ESPECIAL TEEN A moda agora é decorar o corpo
Tatuagens e piercings são acessórios de muitos corpos da cidade
Felipe de Souza
 Moda: Tatuagens não são mais a sensação do momento no “bod mod” Volta Redonda
Já se foi o tempo em que os adolescentes de Volta Redonda se contentavam com uma simples tatuagem. Agora, os jovens da cidade estão escolhendo entre o branding, pocketin, body piercing, 3D implants, cuttins, e daqui para frente talvez outras variedades de bod mod (do inglês body modification, ou modificação no corpo, em português), que já é vasto. Complicada as palavras? Mais seus significados estão se tornando comuns nos últimos anos.
Enquanto alguns tentam convencer a mãe a deixar colocar um piercing no umbigo, outros estão fazendo desenho na pele com ferro em brasa. Trata-se do branding, que “dói menos que um piercing no mamilo”, segundo Pedro Henrique Santiago, de 24 anos, estudante de Comunicação de Volta Redonda que gravou uma letra japonesa no braço, em um estúdio de tatuagem no Rio.
Mas, no meio dessa história de queimar a pele para conseguir cicatrizes, implantar objetos, perfurar, é preciso se lembrar da saúde.
Um dos mais renomados tatuadores da cidade, Leonardo Canuto Penido, o Léo Caverna, que possui um estúdio em frente ao ginásio do Retiro e outro no Aterrado, alerta sobre os cuidados necessários que devem vir juntos com a decisão de aplicar arte no corpo.
- Sempre procurar por um profissional renomado, verificar o lacre da embalagem da agulha antes da aplicação do piercing, a assepsia do estúdio e do tatuador são medidas fundamentais. Lembrar também de que um desenho legal não é uma tattoo perfeita é primordial, pois muitos vêem o desenho do amigo feito com um cara que não é profissional e acham que ficou bom. Na verdade, quando cicatrizar, irá revelar uma imagem sem qualidade - explicou o tatuador.
Léo Caverna lembrou ainda que hoje a tatuagem segue e sofre com os modismos. “A época da índia tatuada já passou, agora a onda são os tribais do Alemão do BBB e de atrizes de novela, que muitas meninas querem imitar”, revelou.
MUDANÇA - Seja por motivos espirituais, estéticos ou funcionais, o fato é que cada vez mais pessoas procuram descobrir a própria identidade e expressá-la pelo visual. A evolução das técnicas de intervenção corporal parece não ter mais limites. Há 15 anos, no Brasil, era escandaloso usar um brinco no nariz. Hoje, o acessório aparece até em personagens de novela. Como será nos próximos 15 anos? Línguas já estão divididas no meio e objetos de aço implantados no corpo. Serão esses requisitos para ser diferente?
É importante respeitar as diferenças, mas é sempre bom lembrar que o diferencial de uma pessoa pode não estar na roupa, no cabelo ou piercing. Se a identidade se constrói por contraste, a busca do próprio ‘eu’ e consciência do próprio corpo podem ser também um desafio único.
Artes para decorar o corpo
Tatuagem: a mais popular e aceita socialmente, é acessório de muitos em Volta Redonda. Os desenhos variam de acordo com a época, mas a técnica é basicamente a mesma de 30 anos atrás. Algumas inovações nos materiais utilizados são tintas fluorescentes e tatuagem removível, feita com henna. O preço médio é a partir de R$50, a permanente.
Body piercing: também comum na cidade, a arte trata-se de colocação de objetos (jóias, feitas geralmente de aço cirúrgico ou titânio, acrílico, madeira, ouro ou prata). Aplicado em diferentes partes do corpo, como supercílio, lábios, nariz, septo nasal, bochecha, orelha e até genitais. Preço médio na cidade é de R$25.
Pocketing: variação do body piercing. Consiste no implante parcial de hastes de aço cirúrgico sob a pele. Lugares mais comuns são braços, cotovelos e nuca - locais sem articulação. Preço médio é de R$100.
Branding: técnica que queima a pele com ferro quente em bisturi em brasa é posto rapidamente na pele para obter cicatrizes que formam o desenho, sem detalhes. O preço inicial é de R$100.
3D implants: implantes de aço cirúrgico ou silicone sob a pele. É utilizado para conseguir características inumanas. Os mais comuns são os chifres. Na cidade a aplicação ainda não é feita, apenas nos grandes centros urbanos como Rio e São Paulo.
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