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Quatro homens torturam e matam mulher em sítio de Rio Claro

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Quatro homens torturam e matam
mulher em sítio de Rio Claro


Um dos suspeitos do crime foi preso ontem mesmo,
enquanto os outros três desapareceram na mata; marido da vítima também foi torturado

Paulo Dimas
Diário OnLine
Crueldade: Corpo da mulher é encontrado no meio
do mato, em Rio Claro, por peritos da polícia

Paulo Dimas
Diário OnLine
Hediondo: Assaltantes reviraram todo o sítio
antes de torturar e matar uma das vítimas; um suspeito foi preso

Rio Claro

Uma mulher foi barbaramente torturada e morta na manhã de ontem, num sítio no Sertão do Mato Dentro, zona rural da cidade, por quatro homens - um morava no bairro Califórnia - que estariam atrás de armas e dinheiro. O companheiro da vítima também foi torturado, resistiu, mas está internado em estado grave na Santa Casa de Barra Mansa, com ferimentos na cabeça causados por coronhadas de revólveres. O dono do sítio, que é professor de uma faculdade no Rio e morador na Tijuca, disse que desde que abandonou a prática de tiro esportivo, há dez anos, vendeu as armas e não guardava dinheiro na propriedade, localizada numa região isolada, onde ele costumava ir a cada dois meses.
O assassinado ocorreu por volta das 7 horas, quando Maria de Fátima Vidal, de 43 anos, fazia café, ainda de trajes íntimos, e seu companheiro, Wellerson Bulkuerio de Oliveira, de 61 anos, se encontrava no quintal. Depois de torturados por quase uma hora, a mulher foi assassinada com um golpe de facão no pescoço, e o homem desmaiou. Maria de Fátima e Wellerson foram transportados num carrinho de mão e lançados de uma encosta na beira de um riacho. Os bandidos ainda cobriram o corpo da mulher com galhos de árvore.
Só os legistas do IML de Angra dos Reis, para onde o corpo de Maria foi removido, somente na noite de ontem, deverão explicar se a mulher foi estuprada e baleada.
DISPAROS - Segundo o lavrador Jorge Marciano Calixto da Silva, de 45 anos, que foi rendido pelos bandidos na estrada que passa em frente ao sítio, foram feitos disparos na cozinha, onde a mulher era torturada. Calixto seguia a pé em direção ao alto da serra para colher bananas, quando foi atacado e levado para dentro de casa, onde foi amarrado. Após os bandidos terem ido embora, ele se soltou das cordas e caminhou até um ponto onde havia sinal de celular, e se comunicou com os policiais da 168ª DP, relatando o crime.
- Eles gritavam querendo saber onde estavam as armas e o dinheiro do patrão deles. Ouvi tiros e, nessa altura, já não ouvia mais os gritos do Wellerson, que já teria morrido - contou Calixto, ferido nos braços pela corda que o amarrara.
O roubo teria sido premeditado em Volta Redonda, onde Douglas de Souza Nogueira, de 18 anos, morador no bairro Califórnia, em Barra do Piraí, teria se reunido com os outros três suspeitos, e partiram para Rio Claro.


Um suspeito foi preso

Douglas foi o homem que rendeu Calixto, obrigando-o a se deitar de bruços, quase sufocando na lama. Ele teria sido também quem torturou o casal. Douglas foi preso por volta das 8 horas, quando fugia da região, montando um cavalo e levando um comparsa na garupa, pela linha do trem. Os dois estavam encapuzados. Durante uma troca de tiros com os policiais, ele se entregou, enquanto o outro homem que ele levava desapareceu na mata. A dupla só não conseguiu escapar porque o cavalo, com uma pata quebrada, não conseguia correr.
- Conhecia o Glauber e decidimos seguir para Rio Claro. Era para a gente ir a uma festa. Só chegando aqui é que eles disseram que seria um assalto. Não sei quem são os outros dois. Só sei que eles moram aqui (Rio Claro) - disse Douglas, que hoje será transferido para a carceragem da 166ª DP (Angra dos Reis).
Os outros dois comparsas se embrenharam na mata, nas proximidades do sítio, e até a noite não tinham sido localizados por policiais do 10º BPM (Barra do Piraí) e da 168ª DP (Rio Claro). Os inspetores Denis Garcia e Paulo Azevedo, designados pelo delegado Gilaberte Savignon para investigar o caso, disseram que os três integrantes em fuga estão cercados nas matas, no Sertão do Mato Dentro, e têm pouca chance de sobreviverem. Há onças pardas e cobras na região, onde, ontem à noite, chovia fino e fazia frio de 14 graus.

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