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Ato de protesto contra rapto de menina pára o centro de Angra
Apesar das buscas no Litoral e no Sul Fluminense, polícia não tem pista para localizar estudante levada da porta de escola
Felipe de Souza
 Manifestação: Passeata reuniu em torno de mil pessoas; polícia divulga retrato falado do suspeito de seqüestro

Angra dos Reis
Um protesto contra os raptos de meninas na cidade reuniu ontem mais de mil pessoas no Centro de Angra dos Reis, para pedir mais empenho nas buscas às crianças. Oficialmente, nos últimos dois anos são quatro meninas raptadas nos últimos 18 meses, uma delas encontrada estuprada e morta, mas os organizadores do ato afirmaram que o número é maior, pois alguns casos não tiveram repercussão e outros foram registrados na 166ª DP (Angra) como desaparecidos. O último rapto ocorreu segunda-feira passada, quando um estranho levou a estudante Chayane Cabral Werneck, de 11 anos, da porta da Escola Cleusa Jordão, no bairro Japuíba.
Na passeata que cruzou a cidade foram distribuídos milhares de cópias do retrato falado do homem que foi visto levando a menina que acabara de sair da escola. Quem deu o alarme do rapto foi o irmão de Chayane, de 12 anos. O garoto contou que o estranho disse à irmã que a mãe dela mandou que ela o acompanhasse e o irmão esperasse na frente da escola. O raptor foi descrito pelo garoto como um homem meio calvo, baixo e meio gordo na hora da montagem do retrato falado.
Ontem, numa escola da cidade, uma menina teve uma crise nervosa ao ver a reprodução, dizendo que já tinha sido seguida pelo estranho. Alunos e professores da Escola Cleusa Jordão reconheceram, através do retrato falado, que o raptor tinha sido visto rondando o colégio na semana passada. “Minha mulher e eu estamos apavorados. Não dá para dormir. Temos andado por todos os cantos da região e nem sinal de minha filha”, disse, chorando, o comerciante Adilson Werneck Ricardo, de 45 anos, pai da estudante.
O prefeito Fernando Jordão (PMDB) esteve pela manhã na casa da família do comerciante e disse que, além de colocar recursos da prefeitura para ajudar nas buscas, reforçou o pedido ao DAS (Divisão Anti-Seqüestro) para entrar no caso, embora não tenha ocorrido pedido de resgate caracterizando se tratar de seqüestro. No encontro que os pais tiveram com o delegado Francisco Benitez foi prometido mais empenho da polícia.
A diretora da escola de Chayane, Ângela Mara Carneiro, recomendou às professoras que orientassem os alunos para evitar contato com estranhos. Os pais deverão levar os filhos à escola e buscá-los depois das aulas. O protesto foi engrossado por integrantes da União dos Estudantes de Angra dos Reis, que comemoravam o Dia Nacional do Estudante, comemorado ontem.
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