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Fora do Ar Retratos de um povo
“Cidadão Brasileiro” inaugura o horário nobre de telenovelas na Record
Luiza Dantas/CZN

Lauro César Muniz é enfático ao avaliar a qualidade das atuais telenovelas brasileiras. “Estão esquemáticas, seguem um padrão de popularização de nível baixo”, dispara. Foi pensando nisso que o autor criou e desenvolveu “Cidadão Brasileiro”, novela através da qual a Record estréia no horário das 20:30 h. O objetivo principal, o autor afirma, é estar sempre um passo à frente do telespectador e, para isso, ele diz ter buscado como fonte algumas de suas melhores narrativas, como “Escalada” e “O Casarão”. Mas, apesar da aparente ousadia, o experiente escritor ainda é cuidadoso ao manter maiores expectativas. “Não sei se eu vou conseguir resgatar esse padrão, mas vou tentar”, relativiza.
O trunfo para tal tentativa é contar, desde a década de 50 até os dias de hoje, a história de Antônio Maciel, interpretado por Gabriel Braga Nunes. O rapaz é um simples vendedor de defensivos agrícolas que, já no início da trama, é “passado para trás” por uma golpista, Fausta, personagem de Lucélia Santos. Com garra e determinação, ele persegue a mulher que arruinou sua vida, e é assim que chega à fictícia cidade de Guará, no interior de São Paulo. A partir daí, seu objetivo é vingar-se dela e transformá-la num trampolim para sua rápida ascensão na cidade. “Com a mesma facilidade com que ganha, ele perde tudo da noite para o dia”, adianta Gabriel.
Ou seja, a trajetória de um grande homem não poderia deixar de ser permeada por uma “coleção” de grandes inimigos. Além de Fausta, Antônio se vê obrigado a lutar contra o poder de Atílio, personagem de Floriano Peixoto, o líder político da região. “Ele não tem escrúpulos. É mau mesmo”, resume Floriano. Já Lucélia, além de não esconder a fascinação pela personagem, é capaz até de justificar suas malvadezas. “Ela é ótima, tem um sentido prático fantástico. Foi uma personagem irrecusável”, comemora.
Dinheiro, sucesso, derrotas, inimigos e, é claro, muitos amores, não poderiam faltar na vida de Antônio. Ele esbanja sua boa “lábia” de vendedor na hora de seduzir. Assim, não são poucas as mulheres que caem na sua rede. Além das muitas aventuras, duas “prendas” lutam por seu amor. Luiza, moça fina e “para frente” de Paloma Duarte, e Carolina, moça rústica e não menos “atirada”, vivida por Carla Regina. “Ela é o exemplo da moça de família quatrocentona”, define Paloma. “Carolina é uma menina sapeca-brejeira”, rebate Carla. Embora o principal triângulo amoroso da trama pareça formado, o “insaciável” Antônio envolve-se também com a maior de suas inimigas. Ou seja, o moço, nos dias atuais, seria taxado de “pegador” pelos amigos - ou de “galinha”, pelas mulheres.
Escândalos morais também estão presentes na trama, orçada em R$ 150 mil por capítulo. Um deles fica por conta de Luiza Tomé e Bruno Ferrari, que vivem o casal que choca a sociedade ao viver um amor arrebatador, através de Tereza e Marcelo, ela quinze anos mais velha que ele. Como se não bastasse, ela é divorciada e disputa com a filha, Eleni, interpretada por Maytê Piragibe, o amor do jovem advogado. “Homem mais velho com menininha parece normal. Quando é ao contrário, é um escândalo. Isso só prova o quanto a nossa sociedade ainda é machista”, teoriza uma animada Luiza Tomé.
Repleta de ex-globais, a trama dirigida por Flávio Colatrello é a aposta da Record para incomodar ainda mais a concorrência. O próprio diretor põe lenha na fogueira. “Estamos com um ‘casting’ cada vez maior. Por isso que a Globo está aumentando o tempo de contrato com os atores”, alfineta.
Quem é quem em “Cidadão Brasileiro”
Antônio Maciel (Gabriel Braga Nunes) - Sai da casa do pai, em Itabira, Minas Gerais, ainda jovem, para tentar melhorar de vida. Com espírito aventureiro, nunca se deixa abalar pelas derrotas, apesar de sofrer muitas ao longo da vida. Já na primeira fase, perde tudo graças à golpista Fausta. Apaixona-se por Luiza, mas casa-se com Carolina e, depois, com Fausta.
Fausta (Lucélia Santos) - Tem 50 anos quando entra na trama. Rouba Antônio para dar um golpe na cidade de Guará, e depois casa-se com um homem rico. Anos depois, viúva e milionária, usa suas posses para convencer Antônio a casar-se com ela.
Luiza (Paloma Duarte) - Filha de Atílio, é rica e apaixona-se perdidamente por Antônio. Mas, como não sabe lidar com dificuldades, o abandona e casa-se por conveniência. A partir de então, trava uma luta interna antes de decidir viver ao lado de seu grande amor.
Carolina (Carla Regina) - Órfã de mãe, filha de Nestor, mora na Fazenda Santa Isabel mas tem pensamentos muito avançados para a época. Ao conhecer Antônio, entrega-se e tenta conquistá-lo de todas as maneiras. Mas sofre por saber que seu amor pertence a outra mulher.
Atílio (Floriano Peixoto) - Dono da Fazenda do Casarão, é o chefe político da região. Todos em Guaíra o temem, e considera Antônio um oportunista. Com a revolução de 64, torna-se um dos homens de confiança do regime militar.
Gustavo (Petrônio Gontijo) - Enteado de Fausta, vive na Europa com os bens de sua família. Ao descobrir que Fausta pretende casar-se com Antônio, volta disposto a tirá-lo do grupo empresarial a que pertence.
Joana (Cleide Yáconis) - Chega a 100 anos em 1980. A matriarca da família Salles Jordão, e foi uma das fundadoras de Guará. Apesar da idade, chega a entrar em conflito por causa da rigidez do filho, Júlio.
Júlio (Cecil Thiré) - Dono da Fazenda do Casarão e pai de Atílio, Marcelo e Luiza. Participa da revolução de 32 e, enganado por Fausta, doa dinheiro para a construção de uma escola para os pobres da cidade.
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