Aumento do déficit preocupa indústrias de eletrônicos

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BRASÍLIA

As indústrias de bens elétricos e eletrônicos estão preocupadas com o constante aumento do déficit comercial do setor e apostam nas medidas que devem ser anunciadas pelo governo nesta semana para reduzir as importações a médio prazo.
A maior preocupação é com a explosão das importações de semicondutores, esperada pelo setor e pelo governo, por causa da adoção no Brasil da tecnologia digital para a transmissão de conteúdos para a televisão.
Até o aumento das exportações de celulares, que cresceu 227% no ano passado, representa uma ameaça para a balança comercial da microeletrônica. Isso porque o Brasil importa 85% dos componentes dos celulares e agrega apenas 15% de valor, que representa a mão-de-obra de montagem.
Segundo a Abinee (associação da indústria elétrica e eletrônica), a produção mundial de semicondutores sobe a uma taxa média anual de 14,8% há 30 anos, mas, no Brasil, são as importações que crescem.
No primeiro semestre, o déficit do setor elétrico-eletrônico, de US$ 4,7 bilhões, foi 53% maior do que no mesmo período do ano passado. As importações de semicondutores somaram US$ 1,6 bilhão, 28% a mais na mesma comparação.

Padrão japonês

Em junho, um decreto do governo definiu que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T) adotará o padrão japonês. O governo tentou negociar a atração de uma indústria de semicondutores japonesa para o país em troca da escolha daquele padrão.
Mas tudo indica que o governo falhou. O sistema analógico continuará a ser transmitido por dez anos, para o mercado se adaptar, quando um conversor, que possui componentes eletrônicos, será vendido no país.
É durante esse tempo que o Ministério do Desenvolvimento pretende oferecer benefícios como isenção de Imposto de Renda e desoneração de impostos e contribuições para atrair indústrias de qualquer país.
De acordo com o BNDES, a produção mundial de semicondutores é de US$ 240 bilhões, e o Brasil responde por US$ 3 bilhões. O governo quer elevar a fatia e pretende montar plataformas de exportação.
Um dado da balança do setor revela que o país tem potencial para vender aos vizinhos. No primeiro semestre, o país teve déficit de US$ 5,4 bilhões com os asiáticos, atualmente os mais competitivos, mas superávit de US$ 1,9 bilhão com os países da América do Sul.
“É muito difícil atrair empresas ao Brasil. A carga tributária para a produção é muito alta. Para importar lâmina de silício para componentes, tenho que desembolsar 72% do valor com pagamento de PIS, Cofins, ICMS e taxas alfandegárias”, diz Wanderley Marzano, dono da Aegis, uma das três únicas fábricas de semicondutores do Brasil e a única nacional.

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