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Em Foco Velhas idéias e novos ideais
“Sinhá Moça” retrata os conflitos entre escravagistas e abolicionistas no final da Monarquia Luiza Dantas/CZN

Uma estação de trem, duas antigas fazendas e uma cidade cenográfica de 8.868 m². Estes são os principais cenários da cidade fictícia de Araruna, onde é ambientada “Sinhá Moça”, nova trama das seis da Globo, que estréia nesta segunda-feira, dia 13. O cenário real onde foi gravado o primeiro encontro entre Sinhá Moça e Rodolfo é a estação de trem Carlos Gomes em Campinas, interior de São Paulo. Em Bananal, também em São Paulo, foram escolhidas as duas fazendas que, no passado, já abrigaram senhores e sinhás de verdade. E no Projac, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, foram erguidas construções coloniais e neoclássicas, iluminadas por lamparinas e castiçais. Tudo ao estilo do século retrasado. Precisamente no ano de 1886, quando a história é contada. “A fotografia da novela foi toda feita a partir de pinturas da época”, valoriza Rogério Gomes, diretor da trama.
Originalmente escrito em 1984, o “remake” de Benedito Ruy Barbosa, adaptado por suas filhas Edmara e Edilene, conduz o telespectador de volta ao século XIX, em um passeio à fase final da Monarquia, na qual senhores de engenho mantinham escravos em vergonhosas condições de vida. A novela começa quando Sinhá Moça, papel de Débora Falabella, volta à cidade de Araruna com idéias abolicionistas após concluir seus estudos na capital. No trem para casa, ela conhece Rodolfo, papel de Danton Mello, e se apaixona por ele. Igualmente libertário, o rapaz corresponde ao amor de Sinhá. Entretanto, até o final feliz, alguns entreveros ainda vão perturbar a vida dos dois. “Senão não teria graça”, brinca Débora.
Para agradar o Barão de Araruna, de Osmar Prado, Rodolfo se passa por escravocrata, fato que contraria Sinhá Moça. Rodolfo é o filho “querido” de Dr. Fontes, de Reginaldo Faria, e Inez, papel de Lu Grimaldi. Fontes é um abolicionista “enrustido”, que por ser amigo do Barão de Araruna, prefere não divulgar seus ideais.
Ainda no caminho de Rodolfo e Sinhá Moça, aparece o misterioso Dimas, papel de Eriberto Leão. O rapaz é filho ilegítimo do Barão com uma escrava e acaba se envolvendo com Sinhá Moça, sem saber do parentesco. “Ele vai se envolver com a Juliana também. Mas mantém sentimentos por Sinhá”, explica Eriberto, referindo-se ao papel de Vanessa Giácomo. “Juliana é uma libertária”, comemora Vanessa. Além das dificuldades para conquistar Sinhá, Rodolfo precisa enfrentar outro empecilho: a prometida Ana do Véu, papel da estreante Ísis Valverde. Por uma promessa de casamento com o mocinho, Ana nunca tira o véu e seu rosto é outro mistério da trama.
Alguns atores que participaram da primeira versão da novela, exibida em 1986, estão de volta neste versão. Milton Gonçalves participa da fase inicial da novela como Pai José, um escravo revoltado que acaba morrendo no tronco. E Patrícia Pillar, a Ana do Véu da versão original, agora é Dona Cândida, mãe de Sinhá Moça. “Ela aos poucos começa a se envolver com a questão dos escravos”, descreve a atriz.
Para Benedito a história trata basicamente de grandes amores e da luta dos negros por sua liberdade. “Os poemas de Castro Alves retratam bem este universo”, opina o autor, que desta vez será apenas um telespectador. “Confio nas minhas filhas e deixei tudo na mão delas”, confessa. “Alguns personagens cresceram . Mas não mudamos quase nada”, explica Edmara. Com supervisão de Ricardo Waddington, “Sinhá Moça” entra na programação para tentar manter os bons índices de audiência de “Alma Gêmea”, também de época. “Acho que tem tudo para agradar”, palpita Waddington.
Quem é quem - “Sinhá Moça”
Coronel Ferreira (Osmar Prado) - O nobre Barão de Araruna. Defensor intransigente do regime escravagista, é extremamente inflexível com os negros. Marido de Cândida e pai de Sinhá Moça.
Dona Cândida (Patrícia Pillar) - Fina e recatada, reconhece e aceita as idéias da filha, mas esconde este sentimento.
Sinhá Moça (Débora Falabella) - Graciosa e gentil, sempre revelou profundo amor pelos negros da fazenda. Vai estudar na capital e retorna à cidade imbuída dos ideais abolicionistas. Na viagem conhece Rodolfo, seu primeiro e verdadeiro amor.
Virgínia (Zezé Motta) - Empregada do Barão, é muito apegada à Sinhá Moça. Teve um único filho, que foi vendido pelo Barão.
Menino Rafael (Lucas Rocha) - Filho do Barão de Araruna com a mulata Maria das Dores, herdou a pele branca do pai e, por isso , à primeira vista, ninguém o identifica como um mestiço.
Maria das Dores (Cris Viana) - Bela mulata, filha de um branco com uma negra.
Inácio (Celso Frateshi) - Descendente de portugueses, de boa aparência e bons modos. Compra Maria das Dores e o filho Rafael no início da novela e os leva para a capital da província.
Pai José (Milton Gonçalves) - Homem altivo e forte. Já velho, começa a sonhar com a liberdade dos negros e por isso morre no tronco. É avô de Rafael e pai de Maria das Dores.
Fulgêncio (Sérgio Menezes) - Filho de Pai José. Foge da senzala e sofre duras conseqüências.
Feitor Bruno (Humberto Martins) - Homem rude, que busca com crueldade a disciplina dos escravos. Não tem família e cumpre à risca todas as ordens do Barão.
Capitão-do-Mato (Maurício Gongalves) - Um cão perdigueiro cuja vida foi dedicada à perseguição de escravos fujões. Já machucou muitos negros, mas isso não lhe traz remorso.
Doutor Fontes (Reginaldo Faria) - Advogado formado, é marido de Inez e pai de Rodolfo e Ricardo. Como é amigo do Barão, esconde suas idéias abolicionistas.
Inêz Fontes (Lu Grimaldi) - Dedicada ao marido, por quem tem muito amor e respeito. Vê em Rodolfo o retrato do homem por qual se apaixonou no passado.
Rodolfo (Danton Mello) - Herdou o talento jurídico do pai. Conhece Sinhá Moça e para conquistá-la esconde sua convicção abolicionista e acaba agradando o Barão. Contudo, a menina Ana do Véu é sua prometida.
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