Crônica
Com licença, ela é mesmo poeta?

Claquete
Mike Myers interpretará baterista do The Who em cinebiografia de Keith Moon

Variedades
Um novo capítulo para a rica história das artes em Resende

Uma homenagem ao trabalhador brasileiro

Programação
Horóscopo
Coluna Social
Programação da TV

Visite o Diário em
tempo real
para ler
as últimas notícias

Uma homenagem ao trabalhador brasileiro

’Sudários’ reúne gravuras dos alunos do 6º período do Curso
de Artes Visuais do UBM; mostra será aberta terça-feira
Divulgação
Diário OnLine
O conjunto: Para estabelecer um diferencial
dos anos anteriores, resolveu-se trabalhar o auto-retrato em molde vazado
Cláudio Alcântara

Auto-retratos. Além de linhas sobre o tecido, suportes variados que simbolizam profissões diversas. Ou seja, as causas dos nossos suores: a profissão do professor, do comerciário, do sacerdote, da dona de casa, do artista, do caminhoneiro... Esta é a proposta de "Sudários", exposição de gravuras dos alunos do 6º período do Curso de Artes Visuais do UBM (Centro Universitário de Barra Mansa). A mostra será aberta terça-feira, às 20 horas, na Sala de Exposição da Unidade Cicuta. Os trabalhos poderão ser vistos até o dia 11 de novembro.
As obras foram realizadas sob a orientação da professora Jane Chiesse Zandonade. A exposição apresenta uma temática diferente dos anos anteriores, em que o objetivo era mostrar os trabalhos dos alunos elaborados em várias técnicas apresentadas a eles ao longo do ano letivo. Os alunos aprendem, além das tradicionais xilogravura, linoleogravura e ponta seca, as gravuras alternativas, aproveitando materiais cotidianos e descartáveis.
- Para estabelecer um diferencial dos anos anteriores, resolveu-se trabalhar o auto-retrato em molde vazado. A princípio, as experiências de pesquisa levaram à escolha do tipo de tecido chamado de morim como suporte, por ser leve e que daria, como resultado, uma transparência desejada desde o início do processo - diz.
Continuando a elaboração do trabalho, observou-se que os auto-retratos em pano, assim reunidos, teriam a aparência de sudários, palavra que se tornou o tema central da exposição. A professora conta que verificando a origem da palavra sudário em dois dicionários (o "Houaiss" e um dicionário "on-line" de inglês-latim), certificou-se de que o vocábulo vem do latim "sudarium", e que assim era chamado pelos romanos o pano com que antigamente se limpava o suor do rosto, substituído posteriormente pelo lenço. Significa também mortalha; o vocábulo vem da palavra "sudor" (súdor), "sudoris" - que significa suor.
- O tema central tomou corpo e, munidos destas informações, assumiu-se que a exposição seria, de forma abrangente, uma homenagem ao trabalho e ao trabalhador. Aquele que, com suor, ganha o seu pão de cada dia. Homenagem que, por extensão, é prestada também às profissões - explica Jane.
O auxiliar coordenação do Curso de Artes Visuais - Licenciatura, UBM - Unidade Cicuta, Silvio Machado, lembra que a atual exposição é apenas uma pequena amostra do que foi desenvolvido com os alunos de Barra Mansa e da Cicuta. "Eis o resultado do trabalho de nossos alunos do 6º Período do Curso de Artes Visuais do UBM como homenagem ao trabalho do cidadão brasileiro", fala.

GRAVURA - É um processo artístico em que a partir de uma matriz gravada consegue-se copiar a imagem inúmeras vezes, exatamente da mesma maneira. "Gosto de lembrar que a gravura teve papel importante na construção do conhecimento da nossa civilização, pois fez com que a informação visual começasse a circular pelo mundo", afirma a professora Lygia Arcuri Eluf, do IA (Instituto de Artes) da Unicamp (Universidade de Campinas).
Papel importantíssimo.

Auxiliar inseparável dos livros

Originariamente, a gravura era a auxiliar inseparável dos livros, o único processo de repetição das ilustrações que as obras escritas podiam ter antes do desenvolvimento da fotografia. Na sua forma mais antiga de impressão, constitui-se na utilização de um relevo que recebe a tinta, a partir do qual se transfere a imagem para outra superfície. Os baralhos, as imagens de santos e pequenos textos com orações curtas, as estampas humorísticas, os rótulos, os mapas também foram objetos e motivos da técnica de repetição da imagem desde a época em que os livros eram copiados a mão.
A gravura tem, no Ocidente, mais de 500 anos. Foi desenvolvida por meio de processos trazidos do Extremo Oriente, como a xilogravura, cuja matriz é em madeira, e a invenção do papel, sem o qual as cópias não seriam viáveis. Depois de 200 anos durante os quais o Ocidente desenvolveu a prática na xilogravura, a gravura em metal surgiu e ganhou o apreço de artistas como Martin Schongauer, Albrecht Dürer, Rembrandt van Rijn e inúmeros outros gravadores, pintores, escultores e até ourives (plateros) de ontem e de hoje que fizeram e fazem da gravura um de seus modos de expressão artística.

Serviço
Sudários - Exposição de gravuras dos alunos do 6º período do Curso de Artes Visuais - Licenciatura (Unidade Cicuta e Campus Barra Mansa). Orientação: professora Jane Chiesse Zandonade. Coquetel de abertura: terça-feira, às 20 horas, na Galeria de Arte UBM - Unidade Cicuta. Os trabalhos poderão ser vistos até o dia 11 de novembro, de segunda a sexta-feira, de 8 às 22 horas; e, aos sábados, de 8 às 17 horas.

Alto


© Empresa Jornalística Diário do Vale Ltda. Todos os direitos reservados