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Auto-Serviço Corte de custos reduz opções do cliente
Montadoras simplificam a produção e reduzem número de versões e de opções para os compradores Custo. Essa pequena palavra é praticamente uma obsessão dentro das montadoras. Ela representa o argumento final para todas as decisões tomadas no chão da fábrica. E não importa se as finanças estão no azul ou se o mercado está em alta. Tanto que na fase atual, de recordes de produção e vendas, as montadoras estão “racionalizando” as linhas. O resultado mais palpável do lado de cá do balcão é a drástica queda do número de versões e opcionais disponíveis. Em maio desse ano, os 47 modelos feitos no Brasil tinham 311 versões. Em agosto, o número de modelos subiu para 49, mas o de versões caiu para 290. Tudo em nome da redução de custos.
A estratégia de simplificação da produção adotada pelas montadoras gera os chamados pacotes de opcionais. A idéia é seguir a lógica das japonesas Toyota e Honda, que oferecem seus modelos em “versões” que, na verdade, são pacotes de opcionais, sem distinção de acabamento entre elas. Foi o que a Volkswagen fez. Pouco antes de lançar o Gol Geração 4, a montadora discretamente tirou de linha o Gol “bolinha”, o mais barato da marca. E assim que o novo Gol começou a ser produzido, a fabricação do Geração 3 foi interrompida. E Gol G4 já chegou em apenas três versões - eram cinco - e equipamentos importantes, como freios com ABS e airbag, simplesmente não são mais disponíveis. Segundo Paulo Kakinoff, diretor de vendas e marketing da Volkswagen do Brasil, retirar algumas versões de linha representa reduzir custos com ganho na escala de produção. Isso possibilitou manter o preço Gol G4 igual ao do Gol G3. “Racionalizar a produção é a melhor forma de reduzir os custos e melhorar ainda mais as condições de negociação com os fornecedores”, afirma Kakinoff.
Os fornecedores, por sua vez, também são peça fundamental nesse processo de simplificação da produção. Com várias versões disponíveis, um ou outro componente, obviamente, seria diferente. E o fornecedor produziria poucas peças iguais para as diferentes versões, o que aumentaria o custo unitário das peças. O inverso, entretanto, faz com que os componentes passem a ser usados em maior escala e o fornecedor tenha como aumentar a produção unitária dos equipamentos. E, assim, tornar realidade o grande sonho atual das montadoras: diminuir o valor gasto com os projetos automotivos. “Muitos fornecedores para diferentes componentes geram mais dificuldade no planejamento da produção e agregam valores que poderiam ser evitados”, observa Samuel Russell, diretor de marketing da General Motors do Brasil.
Outro motivo para o enxugamento das linhas é a pequena capacidade de produção disponível nas plantas brasileiras - a grande maioria das montadoras já está utilizando entre 80% e 100% da capacidade produtiva. Com os futuros lançamentos, as condições de fabricação dos carros ficariam ainda mais comprometidas, obrigando as montadoras a escolher entre não lançar novos modelos ou abrir espaço em linhas já existentes. Somente as montadoras que não estão com toda a capacidade produtiva tomada, caso da Fiat, ainda se dão ao luxo de manter modelos de gerações antigas em linha. “Em um mercado tão competitivo, criar opções e manter a oferta de produtos é um desafio que vale a pena”, argumenta Carlos Henrique Ferreira, assessor técnico da Fiat.
A falta de capacidade produtiva, contudo, não é um problema, já que isso mostra que a fabricação de automóveis anda a pleno vapor. Mas, em contrapartida, diminuir as opções nas linhas existentes também ajuda na hora de estocar os carros. O estoque pode até não ser um fatia tão importante no “bolo” de motivos que levam à simplificação da produção, mas deve ser observado com atenção. “Minimizar as variações dentro da gama de modelos afeta positivamente a logística na fábrica e nas concessionárias”, explica Paulo Garbossa, diretor da consultoria automotiva ADK Automotive.
Caso antigo
Os anos passam, os carros evoluem, mas é o quanto os consumidores têm de tirar do bolso que determina muitas vezes o adiamento da aposentadoria de alguns carros. O Fiat Palio Fire, por exemplo, usa carroceria antiga, de 2002, mas com a adoção do motor bicombustível e pelo preço “camarada” que detém, responde por uma em cada seis unidades vendidas da família Palio. Outro carro que também se enquadra nesse caso é o Chevrolet Classic - que perdeu o nome Corsa. O modelo também ostenta a carroceria de 10 anos atrás, mas, sozinho, representa 30% das vendas da linha Corsa por apresentar uma interessante relação custo/beneficio, principalmente para os frotistas e taxistas.
O Ford Fiesta Street de 1996, por sua vez, surge com 6,5% das vendas dos carros chamados de Fiesta. Já a Volkswagen é campeã em manter carros antigos na linha para aproveitar nichos específicos já conquistados. Casos dos veteraníssimos Santana e Kombi. Os dois modelos até hoje têm números de vendas substanciais e clientes fiéis - e são o exemplo máximo da expressão “não se mexe em time que está ganhando”. |
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