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AutoMundo Apelo à razão
Mesmo não estando perto dos compactos que mais vendem no país, Renault Clio conquistou público fiel graças ao custo/benefício Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z

Roberto Dutra
Desde que passou a ser feito aqui, em 1999, o Renault Clio conquistou um público fiel e sempre registrou bons índices de satisfação entre seus proprietários. É fato que no ranking jamais esteve perto dos compactos que mais vendem no país, mas conseguiu um bom espaço amparado pela relação custo/benefício favorável e por um desempenho tradicionalmente impetuoso – predicados que nem mesmo o visual, no mínimo, polêmico consegue ofuscar.
Somadas as versões hatch e sedã, a linha Clio contabilizou neste ano, até agosto, 23.098 unidades comercializadas, volume que o colocou na 10ª colocação no “ranking” dos carros mais vendidos do país. E embora fique atrás dos principais concorrentes, a Renault não parece muito preocupada com esses resultados. A montadora francesa segue com os planos originais de fazer o Clio cumprir todo o ciclo planejado – o substituto, Clio III, recém-lançado na Europa, só deve aparecer mesmo no Brasil lá pelo fim de 2007.
Um apelo novidadeiro nem seria muito coerente com o compacto da Renault. O Clio sempre foi, efetivamente, uma opção mais “racional” que “emocional”. É quase unânime que não é o mais bonito ou charmoso. Mas tem desempenho instigante – ainda mais na versão 1.6 16 válvulas avaliada – e preços competitivos. Sob o capô, o Clio traz o conhecido motor de quatro cilindros em linha, 1.6 litro e 16 válvulas. Essa unidade – que já entrou na era dos “flex-fuel” e ganha o sobrenome Hi-Flex – rende satisfatórios 115 cv de potência máxima a 5.750 giros e 16 kgfm de torque a 3.750 giros. Esses índices são os maiores do segmento para modelos com motores de 1.6 litro até equivalem-se ou chegam perto aos de certos rivais – o Fiat Palio 1.8, por exemplo, dispõe de 110 cv e 18,4 kgfm.
Por dentro, o Clio Privilége avaliado, o “top” de linha, vem bem “forrado”. Traz airbag duplo, alarme, faróis de neblina, ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, volante com ajuste de altura, rádio/CD player com comandos junto ao volante, rodas de liga leve e computador de bordo, entre muitos outros recursos. De opcional, somente a pintura metálica e freios com ABS. Seu preço, por sua vez, começa em R$ 44.230 e vai aos R$ 47.140, completo. Valores inegavelmente elevados, mas competitivo em comparação às versões dos concorrentes com os mesmos equipamentos ou “pacotes” similares.
Impressões ao dirigir
Imponência dinâmica
O Clio não é um carro que chama a atenção. Pelo menos quando o assunto é estética, já que seus faróis esparramados pela área frontal e a grade dividida em duas seções não são lá muito um exemplo de harmonia. Atrás, as lanterninhas triangulares são mais equilibradas com o resto do conjunto e dão certo toque de agressividade. Ou seja, o Clio é mais interessante “indo” do que “vindo”. Já quando o quesito é pé embaixo, o Clio é mais imponente.
Arranca na frente da maioria dos rivais e surpreende a todo momento quem gosta de uma “tocada” mais agressiva. Os 115 cv e os 16 kgfm de torque proporcionam boas respostas e as acelerações são progressivas e sem “buracos”, a despeito do cabeçote multiválvulas. Depois de acelerar da inércia aos 100 km/h em honrosos 9,6 segundos, o modelinho chega aos 120 km/h com certa facilidade e ainda exibe bastante força de sobra – chegar à máxima de 190 km/h, porém, exige certa paciência. Já o consumo de 6,8 km/l rodando só com álcool foi bastante razoável. |
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