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Personagem da Semana Vida em duas rodas
Daniel de Oliveira vive um romântico e batalhador motoboy em “Cobras & Lagartos” Jorge Rodrigues Jorge/CZN
 Daniel: “Foi uma incrível e feliz coincidência” Daniel de Oliveira nem imaginava qual seria a nova novela das sete da Globo quando resolveu tirar carteira de motorista categoria “A” - que habilita para pilotar motocicletas. Dois dias depois de ter sido aprovado no teste de direção, o ator de 28 anos foi convidado pelo diretor Wolf Maia para interpretar o “motoboy” Duda em “Cobras & Lagartos”. “Você sabe pilotar moto?”, perguntou Wolf. “Claro! Tenho até carteira!”, gabou-se Daniel. “Foi uma incrível e feliz coincidência, porque era o tipo de coisa que eu sempre adiava. E, quando realmente precisei, estava pronto”, comemora.
Mas nem só de manobras radicais no trânsito vai viver o mocinho da trama. Órfão de pai e mãe, ele mora num sobrado com os primos e a tia Silvana, vivida por Totia Meireles. Com caráter empreendedor e apaixonado por música, Duda é o tipo que sabe “se virar” para acontecer na vida. Justamente por isso, cai nas graças de Omar Pasquim, de Francisco Cuoco, o poderoso dono da loja Luxus - cenário de importantes momentos da trama. Este, faz de tudo para uni-lo à sua sobrinha Bel, papel de Mariana Ximenes. Com a jovem musicista, o rapaz, que também é apaixonado por música e não desgruda de seu saxofone, vive uma intensa história de amor. “Antes de conhecê-la, ele se apaixonou pelo seu retrato. E vai encantá-la ao mostrar que tem bom caráter”, resume.
O jeito descontraído e o ainda carregado sotaque mineiro - não é raro o ator nascido em Belo Horizonte soltar expressões como “trem” e “uai” - são marcantes até quando ele resolve apontar semelhanças com o novo personagem, com quem diz ainda estar se “adaptando”. “Ele é batalhador que nem eu. É o herói da trama, uai”, encerra, com bom-humor.
P - Você gosta de “mergulhar de cabeça” na preparação dos seus personagens. Acredita que o laboratório é mesmo fundamental para o desenvolvimento de um bom trabalho de ator?
R - Sem dúvida. Claro que nem todos são assim, cada um tem o seu processo. Mas eu embarco mesmo. Foi assim com o Cazuza e agora mais recentemente com Santos Dumont, que eu interpreto num curta-metragem que deve estrear ainda este ano, mas ainda não tem título definido. Até fiz escova progressiva e coloquei uma prótese dentária para ficar mais parecido com ele. E com o Duda não poderia ser diferente. Passo o dia inteiro tocando saxofone, até meus vizinhos já perceberam. Sou intenso mesmo. Fico com a boca caída de tanto assoprar aquele trem. Todo mundo fala que eu vou enlouquecer.
P - Já que Duda é um personagem tão “multifacetado”, que tipos de aula teve para interpretá-lo?
R - Nossa, estou trabalhando demais da conta! Ainda mais que o Duda monta um negócio, a empresa “Lagartos Voadores”, onde o “slogan” é “fazemos o impossível”. Para se ter uma idéia, eles limpam até pixação em topo de igreja. Por causa disso, estou aprendendo muita coisa. Estou tendo aulas de vários instrumentos - teoria e prática -, de rapel, de defesa pessoal, e, antes mesmo de pensar em fazer a novela, já freqüentava a Saara, que é um universo muito bom. Ver o povo, conversar, é a melhor coisa do mundo. Agora não vou tanto porque, ao invés de ver, eu sou visto...
P - Depois de “Cabocla”, sua última novela, você se dedicou mais ao cinema. Quais produções faltam estrear?
R - Em agosto estréia o filme “Zuzu Angel”, em que eu fiz o Stuart, filho dela. Ainda este ano, tem o curta-metragem sobre o Santos Dumont, e futuramente quero transformá-lo em longa. E ano que vem estréia “Batismo de Sangue”, que foi rodado em Minas, também sobre a Ditadura. Não tem jeito, sou apaixonado por cinema.
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