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Em sua segunda novela, Thiago Martins planeja carreira com muita maturidade

Luiza Dantas/CZN
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Thiago Martins, o Tadeu de “Belíssima”, da Globo
Aos 17 anos, Thiago Martins parece um típico garoto de sua idade. Gosta de surfar, tem uma banda de pop-rock - a “Guerreiros de Jorge” -, em parceria com amigos de infância, quando está numa turma gosta de soltar piadinhas, vídeo-game é uma paixão... E, como legítimo representante da sua geração, sonha com uma carreira e uma família bem estruturadas. Aos poucos, a realidade vai dando uma ajuda. Como o Tadeu, de “Belíssima”, Thiago aos poucos conquista o respeito dos colegas veteranos e amealha fãs por onde passa. “Estou aprendendo muito. As pessoas são muito generosas comigo e me ajudam bastante”, avalia.
Uma dessas pessoas se transformou em anjo da guarda para Thiago. Quando foi escalado para fazer “Maria, Mãe de Jesus”, longa de Moacyr Góes, conheceu Giovanna Antonelli. Ficaram próximos e ela o indicou para um teste em “Da Cor do Pecado”, há dois anos. Como o surfista Sal, Thiago despertou curiosidade. “Muita gente nem sabia de onde eu tinha saído. Mesmo tendo feito ‘Cidade dos Homens’ antes”, conta.
No seriado, a primeira participação de Thiago foi como um menino rico, morador da Zona Sul do Rio de Janeiro, que se envolvia com os protagonistas numa compra de tênis importado e caro. “O programa mostrou bem o abismo que existe entre as classes”, observa ele, que conhece de perto essa “trama”. Morador do Morro do Vidigal, comunidade carente também da Zona Sul do Rio, Thiago viu muitos amigos entrarem no submundo. Na contramão, ele encontrou a arte e há dez anos faz parte do badalado grupo de teatro “Nós do Morro”. “As pessoas têm uma idéia errada da favela. Acham que aqui só tem bandido. Esse preconceito tem de acabar. É só dar oportunidade que as pessoas seguem o lado bom”, discursa.
Um dos projetos a longo prazo desse quase adulto é promover oficinas de interpretação e música para outros garotos, que como ele querem uma saída para a discriminação. Mesmo com a rotina apertada por conta das gravações da novela, Thiago não deixa de ir pelo menos uma vez por semana na sede do grupo teatral. “Foi ali que aprendi tudo o que sou hoje. Se não tiver cuidado, o sucesso e a fama mudam sua cabeça. Preciso da minha base para não me deslumbrar. Ali eu me encontro e continuo estudando”, argumenta o ator.
No discurso de Thiago, não há nada de visão poética. Ele sabe que o futuro é incerto, principalmente na profissão que escolheu. Por isso, quer estudar inglês e fazer Faculdade de Cinema. “Acho que é o mais próximo da minha carreira e sou fascinado por filmes”, diz. Outra coisa que pretende é viajar, conhecer o mundo. Desejo que começou ao entrar num avião para fazer a primeira viagem internacional. Justamente para Grécia, onde gravou as primeiras cenas de Tadeu. “Foram 25 dias maravilhosos. Sentei na primeira classe! Nunca vi um mar tão azul. À noite é tão silenciosa. Não tem um barulho de tiro, um tumulto”, compara, quase ingenuamente, com o dia-a-dia do morro em que mora.
Foi às margens do mediterrâneo que Thiago conversou pela primeira vez com Tony Ramos e Cláudia Abreu. Gente que via quando criança na telinha e que agora faz parte da vida profissional. “Claro que me deu frio na barriga de estar lá com eles, mas o fato de ser um lugar diferente, nos deu uma intimidade maior”, diz. Com Tony, Thiago fez fotos que enfeitam a estante da sala, aprendeu muito sobre os deuses gregos e observou mais do que falou. Queria também usar o lugar para compor o tímido e introspectivo Tadeu. “Algumas pessoas até achavam que ele era homossexual, por causa dessa timidez”, entrega.
Com o passar dos capítulos já ficou claro que o moço gosta mesmo é do sexo oposto. No momento é disputado pelas primas Soraya e Maria João, de Enrica Duncan e Bianca Comparato. Mas o coração de Tadeu ainda bate mesmo por Taís, de Maria Flor. “Ele vive essa descoberta do amor. Acho que é assim com todo mundo. Vamos ver no que vai dar. Em novela tudo muda”, lembra.

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