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MC Sabrina é a ‘bola’ da vez

Cantora domina os clubes e boates da região com seu
funk de qualidade duvidosa e voz pra lá de esganiçada
Divulgação
Diário OnLine
Só me resta citar Shakespeare para falar da tal MC Sabrina: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”. Explico. Fim de semana, em Barra Mansa, shows de Lulu Santos, João Bosco, Tunai e Beto Guedes. Em Barra do Piraí, Gabriel O Pensador, Jorge Guilherme e Ranieri. E em Volta Redonda? Esta moça fazendo, sei lá, o seu milésimo showzinho em terras da Cidade do Aço. Como explicar isso? Não tem explicação. MC Sabrina comemorando seu aniversário por aqui (VR), enquanto nos municípios vizinhos artistas de verdade mostravam seus talentos. O que Volta Redonda tem de tão especial para atrair esses representantes do funk? Sinceramente, não sei. Mas que há algo de errado nisso... não tenho a menor dúvida. OK, pra não dizer que estou de marcação, cito que o 14-Bis fez show por aqui. Mas foi uma exceção à regra. E pode me chamar de maluco. Se o assunto é funk, ou melhor, se o assunto é o domínio do funk, eu tenho tudo contra e nada a favor.


Sabrina Luiza de Souza. Este é o nome da MC Sabrina, investigada pela Polícia Civil pelo fato de cantar músicas cujas letras fazem menção a traficantes e facções criminosas. É figurinha conhecida na DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes). E vai lá sempre muito bem acompanhada: Nilo Batista, um dos mais renomados advogados do País e ex-secretário do Governo do Rio. A moça completou 18 anos no dia 7 de dezembro e, quando prestou depoimento, alegou que era menor de idade na época em que cantava os chamados “proibidões”.


Não quero discutir aqui se MCs como Sabrina fazem apologia ao tráfico de drogas (isso prevê penas de três a 15 anos de cadeia, conforme o delegado titular da DRE, Rodrigo Oliveira). Isso é assunto para a Justiça decidir. Também acho balela levar o assunto para o lado da criminalização artística, falar da realidade social dos MCs e blá blá blá... Não me importa se Sabrina é moradora do Morro da Providência, no Centro do Rio. O que me importa é que a arte feita por ela é ruim. Muito ruim. E estou sendo bonzinho definindo sua música como arte - para mim, não é.


Mas também não podemos negar que Sabrina e outros 13 MCs são alvos de uma investigação da DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática). São acusados de cantar “proibidões” e, com isso, fazer parte do grupo de cantores que desvirtua o ritmo funk. Sabrina, por exemplo, gravou “É Nós Sapinho”. O funk faz citações aos irmãos e chefões do pó da Providência Evanilson Marques da Silva, o Dão, e Leonardo Marques da Silva, o Sapinho.


Por aqui, ela faz sucesso mesmo é com “Dessa Vez”, uma pérola do mau gosto musical. “Já tô sabendo que você tá sem ninguém / Sem ninguém! / Que terminou o seu romance outra vez / Mais uma vez! / Tá vendo quanto tempo a gente já perdeu / Já perdeu! / Já te falei ninguém te quer mais do que eu! / “Baby”, o que você quiser eu quero / Tudo o que você pedir eu dou / Faço tudo pelo seu carinho / Deixa eu te mostrar quem sou!”, canta Sabrina, com aquela voz esganiçada. Horrível. Horrível mesmo.


Na verdade, a MC Sabrina “roubou” o posto da Tati Quebra-Barraco em Volta Redonda. Esta última, por sinal, só faltou alugar um “barraquinho” por aqui, de tanto show que fez na região. Mas torrou a paciência, e a Sabrina, muito mais esperta, dominou a área. Para mim, as duas se equivalem na falta de talento.


Perguntinha? Você já viu um grande artista, como Ana Carolina, Gal Costa, Mariza Monte, Zizi Possi... fazer shows em alguma cidade do interior todo fim de semana? Não, você não viu. Simplesmente porque eles têm shows (grandes shows) para fazer nas capitais. E só vão ao interior esporadicamente. Mas a MC Sabrina faz. Por que será?


Arrisco a resposta. Porque ela não é uma grande artista. Nunca foi. Nunca será. E não deve ter tantos shows assim para fazer nas capitais, né?

Cláudio Alcântara claudioalcantara@pop.com.br

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