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Marcos Paulo recupera o prazer de atuar como o Diogo de “Páginas da Vida”

Pedro Paulo Figueiredo/CZN
Diário OnLine
Retorno: Marcos Paulo reaparece na TV na pele
do médico Diogo, em “Páginas da Vida”
Quando encenava a peça “Deus lhe Pague”, ao lado de Marco Nanini, em 1976, Marcos Paulo não se furtava em ficar na coxia espiando o colega. De tanto admirar o ator, que além de interpretar, cantava e dançava bem, Marcos acabou tendo uma espécie de “insigth”. “Para ser ator, eu quero ser como o Nanini. Se não for assim, quero ser diretor”, pensou ele na época. Dois anos depois, ele virou co-diretor de “Dancin’ Days”. Em quase 40 anos de televisão, Marcos Paulo orientou os colegas em 14 novelas. Em algumas, também atuou. A dupla jornada, no entanto, não está mais em seus planos. Assim como também não estava, anos atrás, ser encarado como um galã. “Havia uma conotação pejorativa e eu sempre gostei de fazer os bad-boys”, confessa. O rótulo já não o incomodaria atualmente. Só que é justamente na função de um galã maduro que ele encara pela primeira vez o texto hipernaturalista de Manoel Carlos, que escreveu para ele o médico Diogo de “Páginas da Vida”.
Até agora, Diogo “apareceu” em cena enviando cartões postais a Helena, de Regina Duarte, seu antigo amor da época de faculdade, com quem sempre teve uma relação tempestuosa. “Acho que existe muita tensão entre os dois, mas também muita afinidade. Tanto que ele volta ao Brasil por causa dela”, argumenta Marcos Paulo. Para se preparar para o papel prefere construí-lo de fora para dentro. “O figurino é muito importante. Me olho no espelho e vou buscando esse homem”, filosofa. Mas foi no texto de Maneco que ele encontrou a personalidade que tanto queria descobrir. “Cada palavra tem um porquê, uma intenção. É um papel que se constrói a cada dia”, sintetiza.
Estreante na crônica diária do autor, Marcos Paulo já ensaiava com Manoel Carlos uma parceria há alguns anos, mas a oportunidade nunca chegava. A agenda do também diretor de núcleo da Globo não permitia tempo para que essa sedução se concretizasse. No que parece uma conspiração de coincidências, dessa vez deu certo. “Eu iria dirigir uma novela das seis, que acabou não acontecendo e o Maneco me ligou para fazer um personagem. Estou muito feliz de ter conseguido, finalmente, estar numa novela dele”, derrama-se.
Mesmo com décadas de experiência, é possível notar em Marcos Paulo uma evidente euforia com o novo trabalho. Ele, que já trabalhou com Gilberto Braga e Aguinaldo Silva - como diretor e como ator -, ainda tenta se encaixar no tom naturalista de Maneco. “É bem mais difícil. Você não pode criar um tipo, porque o personagem que faz pode estar ali na esquina”, pondera. E, no caso de Diogo, a esquina fica no continente africano, para onde vai, com a experiência que tem como infectologista, cuidar de doentes de Aids. Para gravar na África, em campos de refugiados, só foram Marcos e o diretor Jayme Monjardim. Mantida em sigilo no início, a viagem também serviu para que o ator reconhecesse certos fragmentos de Diogo. “Esse homem não pode voltar ao Brasil como foi. O que viu ali é muito duro”, avalia. Para o próprio ator, a viagem foi um choque. E ficou marcado no olhar meio perdido que exibe quando conta o que viu. “O coração do mundo sangra lá mesmo. E parte desse mundo prefere não saber o que acontece. É mentira que a miséria é igual em todo lugar. Lá, é muito pior. E ainda assim as pessoas riem e são alegres”, impressiona-se.
Com 55 anos, Marcos Paulo acha que já passou por muita coisa. Já foi rebelde - foi hippie aos 15 anos e até vendia bolsas de couro -, virou ator, casou-se quatro vezes, passou a ser diretor, tem três filhas, voltou a ser ator e atualmente namora a atriz Nívea Stelmann, 23 anos mais nova que ele. Talvez por toda essa experiência, demonstre calma e serenidade ao discorrer sobre qualquer assunto. Envelhecer é um deles. “A única coisa ruim é usar óculos para ler. É um inferno! Tenho seis espalhados pela casa e sempre os perco”, revela o ator, rindo de si mesmo.

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