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Teste Tanque urbano
Toyota Hilux tem visual agressivo, conforto a bordo e potência, mas só é boa no asfalto Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z
 Mudança: a pick-up da Toyota “virou” um carro de passeio, que privilegia o conforto Roberto Dutra
A Toyota lançou a nova Hilux no Brasil, em março último, com intenção de assumir a liderança do segmento. Mas as projeções dos japoneses eram ainda mais otimistas: vender entre 1.300 e 1.600 unidades mensais, que significava dobrar as vendas do modelo antecessor e abocanhar quase 50% das vendas do total de pick-up médias do mercado brasileiro.
Para surpresa geral, a Toyota alcançou estes objetivos rapidamente. Já em abril, primeiro mês “cheio” de vendas, a nova Hilux chegou às 1.766 unidades. Maio e junho registraram 1.897 e 1.716 vendas do modelo e, em julho e em agosto, houve uma queda, para 1.286 e 1.249 unidades, respectivamente. Em setembro as vendas se recuperaram um pouco, foram para 1.439 unidades, mas a liderança foi para a sutilmente renovada S10, com 1.706 veículos. De qualquer forma, os números da pick-up Toyota, mesmo sem o apelo da novidade, andam sempre próximos à meta “técnica” de 1.300 unidades. Ao mesmo tempo, as demais rivais – Mitsubishi L200, Ford Ranger e, principalmente, Nissan Frontier viram suas vendas minguar ou, no máximo, estagnar-se. Ou seja, a Hilux, a grosso modo, “inundou” o segmento.
Sucesso, depois de alcançado, sempre tem explicação. A principal nesse caso está no próprio conceito do modelo: na prática, a pick-up da Toyota “virou” um carro de passeio, que privilegia o conforto em detrimento à versatilidade que lhe permitia certa eficiência no “off-road”. Ou seja, a nova Hilux é um tanque de guerra para uso urbano e no asfalto bom. Além disso, deve se levar em conta de que se trata de um veículo realmente novo. Enquanto as rivais há anos vêm vivendo de reestilizações – muitas vezes tímidas, como a da S10 recentemente –, a Hilux atual é uma geração inteiramente nova. Com isso, exibe não só algumas vantagens dinâmicas, mas também garante um certo “status”, item sempre necessário na caçamba das pick-ups médias. A nova Hilux ainda destila em medidas bastante equilibradas sofisticação e agressividade, além de preencher uma demanda represada entre seus fiéis compradores, que há anos esperavam novidades efetivas na linha Hilux – daí as vendas iniciais bombásticas.
Assim como acontece por fora, também por dentro a Hilux é atraente. Principalmente na versão avaliada, a “top” de linha SRV 3.0 automática. Além de ostentar um habitáculo espaçoso e bem-aproveitado – claro sintoma do projeto recente – o carro é generoso em recursos de conforto e segurança. Com tudo isso, tem um conjunto que supera as rivais. Estão a bordo itens prosaicos como isqueiro, relógio digital, abertura interna da tampa do tanque de combustível e desembaçador traseiro e os necessários ar-condicionado, trio elétrico, alarme, direção hidráulica, avisos sonoros de chaves na ignição e faróis ligados, banco do motorista e volante com ajuste de altura, cruise control e rádio/CD changer/MP3/toca-fitas no painel. A segurança, por sua vez, fica garantida por airbag duplo, barras de proteção nas portas, faróis de neblina, freios com ABS e brake-light.
Para empurrar tanta coisa, a Hilux tem um novíssimo e eficiente motor eletrônico, com quatro cilindros em linha, 3.0 litros e 16 válvulas e já está adequado às normas de emissões do ano que vem. A unidade, alimentada por injeção direta de alta pressão “common rail” e sobrealimentada por turbocompressor de geometria variável, o TGV, e intercooler, rende convincentes 163 cv a 3.400 giros e 35 kgfm de torque entre 1.400 giros e 3.200 giros.
O preço por tudo isso, claro, não poderia ser lá muito acessível: a Toyota cobra R$ 105.805 pela versão SRV 3.0 automática. Mas existem outras, menos equipadas, a partir dos R$ 75.039 – com cabine dupla e tração 4X2. No caso da SRV, o preço é o mais alto entre as “tops” de linha, mas isso não tem afugentado os compradores – afinal, é o preço da novidade. A Mitsubishi L200 Sport HPE automática sai por R$ 98.490. Já a S10 Executive chega aos R$ 97.993, a Ranger Limited aos R$ 97.920 e a Nissan Frontier Strike, a R$ 97.200 – todas, porém, sem câmbio automático.
