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Uma língua transnacional

Aos poucos, o Esperanto é reconhecido como idioma
universal, facilitando a comunicação entre os povos
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Milhares: São mais de 50 mil obras em Esperanto,
nas mais diversas linhas editoriais e conteúdos didáticos
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Fernanda Caldas

Desde os primórdios, o famoso caso bíblico da “Torre de Babel” ilustra a dificuldade de se comunicar entre os povos. Cada país com sua língua própria e, não raro, a mesma nação adotando vários dialetos para se socializar, ou melhor, se desentender e se desunir. Foi observando esse quadro, ainda tão presente nos dias de hoje, que o polonês Luiz Zamenhof pensou em criar no século XIX um idioma que todas as nações e todos povos pudessem utilizá-lo para se comunicar, quebrando as barreiras entre oriente e ocidente. Foi então que, depois de muitas análises e experimentos, surgiu o Esperanto. É o que explica um dos diretores do Clube de Esperanto de Volta Redonda e também professor do idioma, Vicente Werneck.
- O Esperanto surgiu de uma iniciativa própria de Zamenhof, que ainda jovem, já não se conformava com o conflito de idiomas que os próprios poloneses enfrentavam no país. Seu maior sonho era criar uma língua para que todos pudessem viver em solidariedade. Foi então que ele pediu ajuda ao pai - professor de idiomas - e com ele aprendeu pelo menos 10 línguas - conta Wernek.
Ao conhecer um pouco da diversidade de idiomas, Zamenhof chegou à conclusão que a língua específica de um país não poderia ser o idioma universal, para não causar ciúmes em outras nações. Usar uma língua antiga como o Latim, por exemplo, também não seria a solução por estar ligada a denominações religiosas. Então o que fazer? Combinar as línguas existentes - este sim um caminho sábio.
Foi então que o polonês combinou as línguas derivadas do latim (francês, italiano, espanhol, português e romeno), com os idiomas anglo-germânicos (inglês e alemão) e também o russo. A contribuição oriental se deu na derivação e na aglutinação de palavras. Dentro dessas combinações, surgiu um vocabulário de aproximadamente mil palavras, 10 prefixos e 28 sufixos, além de uma gramática com 16 regras básicas, na qual se instrui a conjugar o verbo, tendo todos pronomes pessoais a mesma conjugação.
- Zamenhof conseguiu simplificar de tal forma que, num simples bate-papo, boa parte do idioma é absorvido, garante Werneck. Atualmente, o Esperanto é praticado em 120 países dos cinco continentes do globo. Há mais de 50 mil publicações em Esperanto no mundo, espalhadas pela Holanda (onde está situada a Associação Universal do Esperanto), Estados Unidos, Japão, França, Brasil, entre outras nações.
O conteúdo editorial das obras é o mais diversificado possível. Há livros e revistas de literatura, política, economia, religião, sociologia, lingüística, filosofia, medicina e até histórias em quadrinhos! Todos com o mesmo objetivo: entender e ser entendido - eis a vocação do ser humano, sendo cumprida por meio desse idioma simples e acessível. “Atualmente, com a prática do Esperanto, pelo menos 10 milhões de pessoas conseguem se comunicar de forma universal, independente de qual país estejam”, assegura Werneck. “No entanto, as que dominam o idioma, são cerca de cem mil pessoas”, complementa.

ESPERANTISTAS BRASILEIROS - No Brasil, o maior núcleo do Esperanto se encontra em São Paulo Capital, com ensinamento do idioma em uma importante universidade particular. Há também universidades nos estados do Paraná, Minas Gerais e Ceará que também incluíram o estudo do idioma em suas grades curriculares. Em Volta Redonda, existem dois cursos gratuitos de Esperanto, um no Centro Gerontológico José Maria Taylor, na Vila Santa Cecília, e outro no Sindicato Estadual de Profissionais de Educação (SEPE-VR), no Aterrado.
Na Vila, o curso básico existe há aproximadamente cinco anos, tem duração de seis meses, e por isso já formou cerca de 100 esperantistas. No Aterrado, o curso é dividido em dois módulos (inicial e aperfeiçoamento), com quatro meses de duração cada. “Nosso objetivo é fazer com que o Esperanto se propague, se tornando um elo de aproximação entre os povos, uma vez em que vivemos num mundo, cujas diferenças de idiomas afastam as pessoas”, justifica Werneck.
MAS E O INGLÊS - Caracterizado há séculos como o idioma universal, o Inglês é, sem dúvida, a língua estrangeira mais ensinada no mundo, inclusive no Brasil. Sinônimo de supremacia capitalista, o Inglês foi praticamente imposto nos diálogos entre políticos e nas negociações de executivos. “Por isso sempre vou dizer: se você quer ganhar dinheiro, aprenda inglês; se quiser amigos, aprenda esperanto”, aconselha Werneck.
- Além de mais complexo, o inglês é a língua pátria dos Estados Unidos e da Inglaterra, gerando nos outros países uma certa submissão ao idioma praticado. Já o Esperanto é uma língua planejada, criada justamente para colocar todos numa posição de igualdade, cujo único objetivo é se comunicar e estreitar laços - ressalta o professor.
Agora, cabe a você fazer a sua escolha. Pense na prosperidade financeira, mas não se esqueça de investir na amizade - uma das maiores jóias celestiais...

Serviço:
Curso de Esperanto: no Centro Gerontológico José Maria Taylor, (rua 46, 12, Vila Santa Cecília) - novas turmas para o mês de março. Mais informações: (24) 3342-6406. No Sindicato Estadual de Profissionais de Educação (SEPE-VR), no Aterrado - novas turmas para março. Mais informações: (24) 3346-8435.

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