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Primeira Mão Retorno à brasilidade
Sonia Braga volta às novelas como a escultora Tônia de “Páginas da Vida”
Luiza Dantas/CZN
 Sonia Braga: “Nunca saí, portanto, nunca voltei” A brejeira Gabriela no telhado num microvestido hipnótico. A sofrida Júlia Matos abalando as pistas de dança com suas meias soquete de lurex coloridíssimas. As cenas, de “Gabriela” e “Dancin´ Days”, respectivamente de 1975 e 1978, -, têm algo mais em comum além de serem de produções que deram o que falar na época. Ambas foram protagonizadas por Sonia Braga, atriz que imortalizou as personagens citadas e que assume pela primeira vez nos últimos 26 anos um personagem fixo numa trama - a última foi Gelly, na novela “Chega Mais”, de 1980. “Nunca estive fechada a voltar às novelas. Mas os convites sempre coincidiam com os meus projetos nos Estados Unidos. Desta vez, deu tudo certo”, comemora a atriz, que viverá a escultora Tônia em “Páginas da Vida”, próxima novela das oito da Globo.
Para interpretar a artista plástica famosa, que fizesse reacender num viúvo, papel de Tarcísio Meira, a vontade de viver, Manoel Carlos procurava uma atriz linda e talentosa. Sonia foi a primeira opção do autor mas, como a última tentativa de vários, inclusive a de Gilberto Braga, não deu lá muito certo - a atriz participou de apenas 10 capítulos de “Força de Um Desejo”, em 1999 -, Maneco ouviu de vários colegas que seria difícil fazê-la voltar de Nova Iorque, onde a atriz mora há 21 anos. Mas, como tem a peculiaridade de brigar até o fim pelo elenco de suas tramas, o autor fez o convite, que soou como “irrecusável” para Sonia, que prefere não usar a expressão “estou de volta”. “Nunca saí, portanto, nunca voltei”, enfatiza.
A postura denuncia que, apesar de ter sido, por muito tempo, um padrão de mulher brasileira, e até introduzido um modelo estético no país - cabelos longos e negros e pele morena, com sutil apelo erótico -, a paranaense Sonia Braga absorveu características da cultura americana. Reservada, ela prefere não falar muito da nova personagem. “Se contar tudo, acaba a surpresa. E isso é ruim para o resultado final... Para saber mais, só perguntando para o Maneco”, escapa. Mas deixa escapar que Tônia é uma artista recém-chegada da Holanda, onde tem uma galeria de arte, e que volta ao Brasil a convite da personagem de Ana Paula Arósio. “E ela tem uma filha, que não sei se aparecerá ao longo da trama”, solta.
Em comum com a personagem, a carreira internacional. Mas, se a escultora se deu bem no exterior, o mesmo não se pode dizer de Sonia. O caminho começou a ser trilhado em 1985, quando ela foi fazer “Gabriela, Cravo e Canela” no cinema. Depois, Hector Babenco a convidou para viver a personagem-título do longa “O Beijo da Mulher Aranha”. Na terra do Tio Sam, foi considerada a maior atriz exportada pelo Brasil desde Carmen Miranda, mas sobreviveu de participações no cinema e na tevê - foram mais de 40 produções , desde filmes como “Luar Sobre Parador” até seriados como “Sex And The City”. Estes trabalhos, como ela mesma admite, lhe renderam bem mais do que ganharia no Brasil como estrela de novela. Mas, apesar de nunca ter engatado um papel importante por lá, ela parece não se importar. “Se o Almodóvar me chamar para fazer uma ponta numa cena de um filme dele, vou correndo”, garante, antes de completar. “Às vezes é difícil por aqui, porque ainda não há uma boa indústria cinematográfica. Então, porque não fazer algo lá fora, ainda que menor?”, questiona.
E é justamente para ainda poder fazer papéis que diz ter energia para executar que, aos 55 anos, Sonia Braga não esconde que precisou recorrer a alguns “truques” para tentar manter o posto de “sex symbol”. “Fiz ‘lifting’ com o Pitanguy, parei de fumar e voltei a malhar. Tenho de estar bem para o que virá”, anseia, deixando escapar o mesmo olhar brejeiro que a consagrou há mais de três décadas.
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