Quadrilha no PA fraudava controle digital de madeira
SÃO PAULO
Uma operação da Polícia Federal no Pará contra o desmatamento ilegal e fraudes na emissão de autorizações para o transporte e venda de madeira prendeu 17 pessoas no Estado. No Maranhão houve mais uma prisão.
Entre os presos, quase todos madeireiros, há dois ex-servidores, um do Ibama e um da Secretaria-Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Pará.
Segundo a PF, os envolvidos no esquema praticaram vários crimes contra o ambiente, além de corrupção ativa e passiva, estelionato e inserção de dados falsos em sistemas de informação.
Segundo o delegado Sérgio Rovani, que comandou a operação, por meio de fraudes no sistema DOF (Documento de Origem Florestal) do Ibama e no sistema de controle da Sectam, os suspeitos “esquentavam” a madeira extraída ilegalmente.
On-line
Em setembro do ano passado, o Ibama instalou o DOF, que administra a exploração de madeira. Pelo sistema, cabe às empresas produtoras e consumidoras de produtos florestais a responsabilidade por registrar seus estoques on-line na rede nacional.
O sistema substituiu as antigas ATPFs (Autorização de Transporte de Produtos Florestais), que eram impressas em papel moeda.
As investigações da PF apontaram que as fraudes no DOF eram feitas de duas formas: por inserção fraudulenta de créditos no sistema informatizado que permite a impressão dos DOFs; pela impressão de grande número de DOFs nos quais constavam quantidades superdimensionadas de madeira a serem transportadas.
Para Rovani, a operação desmontou um novo esquema de fraude. “Antes eles fraudavam as ATPFs, agora burlam o sistema informatizado.” Segundo a Polícia Federal, ao menos 155 empresários do setor madeireiro se beneficiaram do esquema. |