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Personagem da Semana
O senhor do castelo

Aos 73 anos, Francisco Cuoco resgata a antigo
charme de galã em “Cobras & Lagartos”
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Diário OnLine
Cuoco: “É muito divertido, antes de mais nada”
Há pelo menos cinco anos, Francisco Cuoco não sabia o que era interpretar um homem sofisticado. Justo ele, que nas décadas de 70 e 80 era um dos galãs mais festejados do país por conta dos vários personagens sedutores que viveu - a maioria deles criados por Janete Clair. Passado o jejum, depois de ter feito um José Higino essencialmente rústico em “América”, Cuoco está de volta à cena em “Cobras & Lagartos”. Na pele do milionário Omar Pasquim, o ator tem nova oportunidade de mostrar que a maturidade não lhe tirou o carisma. “Acho que de alguma forma existe esse resgate mesmo”, admite.
A produção do bonitão setuagenário da novela das sete dá trabalho. Cuoco leva mais de uma hora para se “materializar” em Omar. Lentes de contato verdes, bronzeamento artificial - à base de muita maquiagem -, cabelos penteados com precisão. Tudo para tornar-se o estereótipo de um homem bem-sucedido e um tanto extravagante. “Buscamos inspiração no Giorgio Armani e no Abílio Diniz, com essa coisa de esportes radicais”, explica o ator.
Depois de ter que pedir uma vaga no elenco da novela de Glória Perez, Francisco Cuoco se vê novamente à frente dos holofotes. E agora terá de se virar entre dois personagens: Omar e seu disfarce, o faxineiro Pereira, que entra em ação para descobrir quem são os animais rastejantes que querem destruir o empresário. “É muito divertido, antes de mais nada. Tem dias em que começo Omar e termino Pereira”, brinca.
Pereira nem de longe possui o charme glamouroso de Omar. Cabelos castanhos, bigode e um figurino de dar dó fazem parte da caracterização. Para ambos os personagens, Cuoco acompanhou de perto a equipe de produção. “Conversamos muito, ouvi sugestões. Acho que o resultado ficou muito bom”, orgulha-se o ator, que vê no ritmo ágil da novela um benefício. “Por incrível que pareça, isso traz tranqüilidade. Sabemos muito bem o rumo tomado”, avalia.

P - A experiência em viver dois personagens já não é nova. Aconteceu em 87 na novela “O Outro”. Qual a maior dificuldade em trabalhar duas personalidades distintas numa mesma história?
R - É deixar de ser um e se transformar em outro. Tem dias em que chego Omar e saio Pereira. A caracterização dá trabalho. Mas o ator vive de bons personagens. E este, sem dúvida, é um grande trabalho. O Omar tem esse lado empreendedor, é um homem bem-sucedido, chegou ao topo e passou por perdas. O grande amor, por exemplo, deu lugar a uma série de conquistas que nada somam na vida dele. Como Pereira, ele vai voltar às origens, reconhecer sua essência. Enquanto o Omar é um homem audacioso e poderoso, o faxineiro é introspectivo, é encabulado ao falar.

P - Seu personagem está à beira da morte, mas ao que parece será assassinado. Você acha que ele morre mesmo?
R - Por volta do capítulo 40, acontece um incêndio e depois disso ele desaparece e é dado como morto. Eu só posso dizer que estou reservado até o fim da novela. De repente, o João faz uma ressurreição do personagem...

P - Qual o processo de composição desse personagem que, ao mesmo tempo que exala jovialidade, está a um passo da morte?
R - Estou acostumado a ver muitos filmes, a ler livros para construir um personagem. O texto do João é muito bom, não precisaria desse laboratório tão intenso, mas acabei revendo alguns filmes. Entre eles “Encontro Marcado”, de Martin Brest, em que o personagem do Anthony Hopkins recebe a visita da Morte, vivida por Brad Pitt. Gosto de ver como essa relação entre eles acontece.

P - O que você faria se tivesse três meses de vida?
R - Acho que nada muito diferente do que faço hoje. Talvez estivesse mais voltado para o lado espiritual. Na verdade, aos 73 anos, já não tenho muito essa visão de futuro a longo prazo. Futuro para mim é o dia seguinte, é viver um dia de cada vez.

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