Instantâneas
# A Toyota Hilux é vendida nas cores metálicas bege, verde e prata e nas sólidas branca, preta e vermelha.
# A caçamba da Hilux cabine simples tem 2,31 metros de comprimento por 1,52 m de largura. Já a cabine dupla tem 1,52 m de comprimento e 1,51 m de largura. Nas duas, a altura da caçamba é de 45 cm de altura.
# A capacidade de carga da Hilux varia de 1000 kg, no caso da versão SRV cabine dupla 4X4 automática, a 1.120 kg, no caso da cabine simples 4X2 manual.
# A linha Hilux vai ganhar uma versão SW este mês. Na prática, é a Hilux “fechada”, com configuração de utilitário-esportivo.
# A nova Hilux é parte de um projeto mundial da Toyota batizado de IMV – Innovative International Multi-purpose Vehicle. Trata-se de uma nova logística que prioriza as fábricas na Argentina, Tailândia, Indonésia e África do Sul como distribuidores internacionais do modelo para mais de 140 países.
# A Toyota Hilux já somou mais de 12 milhões de unidades vendidas em todo o mundo desde que foi lançada, em 1967.
# As divisões da Toyota no Brasil e na Argentina são integradas sob o nome de Toyota Mercosul.
Ficha técnica - Toyota Hilux SRV 3.0 AT
Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, 2.987 cc, quatro cilindros em linha, 16 válvulas e comando de válvulas duplo no cabeçote. Alimentado por injeção direta e eletrônica de alta pressão tipo common-rail e sobrealimentado por turbocompressor de geometria variável e intercooler.
Transmissão: Câmbio automático de quatro marcha à frente e uma à ré. Tração traseira com opção de acionamento de tração integral e reduzida.
Potência máxima: 163 cv a 3.400 rpm.
Torque máximo: 35 kgfm entre 1.400 e 3.200 rpm.
Diâmetro e curso: 96 mm X 103 mm. Taxa de compressão de 17,9:1.
Suspensão: Dianteira independente com braços triangulares duplos, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira com eixo rígido, molas semi-elípticas e amortecedores.
Freios: A disco ventilado na frente e a tambores atrás, assistidos por ABS.
Carroceria: Pick-up com carroceria apoiada em longarinas com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 5,25 metros, largura de 1,83 m e altura de 1,81 m. Distância entre-eixos de 3,08 m. Distância livre do solo de 21,2 cm.
Peso: 1.840 kg em ordem de marcha com 1.000 kg de carga útil.
Capacidade do tanque de combustível: 80 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – A Toyota Hilux mostra bastante desenvoltura nas pistas. O motor de 163 cv de potência até daria conta do recado de levar um carro que pesa 1.840 kg como a pick-up da Toyota, mas não traria um nível de desempenho tão satisfatório se não tivesse o turbo de geometria variável somado à injeção de alta pressão “common rail”. Com esse conjunto, há força de sobra em todas as faixas de giro. O torque de 35 kgfm que já entra em 1.400 giros também colabora muito com o interessante conjunto e permite que as retomadas não tenham “buracos” e sejam vigorosas. Tudo ajudado pelo câmbio automático, que responde com precisão. O atraente desempenho da Hilux pode ser medido pelo zero a 100 km/h em 11,8 segundos e pela correta velocidade máxima de 170 km/h.
Dirigibilidade – A bordo da Hilux quase se esquece de que se trata de uma pick-up média. A dirigibilidade que o modelo ostenta é bastante semelhante à de um sedã e só é possível lembrar que se trata de um utilitário graúdo quando, nas ruas, se observa a maiorias dos carros de cima. Parecer um “carro”, porém, tem lados positivos e negativos. A direção é bem macia e precisa e a condução é fácil. Contudo, em curvas fechadas, o modelo entrega seus limites com facilidade, mesmo com a tração nas quatro rodas acionada. Para possibilitar uma condução agradável para qualquer pessoa – evitando rolamento da carroceria e “quicadas” excessivas –, a Toyota endureceu muito a suspensão do modelo. Com isso, a estabilidade limita o desempenho “off-road” – a 80 km/h, por exemplo, a Hilux chega a sair do chão ao passar por pequenos desníveis elevação de pista.
Nível de conforto – Em seu segmento, a Hilux é, de longe, a que oferece mais conforto para os ocupantes. A “receita” interna do modelo é inspirada nos utilitários da Lexus, a marca de luxo da Toyota. Tem, claro, menos requinte. Mas oferece bancos extremamente macios e acolhedores, espaço interno de sobra, design interessante e acabamento elogiável – sem deixar de lado a tradicional racionalidade das formas orientais.
