca, controlada pela Ford, é servir de alternativa para consumidores que gostam de diesel ou precisam de uma autonomia maior - com 88 litros de diesel no tanque, é possível rodar até 700 km. Pode parecer um mercado por demais específico, mas é significativo para quem pretende vender 70 unidades do modelo até dezembro e 180 em todo o ano de 2006 - a versão turbo-diesel responderia por 30% desse total, enquanto a Supercharged representaria 50%.

Pela estrada afora

A Land Rover dotou o Range Rover Sport com todo o aparato tecnológico possível para que pudesse enfrentar as pistas com alguma desenvoltura. E, de fato, erros e abusos ao volante são corrigidos de forma rápida e eficiente. Mas o modelo nasce com uma enorme desvantagem para um utilitário superesportivo: é calçado em longarinas - e não amarrado em um monobloco. No asfalto, o Range Rover Sport exibe os efeitos dessa característica: nas curvas mais fortes, o modelo de 2,5 toneladas ameaça rolar e se desequilibrar, até que os controles eletrônicos entrem em ação. O ABS freia uma roda, a injeção reduz a potência do motor e o carro retoma, magicamente, a trajetória. Tudo é muito rápido, mas desestimulante para quem pretende ter a resposta esportiva prometida no nome.
Melhor aproveitar o que o jipão oferece de bom, que não é pouco. Requinte, conforto, ergonomia e som perfeitos, beleza e potência de sobra para acelerações e retomadas. Segundo a marca, as versões HSE e Supercharged fazem o zero a 100 km/h em 8,9 s e 7,6 s, respectivamente. As máximas são limitadas eletronicamente a 210 km/h e 225 km/h. Nem precisava tanto. O Range Rover Sport é um carro capaz de satisfazer bastante, mesmo ao desfilar pachorrentamente.

Instantâneas
# No console central do Range Rover Sport há um monitor de LCD para o controle de várias funções, como tração, som, computador de bordo e navegação.
# O chassi do Range Rover Sport é o mesmo usado pelo Discovery, encurtado em seis polegadas (cerca de 15 centímetros). Externamente, a diferença principal para o Range Rover normal é redução da terceira janela e a última coluna, bem mais inclinada.
# Entre os concorrentes diretos do Range Rover Sport, apenas a Mercedes-Benz ML também usa longarina. Os demais - Volkswagen Touareg, Porsche Cayenne, BMW X5, Volvo XC90 - usam monobloco.
# O coeficiente aerodinâmico do Range Rover Sport é de 0,37 Cx. Um pouco melhor que o Porsche Cayenne, que é de 0,38 Cx.
# O sistema de som Harman/Kardon Logic7 surround do Range Rover Sport produz efeito 3D, através de 13 alto-falantes e subwoofer distribuídos em sete canais. Os passageiros traseiros têm fones individuais e com eles podem ouvir música, filme ou jogo diferente dos demais ocupantes.
# O interior do Range Rover Sport é em couro com detalhes em madeira e alumínio texturizado.
# A Land Rover pretende vender 2 mil unidades de seus carros no Brasil em 2005 - 16% mais que no ano passado. Desse total, cerca de 80% é do modelo Defender 110, montado no Brasil na fábrica da Karmann-Ghia, em São Paulo.
# Opcionalmente, o Range Rover Sport pode receber rodas menores - aro 17 ou 18 -, mais apropriadas para quem for praticar o off-road.

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