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Em Foco Presente de grega
Com a Katina, de “Belíssima”, Irene Ravache conquista os públicos jovem e feminino Jorge Rodrigues Jorge/CZN

Conversar com Irene Ravache é garantia de boas histórias. Detalhista, atenta e observadora, a atriz responde qualquer pergunta com muitas informações. A impressão que se tem é que ela faz do interlocutor um velho conhecido. Logo fica evidente que a grega Katina, sua personagem em “Belíssima”, transpira muito dessa personalidade vivaz. Depois de cinco anos, Irene volta às novelas disposta a deixar um registro de seu trabalho para gerações que só ouviram falar dela. “Ficar sem fazer tevê faz com que a gente perca o contato imediato com o público mais jovem. E eu adoro isso. Os jovens são muito mais francos, vão direto ao ponto. Aprendo muito com os adolescentes”, avalia.
A identificação, segundo a atriz, talvez aconteça por já estar numa fase em que boa parte dos pudores foi deixada para trás. “É a idade do tudo posso. Já não existe uma cobrança grande, já provei o que posso fazer. É quase uma falta de compromisso, no melhor sentido. O adolescente fala as coisas com um frescor. Isso me aguça muito”, argumenta Irene, de 61 anos. Avó de um pré-adolescente de 12 anos, ela confessa ter ficado toda prosa porque a turminha do neto já a reconhece. “É muito bacana isso. Estou formando uma platéia para mim, inclusive para o teatro”, observa ela, que é chamada de “vovó” pelos netos da ficção. “Nosso núcleo é bárbaro. Gosto muito daqueles jovens porque são aplicados, disciplinados. Existe muito veterano preconceituoso e desagradável. Até parece que não foram jovens um dia”, alfineta.
A gurizada, no entanto, não é a única a abordar Irene pelas ruas. A atriz parece agradar a gregos e troianos. Dificilmente Irene sai de casa sem ouvir uma historinha familiar. “É um tal de gente me comparar com a sogra, a tia ou a mãe grega delas... Sem querer cair no clichê, esse é o maior presente que recebo com a Katina”, conta. E olha que quando soube que iria fazer uma grega na tevê, Irene sentiu um frio na barriga. “O Silvio já fez italianas, espanholas, portuguesas, mas a grega? A dificuldade da língua é enorme. Por que existe a expressão ‘falando grego’?”, indaga ela, que tem uma orientadora no estúdio para as expressões mais usadas pela personagem.
De grego, até então, Irene só conhecia o teatro. Afinal, estudou por anos a fio os deuses, os arquétipos. O primeiro lugar que visitou foi um restaurante grego. Não para turistas, mas um lugar freqüentado pela comunidade radicada em São Paulo. Por lá, quebrou pratos, aprendeu segredos da culinária típica e dançou. “A dança grega sai do coração, é uma celebração. Aprendi muito ali. A Katina tem essa pulsação. É um povo muito apaixonado e intenso”, descreve.
A intensidade de Katina começa no figurino. A própria atriz costuma dizer que a personagem é “montada”. “Ela tem sensualidade, tem fogo. Ela usa aquela rendinha no decote, que denota um mostra e esconde muito desafiador. Imagina, ela é mãe de uma mulher como Saphira e avó de uma Giovana. Existe uma exuberância, um cheiro diferente naquela casa”, teoriza Irene, referindo-se também às personagens de Cláudia Raia e Paola Oliveira. Por conta dessa sensualidade latente, por pouco a atriz não vira conselheira sentimental. Afinal, não são raras as cenas em que Katina aparece trocando olhares insinuantes ou caindo na cama com Murat, o marido turco interpretado por Lima Duarte. “Fica claro que ali existe um homem e uma mulher com desejo um pelo outro. A família toda é muito libidinosa. Para as mulheres da minha idade, é uma dádiva”, comemora ela, que também vem sendo influenciada pela personagem. “Estou me sentindo mais bonita e mais feminina também”, admite.
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