Consumo – A média de consumo da Hilux se mostrou alta para um modelo diesel: 6,7 km/l. Por isso, mesmo com um tanque de 80 litros, a autonomia é de apenas 536 km. Bem abaixo dos concorrentes, que chegam a ter autonomia de 700 km.
Preço – A Hilux SRV Automática custa R$ 105.805. É um pouco mais que sua rivais, que ficam abaixo dos R$ 100 mil, mas tem câmbio automático e “ar” de novidade.
Equipamentos – A comparação com um sedã, para a Hilux, também vale para os equipamentos. A pick-up recebe de fábrica, por exemplo, recursos presentes no queridinho “irmão” Corolla e, como de costume, tudo funciona a contento. Na versão SRV, completinha, nada falta.
Segurança – Por dentro, como equipamentos de segurança passiva, a Hilux é bem-fornida e não deixa a desejar. Os, freios, por sua vez, trabalham com firmeza e seguram o pesado carro em frenagens mais bruscas. Mas a estabilidade limitada, como em qualquer veículo alto, faz com que o motorista tire o pé nas curvas para não ter problemas.
Estilo – É um dos destaques do modelo e certamente um dos grandes motivos do seu sucesso de vendas. A Hilux tem praticamente o mesmo tamanho de suas concorrentes, mas seu design robusto e imponente faz parecer que se trata de um carro bem maior do que é de fato. E as linhas modernas adotadas na parte frontal do carro dão um toque final atraente e agressivo.
Destaques – Estilo, desempenho e conforto. De negativo, estabilidade e comportamento “off-road”.
Detalhes
# No apoio de braço entre os bancos dianteiros da Toyota Hilux há um porta-objetos de volume médio com lugares estratégicos para CDs e celular.
# Os comandos dos vidros e travas elétricas da Toyota Hilux ficam no descansa-braços das portas.
# Acima do rádio/CD player com MP3 da Toyota Hilux há um relógio digital e, ao lado, dois porta-trecos pequenos. Abaixo, fica o cinzeiro.
# No interior da Toyota Hilux predomina a cor cinza, com detalhes em plástico texturizado pintados na cor prata.
Impressões ao dirigir
Vocação trocada
Dinamicamente, a Hilux faz esquecer o fato de ser uma pick-up. Afinal, a dirigibilidade é similar à de um sedã, tanto na estabilidade em retas quanto na pequena capacidade de enfrentar o “off-road”. A direção da Hilux também parece de um modelo de passeio, pois é bastante macia e precisa, o que facilita na hora de manobrar um veículo desse tamanho. Além disso, a ergonomia é excelente. As diferenças surgem ao se enfrentar o trânsito, para o qual se olha de cima para baixo, e na hora de estacionar o carro – a traseira é tão alta que um carro normal só fica visível se estiver a mais de 5 metros de distância.
No asfalto, a Hilux se comporta extremamente bem e vira mesmo um “carro”. Isso porque o conjunto chassis/suspensão – muito duro – deixa o modelo firme na pista. Em contrapartida, essa facilidade para rodar em âmbito urbano faz com que a pick-up da Toyota fique quase indirigível no “off-road”. A tração nas quatro rodas, acionada por uma alavanca no console central, funciona de modo eficaz, mas a rigidez do chassis deixa a Hilux de cintura dura, sem a manemolência necessária para enfrentar as irregularidades de uma trilha ou ultrapassar obstáculos mais severos.
O quesito conforto, porém, sobressai positivamente. A Hilux abriga seus ocupantes melhor que suas concorrentes: os acabamentos internos causam boa impressão, os bancos são confortáveis, há espaço de sobra para cinco ocupantes e o grafismo do painel é interessante. Além disso, o “recheio” do modelo – principalmente na versão avaliada SRV “top” de linha – é farto. Vários equipamentos de conforto comuns a carros de passeio nessa faixa de valor – R$ 105.805 – estão presentes e funcionam satisfatoriamente.
Já sob o capô, a Hilux traz uma unidade eletrônica de 3.0 litros que desenvolve 163 cv de potência. Essa cavalaria, sozinha, não seria suficiente para levar a pick-up ao nível de desempenho que o modelo tem hoje. Mas como é “reforçada” por uma injeção de alta pressão “common rail” e ainda por um turbo de geometria variável, convence bastante. Isso pode ser visto pela boa marca de zero a 100 km/h, cumprido em apenas 11,8 segundos, e pela máxima de adequados 170 km/h. O torque de 35 kgfm, disponível a 1.400 giros, também torna o conjunto ainda mais interessante, assim como o câmbio automático de mudanças suaves e rápidas. Mas essa “força” extra cobrou muito na hora de abastecer: a Hilux obteve a sofrível média de 6,7 km/l. |
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