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Suspeito de integrar quadrilha que levava crianças para os EUA é preso
Sargento da PM foi preso no Santa Rosa, em Barra Mansa; quadrilha cobrava até US$ 15 mil por cada criança que ia para o exterior
Felipe de Souza
 Flagrante: Polícia Federal encontrou na casa de Billy 12 certidões de nascimento de crianças que estariam registradas ilegalmente no nome do PM
Felipe de Souza
 Cegonha: Operação da PF prendeu policial suspeito (no detalhe) de participar de quadrilha internacional de tráfico de crianças Dicler Simões Barra Mansa
Policiais federais prenderam na manhã de ontem, num apartamento de luxo no bairro Santa Rosa, o sargento do Batalhão Florestal da Polícia Militar, Billy Grahan Pimenta de Mendonça. O militar é lotado em Teresópolis. A mulher dele, Flávia Pereira, também foi presa. Os dois foram acusados pela Justiça Federal de integrarem uma quadrilha de tráfico de crianças. Pelo menos 20 policiais cercaram o prédio de três andares, no final da madrugada de ontem, de onde, duas horas depois, o casal saiu algemado. Foram apreendidos no apartamento um computador e 12 certidões de nascimento de crianças que estariam registradas ilegalmente no nome do PM - seis crianças eram gêmeas.
De acordo com agentes federais, o suspeito teria confessado a participação na quadrilha, da qual receberia US$ 2 mil por cada criança enviada para o exterior. Na maioria dos casos, as crianças seriam filhas de pais que imigraram ilegalmente para os Estados Unidos, e pagavam entre US$ 13 mil a US$ 15 mil para que os filhos fossem enviados a eles.
Pelo esquema levantado pela Polícia Federal, com o registro das crianças em nome dos suspeitos seria mais fácil a obtenção de vistos de turistas para elas. Os policiais não descartaram a possibilidade de as crianças serem usadas para extração de órgãos, prostituição infantil e adoção ilegal. O suspeito também teria confessado ter feito várias viagens, levando crianças para entregá-las nos Estados Unidos.
ESTADOS - A equipe comandada pelo delegado Matheus Meca Rodrigues chegou na véspera, ficando hospedada num hotel, no Centro de Volta Redonda, cidade vizinha a Barra Mansa e às 6 horas cercou o prédio. Segundo os vizinhos, o acusado era uma pessoa gentil, e vista como importante para a segurança na rua, por morar no prédio.
A Operação Cegonha, nome dado ao trabalho dos policiais federais, se estendeu por sete estados, onde a suposta quadrilha teria ramificações, Foram presos outros 15 suspeitos acusados de envolvimento com tráfico de crianças. Segundo investigações, o bando costumava maquiar as crianças, que ficavam diferentes, além de as obrigar a estudar a história fictícia sobre a falsa família.
Dos 18 mandados, 15 foram cumpridos ontem, entre eles o que prendeu a suposta líder do esquema, Fátima Eliane Taumaturgo de Mesquita, em Fortaleza-CE. Segundo as investigações da Polícia Federal, pelo menos 100 pessoas, entre crianças e adolescentes, foram levadas para os Estados Unidos nos últimos dois anos. Em São Paulo, foi presa Maria Júlia Silva de Oliveira.
Os acusados ficarão presos durante cinco dias, mas a Polícia Federal vai pedir a prorrogação desse prazo. Há suspeita também de envolvimento de cartórios no esquema. Em Brasília, a Embaixada dos Estados Unidos anunciou que tentará localizar as crianças.
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