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Fora do Ar Da casa grande à senzala
Figurinos de “Sinhá Moça” começaram a ser preparados cinco meses antes da estréia da novela Divulgação
 Trabalho: Roupas dos “escravos” também dão trabalho
Em outubro de 2005, a figurinista Helena Gastal iniciou uma extensa pesquisa. Livros, enciclopédias, filmes, pinturas... A partir daí, algumas reuniões, rápidas decisões e muitas mudanças. Qualquer informação que remetesse ao Século XIX foi amplamente utilizada para vestir o elenco de “Sinhá Moça”, desde o vestuário mais simples da senzala até os suntuosos guarda-roupas da nobreza. Ou seja: um perfeito retrato da trama, que trata justamente do embate entre os poderosos fazendeiros contra a nascente mentalidade abolicionista. “Precisávamos de muita informação, já que o período tem muitas particularidades, em termos de cores e até de cortes nas roupas”, explica Helena.
Só então a equipe de figurinistas da produção - composta de 40 profissionais, entre costureiras, bordadeiras, alfaiates, sapateiros, entre outros - começou a produzir as peças. E logo nas primeiras cenas detectou um problema: as cores no vídeo ficaram diferentes do previsto. A idéia era reproduzir cores das pinturas da época, mas o tratamento de imagem dado pela equipe técnica, que utiliza câmaras de alta definição, mudou tons e texturas. A partir daí, foi preciso repensar os figurinos de sinhás e escravos. “Achamos que o ‘colorido’ ia ficar perfeito. Para se ter uma idéia, já é a terceira mudança que fazemos só na roupa de escravos”, justifica a figurinista assistente, Natalia Stepanenko.
Ao contrário do que pode parecer, as aparentemente desleixadas vestimentas dos escravos são tão trabalhosas quanto estampas, bordados, rendas, espartilhos e anáguas armadas, criadas com referências européias, usadas pelas senhorinhas. É claro que não se pode desprezar o fato de um vestido “básico” requerer cerca de 20 m de aviamento. Mas os trajes dos trabalhadores das lavouras são feitos, em sua maioria, de fibra natural, passando posteriormente por um cuidadoso processo de tingimento e envelhecimento até assumir a textura e o caimento necessários. “Parece simples, mas não é”, arrisca Zezé Motta, que vive a mucama Ba.
Para os atores que compõem o núcleo dos escravos, a única maquiagem esporadicamente proposta é a de ferimentos que deve ser, indiscutivelmente, crível. Já nos salões dos “endinheirados”, a coisa muda de figura. A pintura é suave, quase imperceptível, e a feminilidade fica por conta dos coques, tranças e apliques adotados pelas atrizes, como Débora Falabella, que protagoniza a trama. “O figurino agrega, ajuda o ator a compor o personagem. E há sempre dois estilos: o mais rebuscado e o mais simples, quando a sinhá está em casa”, avalia.
Sem contar com o tal “padrão” seguido pelo guarda-roupa da trama, que é composto por cerca de 400 montagens femininas e 1.500 masculinas - considerando-se que “Sinhá Moça” tem mais homens que mulheres -, a trama traz particularidades como vestidos feitos a partir de toalhas de mesa. A atriz Patrícia Pillar, que vira e mexe aparece com a “raridade”, aprovou a idéia. “Quando soube como foi feito, achei incrível. E uso ‘jeans’ diariamente. É ótimo vestir coisas inusitadas”, elogia. Mulheres satisfeitas, homens que - apesar do machismo que têm de ostentar com seus personagens - deixam a vaidade transparecer ao falar do figurino proposto. “Percebo que as roupas fazem com que meu tipo físico seja muito bem-aproveitado. Aliado a isso, deixei crescer o bigode e a costeleta que, ao contrário do cabelo, crescem rápido”, encerra, com bom humor, Osmar Prado, intérprete do sisudo Barão de Araruna.
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