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No primeiro papel de destaque, Lucci Ferreira
vive um radialista sedutor em “JK”
Luiza Dantas/CZN
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Quando criança, o passatempo preferido de Lucci Ferreira era imitar os cantores mais tocados nas rádios brasileiras. O garoto passava manhãs inteiras fazendo caras e bocas ao dublar os ídolos. Natural que tivesse seguido a carreira artística. Antes, porém, tentou ser jornalista. “Talvez por querer resgatar uma vontade de infância também. Queria ser escritor”, conta ele, que hoje como ator, interpreta o radialista Antenor em “JK”.
Até chegar à minissérie da Globo, Lucci colecionou uma série de participações na tevê. A primeira delas aconteceu numa série do “Fantástico” que comemorava os 450 anos de São Paulo. Dali, o ator apareceu como um namorado de Marinete, papel de Cláudia Rodrigues, em dois episódios de “A Diarista”. Mais tarde, fez um teste para “Da Cor do Pecado” e largou Salvador, onde nasceu, para se mudar de vez para o Rio de Janeiro. “Foi muita coincidência. Estava arrumando minhas malas para a mudança quando recebi o telefonema de um produtor me convidando para fazer a novela”, revela Lucci.
A mudança para o balneário carioca já era uma meta antiga do ator. Estudante de teatro em Salvador, Lucci não via muito espaço para a carreira além dos palcos baianos. “O teatro que a gente faz é muito forte. Mas faltam incentivos para o cinema e a tevê. Aqui as coisas são mais rápidas”, argumenta ele. Mais rápidas e nem por isso mais fáceis. Lucci sabe disso. “Não vim para cá na viagem de acontecer. Quero galgar mais um degrau na carreira e me tornar um grande profissional”, observa.
Para fazer “JK”, Lucci não precisou enfrentar os testes de vídeo. Dennis Carvalho e Maria Adelaide Amaral, respectivamente o diretor e a autora da minissérie, aprovaram de cara uma fita que viram do ator. Lucci, então, partiu para a composição do personagem, vivido na primeira fase pelo garoto Rafael Miguel. Viu algumas chanchadas da Atlântida, conversou com profissionais de rádio, mas antes disso freqüentou os estúdios de gravação para ver o trabalho de seu “antecessor”. “Queria extrair dali algo que pudesse imprimir ao Antenor que viria anos mais tarde”, justifica.
Lucci acredita que a primeira fase da história foi determinante para o personagem. “Acho que ele passou por muita coisa na vida, mas transcendeu. Deu para sentir que ele foi uma criança carinhosa, apesar de tudo”, analisa o ator. Por “apesar de tudo” entenda-se ter sido mudo durante uma parte da infância após ter visto a mãe morrer afogada no rio. “A cumplicidade que ele tem com o público feminino certamente vem dessa carência”, teoriza.
Mas não se trata apenas de uma identificação com o universo feminino. Quem assiste à minissérie já deve ter visto que Antenor gosta mesmo de um rabo de saia, como seu pai Licurgo, que foi vivido por Luís Melo. “Mas ele jamais machucaria uma mulher deliberadamente”, defende o rapaz. Por enquanto, Antenor vive uma montanha-russa emocional com Dora Amar, a aspirante a vedete feita por Débora Bloch. “Ele se descobre apaixonado por ela, mas não tem essa coisa de fidelidade. Não acho que haja uma cobrança de serem realmente um do outro”, opina Lucci, que por conta das cenas com a amante, tem enveredado mais uma vez pelo humor. “Acho que faz parte. É uma característica minha, mas sobretudo do Antenor. Ele é muito de bem com a vida”, justifica.
Na pele do rádio-ator, Lucci diz que ficou de olhos atentos ao próprio sotaque, que apesar de mais neutralizado ainda deixa transparecer sua baianidade. “Tive uma preparação para isso, tento me preocupar mais com a acentuação de algumas palavras e também com a impostação da voz”, explica. Aos 34 anos, Lucci aos poucos vai conquistando seus objetivos profissionais. Fazer cinema é um deles. E este ano estréia dois longas: “Mulheres do Brasil”, de Malu De Martino, e “Meteoro”, de Diego de La Tejera. “Foi um período produtivo. Eu não estava errado em arrumar as malas”, comemora.

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