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Ciência Lembranças de Saturno
Divulgação
 Ângulo: A nave fotografou os anéis de uma nova perspectiva Divulgação
 Dupla: Há tantas luas em Saturno que seus crescentes se sobrepõem como acontece com Rhea e Enceladus nesta foto Divulgação
 Capa: A foto dos lagos de metano foi capa da revista ‘Nature’ A nave espacial Cassini enviou novas imagens do planeta Saturno que deixaram os cientistas da Nasa atordoados. Entre as fotos, estão vistas dos anéis do planeta, observados de uma perspectiva polar; os lagos de metano líquido que existem na maior das luas de Saturno, Titã; e os duplos crescentes provocados pelas múltiplas luas do mundo gigante. A missão Cassini é uma iniciativa conjunta da agência espacial norte-americana Nasa e da agência européia Esa. A nave robô, a mais cara e sofisticada já construída, foi lançada em 1998 e está orbitando o mundo dos anéis desde o ano 2001.
A Cassini já passou perto das principais luas do planeta gigante e até lançou uma sonda de pouso na maior de todas elas, Titã, que possui uma densa atmosfera primordial. Há muito tempo se suspeitava da existência de lagos de metano líquido na superfície de Titã, mas a hipótese só foi confirmada recentemente, com as imagens da Cassini. Uma das fotos que ilustram esta matéria foi capa da “Nature”, a mais famosa revista científica do mundo.
Titã é muito frio para ter vida, como a conhecemos, mas sua atmosfera contém os mesmos elementos primordiais de onde surgiu a vida terrestre. Tudo o que falta a Titã é o calor e a energia para servirem de centelha vital. Iniciando as reações que levaram à formação das moléculas e das primeiras células. No sistema de Saturno, o calor existe na forma de vulcões de água quente nas profundezas das luas geladas, como Rhea e Enceladus. As câmeras da Cassini captaram um belo crescente duplo, formado quando duas luas, Enceladus e Rhea, passaram uma na frente da outra enquanto orbitam o gigante anelado.
Saturno é o segundo maior planeta do sistema solar, famoso pelos anéis de partículas de gelo que o envolvem. Os anéis são restos de uma lua gelada que se aproximou demais do planeta e foi desintegrada pelas marés gravitacionais. Antes do desenvolvimento das sondas espaciais, os astrônomos conheciam quatro anéis principais. Mas naves como as Voyager e a Cassini mostraram que os anéis são como um antigo disco fonográfico, com milhares de estruturas concêntricas, orbitando o planeta e sendo mantidos em posição pela gravidade das chamadas “luas pastoras”.
GASOSO - Saturno é um mundo gasoso, e flutuaria na água, se existisse um mar suficientemente grande para colocá-lo. Se uma nave tentasse pousar em Saturno, ela mergulharia num mar de nuvens com milhares de quilômetros de profundidade. Perto do centro do planeta a pressão deste oceano gasoso transforma o gás (hidrogênio e hélio) em líquido e depois em metal, mas nenhuma nave, tripulada ou robô, pode chegar lá. Muito antes de atingir esse mundo abissal ela seria destruída pela pressão e pelas altas temperaturas.
Destino certo para turistas espaciais
Saturno fica a mais de um bilhão de quilômetros da Terra e, por enquanto, só pode ser explorado por robôs movidos a energia nuclear, como a sonda Cassini. O Sol, lá, é pálido e quase sem calor (80 vezes menos intenso do que na Terra) e a temperatura cai a mais de cem graus negativos. Mas a possibilidade de existirem oceanos de água líquida, em luas como Encelado, mantém o interesse pela exploração do planeta.
A beleza dos múltiplos anéis e das mais de 16 luas faz de Saturno um destino certo para os futuros turistas espaciais. Mas para chegar lá será preciso desenvolver naves enormes, verdadeiros navios do espaço, com gravidade artificial produzida por rotação e sistemas de propulsão a plasma ou íon, o que ainda se encontra décadas no futuro. (JLC) |
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