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Outras Paradas Traços da personalidade
Guilherme Winter, de “Cobras & Lagartos”, mostra estilo como desenhista
Luiza Dantas/CZN
 Guilherme Winter: “Os ensinamentos eram todos na base da computação gráfica” Guilherme Winter se lembra claramente da primeira vez que se orgulhou de um desenho seu. O ator, que vive o motoqueiro Flu, em “Cobras & Lagartos”, tinha 14 anos e cursava a primeira série do Ensino Fundamental, em São Paulo. Um dia, viu seus amigos copiando no papel personagens do “X-Men” e começou a imitar os colegas. Logo se surpreendeu ao perceber que levava muito jeito para a coisa. “Eu nunca tinha feito aquilo e meus desenhos ficaram muito melhores do os meus amigos. Comecei a me empolgar”, recorda-se Guilherme.
Essa empolgação levou Guilherme até a Escola Panamericana de Arte, também em São Paulo. O ator passou dos 16 aos 19 anos fazendo cursos técnicos, onde aprendeu praticamente todas as formas de pintura. Técnicas de luz e sombra, pintura nanquim, pintura com guache, em aquarela, pintura em acrílico e em carvão. “Conheço todas as formas de desenho e pintura”, gaba-se.
Quando terminou o curso, na mesma época em que terminou o colégio, Guilherme estava decidido a estudar Desenho Industrial. Chegou até a estudar seis meses na faculdade Mackenzie, mas desistiu perante a realidade da profissão. “Os ensinamentos eram todos na base da computação gráfica, o que não é a minha praia. Optei por largar tudo”, explica o ator, que foi para a Bahia trabalhar como cenógrafo no paradisíaco Club Med, em Itaparica. “Bolava e desenhava os cenários e fazia esquetes de humor”, relembra.
O trabalho nos palcos do resort baiano despertou em Guilherme a vontade de ser ator. Foi quando ele decidiu voltar para São Paulo e se matricular na Oficina de Atores de Nilton Travesso, onde passou sete meses. Enquanto desenvolvia os dotes artísticos, Guilherme trabalhou em uma agência de comunicação visual e fez trabalhos como free-lancer. “Desenhei até aparelhos de massagem para ilustrar folhetos de uma amiga da minha mãe”, diverte-se. “Também ficava em festas fazendo caricaturas de amigos”, relembra.
Disposto a conseguir uma chance como ator, Guilherme foi para o Rio de Janeiro atrás de oportunidades. Na bagagem, todos os pincéis, a aquarela, charges, fotos, e até um quadro, que ele fez assim que chegou da Bahia. “Algumas pessoas dizem que sou eu e meu violão, acho que pode ser sim”, brinca ele, que demorou duas semanas para concluir a obra, toda em aquarela.
Aliás, Guilherme considera a técnica em aquarela a mais complicada de todas. Quando quer espairecer, o ator prefere passar as madrugadas com seus lápis 6B. Com eles, além das caricaturas, ele também reproduz fotos, como a de Sigmund Freud, o pai da psicanálise. “Foi o desenho mais difícil que eu já fiz”, confessa o ator, que fez o desenho em três dias. “O da Elisabeth Taylor fiz em algumas horas”, compara.
Guilherme terminava uma ilustração da namorada quando conseguiu um teste para “Sinhá Moça”, trama das seis da Globo. Embora tenha saído de “mãos abanando”, logo em seguida ele foi chamado para “Cobras & Lagartos”, novela das sete da mesma emissora. Inicialmente escalado para o elenco de apoio, Guilherme teve sorte. Graças à experiência com motos, ele logo foi “efetivado” para a turma dos Lagartos Voadores, núcleo do qual faz parte Duda, do protagonista Daniel de Oliveira. “Foi tudo muito rápido. Eu pensei que o ritmo ia ser pesado, mas até que não”, comemora.
Sem experiência prévia no ofício de ator, ele passa o dia observando o trabalho de profissionais como Totia Meirelles e Lázaro Ramos. “Tento aprender a cada gesto deles”, empolga-se. Mas, mesmo em meio à rotina das gravações, sempre que possível, lá está Guilherme exercitando seu “hobby”. “O melhor da ilustração é que ela pode ser feita em qualquer lugar, de dia ou de noite”, pondera.
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