O PT, a crise e as eleições

A sociedade brasileira vê estarrecida mais um episódio da crise que ameaça o governo Lula e o PT e que redundou na posse de Guido Mantega como novo ministro da Fazenda, em substituição ao ministro Antônio Palocci. As evidências de quebra do sigilo bancário do caseiro, episódio digno de todas as críticas, por inaceitável, foi a gota d’água em um copo já repleto de acusações. A averiguação das denúncias e a responsabilização penal do autor ou autores através dos mecanismos legais existentes é o próximo passo, pois numa democracia ninguém está acima da lei.
Realizados esses movimentos, punidos os culpados, poder-se-ia pensar que a crise chegaria a seu termo. Mas, infelizmente não será assim. Encerrados os procedimentos por quem de direito, seja o Ministério Público, a Polícia Federal, as CPIs e publicados os resultados, teremos de estar atentos para a eclosão da próxima crise.
Os setores da imprensa que lêem a realidade sem os preconceitos dos inimigos do presidente Lula, do PT e da esquerda, percebem o cerco que vem sendo feito ao nosso governo. Segundo o jornalista Zuenir Ventura, “alguém declarou que Palocci começou a cair quando houve a invasão do sigilo bancário do caseiro. Parece que não. Ele talvez tenha começado a cair quando Lula começou a subir de novo nas pesquisas. A prova é que os oposicionistas não escondem que querem ver mais sangue, que não vão parar e a bola da vez é o próprio Lula”.
Hildegard Angel, também jornalista, afirma “nada mais realista do que aquele anúncio da oposição em que personagens do governo Lula vão caindo, um a um, como pedras de dominó. Agora foi o Palocci. É óbvio que o objetivo não é a moralidade. É derrubar o governo, numa reação golpista em cadeia. Tudo vira motivo de escândalo, vão de pretexto em pretexto, até encontrarem o motivo para derrubar Lula, última pedra do dominó, o que não deve estar longe de acontecer(...)”.
Portanto, até as eleições estaremos vivendo sob a ameaça de crises envolvendo o nosso governo, ou o nosso partido. Como diz Tarso Genro, “o que está em curso é uma tentativa de eliminação política da esquerda com credenciais democráticas para governar. Está em curso um claro processo de recuperação - aproveitando nossos erros - do projeto tucano-pefelista e dos seus conhecidos padrões de honestidade pública, já revelados nos processos de privatização. O governo Lula está sendo atacado pelas suas virtudes, pelas políticas progressistas que desenvolve em diversas áreas, pela “plebeização” do processo democrático no país”.
A aliança tucano-pefelista saudosa dos bons tempos das privatizações ilimitadas, do Estado mínimo, dos movimentos sociais ameaçados pela criminalização, das Universidades Públicas à míngua, submersas numa crise sem precedentes, da subserviência internacional e do desprezo à América Latina, dos juros altos, da inflação crescente, quer a todo custo virar a mesa.
Os ataques vão continuar. A proximidade do período eleitoral exerce uma atração fatal sobre as forças conservadoras que querem barrar o segundo mandato de Lula. Cabe a nós, petistas, nossos militantes e aliados, reagir a cada uma das crises, com o entendimento de que estão em jogo, não apenas as realizações do nosso governo, mas a própria defesa da alternativa democrática expressa pelo PT, PSB e PC do B e demais integrantes da esquerda democrática do país. Estaremos a postos para enfrentar a ofensiva tucano-pefelista, na certeza da importância de reeleger Lula presidente, para um segundo mandato com mais avanços sociais.

Fátima Bezerra, é deputada federal pelo PT do Rio Grande do Norte

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