Análise de verão mostra poluição acima do permitido no Rio Paraíba
Trecho analisado no projeto compreende espaço entre distrito de Floriano e bairro Ponte Alta
Paulo Dimas
 Sujou: Paraíba ainda apresenta índices alarmantes de poluição no trecho fluminense Barra Mansa
A análise da qualidade da água do Rio Paraíba do Sul realizada de a cada quatro meses pela Associação de Canoeiros Defensores do Meio Ambiente de Barra Mansa (ACDMA), em parceria com o UBM (Centro Universitário de Barra Mansa), sempre ao fim de cada estação, constatou mais uma vez índices alarmantes de poluição. O “Projeto Cura D´água” detectou níveis de poluição muito acima do permitido pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).
O trecho do rio que é analisado pelo projeto compreende o espaço entre o distrito de Floriano e o bairro Ponte Alta, na divisa com Volta Redonda. A investigação consiste em verificar microbiológicamente os índices de coliformes fecais e totais existentes no rio. Os coliformes fecais correspondem ao esgoto doméstico que é lançado no Paraíba e os coliformes totais se referem a todas as bactérias, vírus e resquícios de metais pesados derramados pelas indústrias que operam na região cortada pelo Paraíba.
Os índices aceitáveis, de acordo com o Conama, indicam que para cada cem mililitros de água podem ser encontrados até mil coliformes fecais e cinco mil coliformes totais. Segundo o presidente da Associação de Canoeiros, os resultados da pesquisa “são assustadores”. A pesquisa mostrou que o centro da cidade continua sendo um dos trechos mais poluídos, com 350 mil coliformes fecais e 940 mil coliformes totais para cada cem mililitros de água. Neste trecho houve uma queda da poluição, mas os índices ainda são extremamente altos.
Já no trecho em que o Rio Paraíba recebe as águas do Rio Barra Mansa, os índices de poluição cresceram. Após a análise de verão deste ano, foi constatado 1,1 milhões de coliformes fecais por cada cem mililitros. Os coliformes totais permaneceram em quantidade de 1,6 milhões nas duas últimas análises. No mesmo período de 2005, os coliformes fecais representavam 940 mil por cem mililitros.
Segundo o presidente da Associação, Sérgio Coelho dos Santos, sérias atitudes devem ser tomadas em caráter de urgência. “O Paraíba abastece 14 milhões de pessoas, obras e iniciativas de conscientização tem que começar a sair da teoria para a prática”, reivindicou ele.
Canoeiros fazem trabalho de educação ambiental
A Associação da Canoeiros realiza trabalhos de educação ambiental e limpeza do Rio Paraíba há cerca de dez anos. O coordenador de Meio Ambiente da ACDMA, Roberto Silva, diz que os trabalhos mais comuns se referem a palestras em escolas. “Temos que tentar mudar a atitude das pessoas através das crianças, porque por trás delas sempre há uma família de adultos”, afirmou. A próxima palestra da Associação está agendada para o dia quatro de abril na Escola Onofre Ruela, bairro Vila Elmira.
Segundo o coordenador de Resíduos Sólidos do município, Jackson Rabelo, o trabalho de limpeza das margens do Rio voltará a ser realizado a partir de abril. “Os trabalhos haviam sido interrompidos por causa das chuvas, mas voltarão a ser realizados. Nós realizamos um trabalho contínuo na cidade, onde limpamos as duas margens do rio, e por mês, retiramos cerca de 600 caminhões de entulho e lixo”, disse. |