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AutoServiço Na pista da tecnologia
Empresas apresentam novidades para melhorar a sinalização e o trânsito nas rodovias Ilustração: Arionauro/Carta Z
 As novas tecnologias aplicadas nas rodovias Diego Ortiz
As condições das estradas brasileiras são notoriamente lamentáveis e pioram a cada ano. Como as verbas públicas para resolver essa situação nunca chegavam ao seu destino, a partir da década de 90 os governos começaram a entregar, sob concessão, algumas das grandes rodovias brasileiras às empresas privadas. Como as concessionárias são obrigadas por lei a investir constantemente em melhorias, cresce no país um mercado de novas tecnologias para rodovias. E os mais recentes lançamentos nesse sentido estavam no 4o Congresso Brasileiro de Concessões de Rodovias, que aconteceu no Rio de Janeiro no final de setembro.
No evento disputavam a atenção desde soluções para a composição de asfaltos até novas tecnologias para melhorar o tráfego e a sinalização. Na parte de asfaltos, uma interessante estréia foi a de um aditivo fabricado pela Ipiranga Asfaltos. O Betudope Master foi criado para eliminar as porosidades existentes entre a camada de solo e o asfalto e, segundo a empresa, produz três vezes mais aderência dos pneus dos carros com a pista. “O asfalto produzido hoje já apresenta mais resistência e traz a vantagem da tecnologia atual, que permite a junção de outras facilidades, como a redução do escorregamento nas curvas”, salienta Paulo Pereira, engenheiro comercial da Ipiranga Asfaltos.
As empresas de sinalização em rodovias também aproveitaram o evento para ganhar visibilidade. A 3M do Brasil, por exemplo, lançou com destaque uma nova película retrorefletiva chamada de GD³. Esse novo produto é formado por micropoliedros e, segundo a 3M, permite nada menos que 100% de eficiência ótica. A película que obtinha mais resultados até então – chamada de prismática –, oferecia 60% de refletividade. “O sistema permite que se vislumbre a informação em distâncias maiores, diminuindo a quantidade de manobras arriscadas para não perder o ponto de entrada ou saída nas rodovias”, valoriza Luiz Teixeira, engenheiro de sistemas de segurança de tráfego da 3M do Brasil.
Ainda dentro do campo de sinalizações, umas das grandes novidades apresentadas foi a maciça incorporação de “leds” em cones, faixas e balizadores. A seta eletrônica enrolável, um dos destaques na feira, possui 36 “leds” de alto brilho. Com autonomia para 36 horas, é ideal para desvios de emergência – por causa da facilidade de transporte e fixação – e para trechos perigosos com pouca iluminação.
Além dos “leds”, o gás xênon também vai “invadir” os equipamentos de sinalização. Considerado um dos melhores aparatos para sinalizar rodovias na Europa, o sistema flash tipo cascata pode ser usado na canalização de trânsito, é dotado de lâmpadas de xênon e possui uma característica interessante: caso o motorista não veja o sinalizador e passe por cima, como é totalmente desmontável, ele dobra e não fica preso no pára-choque do carro. “Um cone normal poderia enganchar num pára-choque e se soltar em alta velocidade, causando um grave acidente”, observa Jorge Tannuri, diretor da World Center Equipamentos de Sinalização Viária.
E as novas tecnologias também prometem ajudar os motoristas a evitar os estafantes engarrafamentos diários. A Perkons, por exemplo, desenvolveu uma sistema wap – transmissão de dados via celular – que fornece ao motorista informações sobre o trânsito em rodovias e estradas e informa o tipo de veículo predominante na pista na ocasião – se tem muitos caminhões, por exemplo. “Ter a noção prévia de que determinada estrada está com o fluxo interrompido ou lento é um sonho dos motoristas que pode plenamente ser alcançado”, destaca José Mario de Andrade, diretor da Perkons.
Instantâneas
# A expectativa das empresas fabricantes de sinalização viária é que, com o aumento da visibilidade da informação, os acidentes possam ser reduzidos em 25% a 46% num período de três a seis anos.
# A Petrobrás está lançando um programa de atualização de pavimentação asfáltico voltado para os professores de engenharia, para suprir a deficiência do ensino universitário brasileiro sobre esse tema.
# A primeira estrada brasileira que passou para o controle da iniciativa privada foi a Rodovia Presidente Dutra, em 1996. Em 1998, foi a vez das concessões de rodovias estaduais.
# Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres, 72% das estradas brasileiras estão em condições deficientes de tráfego.
Pela estrada afora
A maior reclamação de quem trafega pelas estradas brasileiras, principalmente os caminhoneiros, é quantidades de buracos ou fendas presentes nas pistas. Para tentar resolver esse problema, pelo menos na camada superficial, algumas concessionárias contrataram a empresa Brown & Brown, que trouxe para o Brasil uma máquina de reciclagem de asfalto que atua na Europa e Estados Unidos há 30 anos. A “engenhoca” tem uma fresadora que recorta a camada superior do pavimento – de 7 cm a 15 cm de profundidade e até 4,8 metros de largura – e o joga numa unidade de peneiramento e trituração para adequação à granulometria indicada no projeto.
Depois disso, ela, através de uma esteira, joga o material obtido para um tanque de emulsão asfáltica e espalha o asfalto reciclado na pista, deixando-o plano através de um compactador. A produção da máquina é de 2,5 quilômetros por dia e ela pode diminuir em até 40% o gasto das concessionárias de rodovias em recuperação de asfalto.
Outra novidade no campo dos asfaltos é a adoção de cores em sua composição. Segundo Fabiano Lucindo, engenheiro de pavimentos da Petrobrás, o asfalto colorido pode ser usado em qualquer tipo de tráfego e serve para chamar a atenção dos pedestres para faixas de segurança, delimitar áreas e para projetos paisagísticos. O metro quadrado do asfalto colorido custa, em média, R$ 25, contra R$ 20 da mesma dimensão do asfalto comum. |
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