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Personagem da Semana Menina dos olhos
Depois de “JK”, Débora Falabella vive sua primeira protagonista em “Sinhá Moça” Luiza Dantas/CZN

Quando começou a gravar a minissérie “JK”, como a jovem Sara Kubitschek, Débora Falabella já sabia que iria dar vida à personagem título de “Sinhá Moça”. Na nova novela das seis que estréia segunda-feira na Globo, que se passa em 1886, Débora vive a mocinha que confronta o pai, um fazendeiro escravocrata, com idéias abolicionistas. “As duas são de épocas muito diferentes. A Sara tem sotaque mineiro, que nem eu. A Sinhá possui outros trejeitos “, compara a jovem.
Para compor a inquieta Sinhá Moça, a atriz não fez questão de ver a primeira versão da novela. Tampouco conversar com a atriz Lucélia Santos, que interpretara a mesma personagem na trama de 1984. Segura do seu potencial, ela acredita que o importante é fazer com que o público se identifique com a mocinha de ideais libertários. “Algumas semelhanças sempre existem. Mas eu quis fazer algo diferente” , explica a atriz que está adorando este novo olhar sobre a obra. “Se quisessem a mesma coisa, teriam exibido a novela novamente”, deduz.
Com recém-completados 27 anos, esta é a primeira protagonista de Débora na Globo. Entretanto, ela já interpretou papéis memoráveis como a drogada Mel, de “O Clone”, em 2001 e a “moderninha” Maria Eduarda, de “Senhora do Destino”, em 2004. “Já fiz protagonistas dentro de núcleos. Mas este é um papel-título. Haja responsabilidade”, define. “Acho que ele veio na hora certa”, comemora a atriz.
Ela realmente não tem do que reclamar. Foi apontada por Denise Saraceni, diretora geral da Globo, como um dos maiores talentos da emissora. E desde que apareceu na telinha, em “Chiquititas”, do SBT, em 97, não parou mais. De lá para cá já fez quatro novelas na Globo e apareceu em sucessos cinematográficos como “ A Dona da História” de 2004. Além de “Sinhá Moça”, Débora faz seu “début” na tevê paga no comando do “Cineview”, programa sobre as novidades do cinema que estréia também no dia 13 de março, nos canais Multishow e Telecine. “Não estou com tempo para mais nada”, conclui a atriz, que deve ficar até meados do mês no espetáculo “A Serpente”, em cartaz em São Paulo.
P - Como você se preparou para viver Sinhá Moça, já que não viu a primeira versão?
R - Acho que isso me deu liberdade para criar uma outra Sinhá Moça, de acordo com a minha maneira de interpretar. Além de uma pesquisa completa sobre a época, eu tive aulas de boas maneiras e aprendi a gesticular e falar de maneira diferente. Inclusive porque, com o espartilho, a respiração muda, a interpretação muda. E o texto do Benedito é feito para o ator. Em apenas cinco capítulos ele define o personagem, o que facilita muito o trabalho.
P - Como você define Sinhá Moça?
R - Ela é uma jovem que vai estudar na capital e volta à cidade com idéias abolicionistas, contrariando o pai, que é fazendeiro e precisa dos escravos para sustentar seu negócio. Apesar da pouca idade, ela pode ser considerada revolucionária. Ela conviveu com os escravos, tem carinho por essas pessoas e não quer vê-los em um situação indigna.
P - Você acabou de sair de “JK”, também um trabalho de época. O que você prefere fazer?
R - Gosto dos dois. Acho que papéis bom existem e pronto. Mas quando mais distante o personagem é, mais interessante ele se torna. Acho que é mais difícil até quando é muito próximo. Quando visto o figurino me transporto para aquela época. É a oportunidade de realmente fazer parte daquele universo. Mas tenho que confessar que no dia-a-dia prefiro uma calça jeans.
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